<<...
Apaixonar-se por tudo, é não se apegar a nada!...>> (Jean-Louis Barrault)
De: S.S. Potêncio, ®
Os Gambuzinos (258) Ne me quite Pas!...
Desde os primórdios da época da emigração em massa, lá no início dos anos
sessenta, do Século Vinte (buscar para o desenrasco tradicional...
e sairmos debaixo das saias dos filhos da Mãe Pátria, os saudosistas, os
faixistas, os estadistas, os bairristas, os economistas, os salazaristas, os
cavaquistas - são aqueles que só fazem cavacos da lenha para botar na fogueira
de vaidades - e outras listas, como a dos anarquistas ou dos xuxialistas pavónicamente exibidas em
noite de gala) que nós vemos o desencanto esparramado na cara do Povo de
Portugal.
- Se, até àquela data pré-migratória... em direcção ao comunismo da
Europa Comunitária, já se viam lágrimas em todos os que partiam da Santa
Terrinha, hoje criam-se e alimentam-se figuras populares de dar dó!... Nem são
carne nem peixe!... e muito menos sequer sabem cozinhar os velhos sabores Luz
& Tanos, que nos desencantam a cada vez que arribamos para matar
saudades, munidos de armas e bagagens para ficar!,... todos somos apenas
“retornados às origens mais remotas”!
Eis-nos
aqui - coração na mão,... votos por via de correio em greve, e outras
vicissitudes de quem anda pelos caminhos da "estranja"!, mas!... ó
desventurada amargura de nós TODOS eternos "retornados" que por sina
Divina, somos todos aqueles que um dia de lá saímos!...
- ou será que tem alguém por aí, menos retornado do que
nós?
Consensualmente
falando, tão Portugueses somos nós no exterior, como qualquer outro que ainda se
consegue manter à tona d'água, para viver fora das maracutaias, dos esquemas,
das arapucas, dos meandros da democratica forma de enganar o Ti Ze Pô Vinho,
feito a "martelo & Foi-se"... o tempo da lealdade, da palavra dada no fio do
bigode!...
Do
nosso departamento de "conversas de soalheira", neste final de verão e início de
Outono marron, de cor acastanhada... quase a descambar para o negro buraco do
inverno político que se aproxima, nós acabamos de receber uma reportagem mais ou
menos descritiva do que vai lá pelos meandros das esferas in fluentes apupos de
azedume tardio e a más horas... iiiiii aatãon lá bai:
(citamos excertos do tal discurso com escuta clandestina, pelo método “o
cult” para não dar nas vistas, nem no focinho do adversário, que bem as merecia,
mas... não vale a pena partir agora para as vias de facto o que se passava
debaixo do nariz, e não dizias nada!?... perguntava-se por debaixo do pano do
palco teatral em debandada geral)
...
ghrrrruuuuummm,... ghhrrrrruuuuhmmm... humpfffff!!!!
-
Portugueses!... ... 'ÑAS xEÑORAS e Mous Xeñores...
-
meus patrícios, conterrâneos de longa data!...
Estamos
aqui todos reunidos (quem não pôde vir, mandou o voto pelo correio que, por
sinal está ainda em greve mas ... mais tarde, quando Inês já estiver Morta...
ele há-de se ressarcir do mal de All Zaimér - é aquela doença do ser humano que
quando não sabe aonde ir, pega um envelope e manda!!!... afinal somos um
Povo de Portugal cheio de tradições... pleno de sabedoria milenar e de
provérbios, de chavões de “brandies” e costumes muito arraigados!... Como
este por exemplo: quem quer vai, quem não quer manda!... E o home mandou,
mandou, mas no fim do jogo nem tugiu, nem mugiu... o Leite foi todo p'ras
cucuias!!!) para vos tranqüilizar e prestar contas do ocorrido... um verdadeiro
corridinho Algarvio!
-
Oh páaaa... tu já butastes ou ainda não???...
(pela
fonética eleitoral este "ou"
tanto pode ser uma conjunção fonética alternativa, como também pode ser uma
forma aliterada do pronome pessoal da primeira pessoa do singular... EU...
OU ainda não butei lá nada!!!... e voismecê? JÁ BUTOU???... contestava o bezinho
do lado)
-
AH PEIS OLHA QU'EU ainda nem sei cumé ke se bota,
carago???!!!..
Estas
e outras conversas do género rolavam soltas e estouvanadas pelas esplanadas
do Bairro Alto e de Belém do Restelo, quando de repente... não mais que num
repente, passou um ardina a
gritar!...
-
Ólhó Parada da Paródia!...
-
Bamos oubir o home do poleiro que vai falar à Ná
São!...SILÊNCIO!!!
...
'ÑAS xEÑORAS e Mous Xeñores... Portugueses!...
Agora
que o país está de tanga, em parte por causa do fechamento das fábricas de
tecidos em tergal da Covilhã, mas principalmente porque os cofres do Estado
foram assaltados pelos irmãos metralha dora ligeira, muito usada pela elites
governativas, não nos resta outra alternativa... a não ser admitirmos que o
Leite está todo derramado!...
- e por isso, temos que fazer conchavos, temos que compor novos
êxitos musicais com letra do tipo o "Fado da Desgraçadinha que andava no
gamanço!" e passarmos a cozinhar novas iguarias do tipo Pizza nos Gajos do
Bloco, ou umas sobremesas à base do Rocambolesco romance do Fiat na Virgem e não
corras!!!,... que já vais ver o que acontece nas
intercalares!...
E por falar em rocambole, que tal meter a mão na massa?
Ù KÉ KE TU AXAS OPÁAA?!?!...
(perguntava um dos
figurantes no meio dos figurões da primeira fila da platéia e do
camarote)
Bem... eu tenho andado a comer da pensão, mas... se é para meter a mão na
massa, vamos lá!... o que é que custa, hein, hein?... é mais um menos um...e no
final do mandato ninguém dá por nada!... ninguém acredita no ministério público,
ninguém olhará para trás porque, todo povo sabe que; para trás mija a burra... e
aqui não temos burras... só Burros,... alguns,... muitos, de duas patas,
infelizmente para a natureza humana.
Enquanto isso, na boca do microfone continuava o discurso...
- Ontem estávamos todos voltados para o
país, e hoje direcionamos os holofotes para este palco de tantas batalhas,
inclusivamente a do Buçaco que vai fazer 200 anos, e ela nos reestabeleceu a Democracia tipicamente
Luz & Tana!!!!!!.... onde todos somos iguais, mas quem manda aqui sou eu,
carago!... siga a contra-dança:
- Ne me quite
pas,... Ne me quite pas!...
Ao que o nosso herói respondia a cantarolar;
...
estamos quites páaaa... estamos quites páaaa!...
- agora
é que são elas... vamos lá meter a mão na massa, pá!...
Ao fundo, escutava-se um tanto ou quanto à margem da Lei, um
zarranguilhar nas linhas telefónicas, e um ruído de panela de pressão quando
esquenta o grão do Bico calado com tripas à moda do
Puorto!...
(xxxiiiiiiiiuuuuu!...
silêncio cantace u fádo, carago!...)
- Ne me quite
pas,... Ne me quite pas!...
- estamos quites páaaa... estamos quites
paaaa!...
E assim o orador insistia...
... 'ÑAS xEÑORAS e Mous Xeñores... conterrâneos!... aqueles que ainda
teem terra, ... Patrícios de todos os quadrantes deste recto ângulo de
patriotas!
Estamos aqui reunidos em volta do grande tabuleiro de sardinhas
entaladas... Perdão!... melhor dizendo isto é apenas uma travessa de carapaus de
corrida que a varina nos trouxe no alto da cabeça, desde o velho Cais do Xudré,
e por isso nós queremos vos justificar a razão do fracasso que foi esta
campanha.
- Estava a bela Inês posta em sossego...
quando se aproximou um pá gem muito bem vestido, elegante, altivo, bem-falante,
cabelo já grisalho para acompanhar a moda TransAlpina, quando a grafanola
começou a girar e o velho êxito sussurrava...
Péeeraíiiiiiiii ópáaaa... muda o disco porque esse apelo aos antepassados
históricos já passou à história...
Assim se fez e a contra-dança continuou a escutar-se a torto e à direita
:
- Ne me quite
pas,... Ne me quite pas!...
- estamos quites páaaa... estamos quites
paaaa!...
- Ne me quite pas,... Ne me quite
pas!...
- estamos quites páaaa... estamos quites
paaaa!...
- Ne me quite pas,... Ne me quite
pas!...
- estamos quites páaaa... estamos quites paaaa!...
Silvino Potencio - Emigrante Transmontano - O Home de
Caravelas - Mirandela
Retornado² Angolano,
EX Patriado, Ex Combatente, Ex Comungado do IARN... E DE TANTAS OUTRAS
CONFRARIAS XUXIAIS LUZ &
TANAS