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Olá 'HEBE, PORTUGAL TE AMA" Sim, a Lei da Nacionalidade é importante mas, sem apoio
ao Associativismo Portugues no Estrangeiro e a Comunicaçao Social em Lingua
Portuguesa no Estrangeiro, a Lei da Nacionalidade se esvazia porque
não queremos netos APENAS usufruindo do direito de serem cidadãos
portugueses mas alheios as atividades associativas ou distanciados e
desinformados do que se passa em Portugal. |
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AGOSTINHO DA SILVA ARAUTO DE UM MUNDO EM EXPANSÃO
J. Jorge
Peralta I - UM PARADIGMA DO MUNDO
LUSÓFONO 1. Agostinho da Silva, na sua visão
profética e dinâmica da história, sonhou sempre com um mundo melhor para todos.
Foi um homem apaixonado pela vida;
um cidadão do mundo. É um marco cultural da
segunda metade do século XX. Nasceu no Porto, em 1906, e morreu em Lisboa, em
1994. Foi um
português da estirpe dos grandes construtores da nacionalidade e dos grandes
descobridores do mundo; Foi um bandeirante, no arrojo e na ousadia de
suas ideias, e na competência e
coragem de praticá-las. Foi um grande inspirador e um exímio obreiro da
lusofonia. Foi um homem plural, como Fernando Pessoa. Via
a essência do ser português. Personificou a alma lusa. Agostinho da Silva foi,
como Pessoa, um indisciplinador de
almas, um decifrador de enigmas, um
provocador de pessoas, para que elas
próprias achassem e construíssem o próprio caminho. Foi um dos
homens de maior destaque, no mundo da Língua Portuguesa, no século XX. Sua
contribuição à Lusofonia assumiu dimensões gigantescas, pelas perspectivas que
foi abrindo e pelo seu espírito genuinamente humanista. Foi um homem de um
pensamento sólido, múltiplo e
articulado. Atuou intensamente no Brasil, de 2. Foi descobrindo e difundindo as
grandes forças que regem os destinos
da humanidade, superando egoísmos e
desvendando dúvidas e inquietações.
Foi um homem notável, modesto e
discreto, movido por incontida determinação. Agostinho focou-se nas forças que impelem o espírito da lusitanidade: a identidade, com alteridade, articulada
com a cordialidade e a tolerância. Levou essa equação a todas as dimensões da vida.
Essa equação
possibilitou que os portugueses dessem novos mundos ao mundo, nos séculos XV, XVI
e XVII. Só o espírito
lusitano poderia viabilizar a imensa epopéia dos descobrimentos de novas terras e o
relacionamento cordial com novas gentes. O espírito dos descobrimentos é a
marca do povo português, que ainda
perdura. Foi a força motriz de Agostinho. Essas forças
ainda impulsionam os descobridores dos tempos modernos, pelos tempestuosos mares
interiores, numa perspectiva espiritualista. Agostinho foi
um homem de uma lucidez extraordinária: um visionário. Sentiu as dimensões
permanentes e ainda atuais das forças matriciais que levaram a cultura e a
língua portuguesa pelos quatro cantos do mundo, sentiu a força estupenda que
sustenta e impulsiona a Lusofonia, no contexto da
modernidade. Sem nostalgias,
ele procurava abrir novos caminhos
de esperança, pelo cultivo e defesa de valores do mais autêntico humanismo, superando
valores espúrios e mascarados. Foi um pensador
e um obreiro sagaz, construtor de Universidades e de Institutos de Pesquisa.
Abriu espaços para a sociedade crescer por dentro. Um homem que
creditava na vida e que irradiava vida e esperança, em todos que dele se
aproximavam. Um homem sem arrogância e sem vaidades vazias; um homem humilde que
sabia onde estava a grandeza da
pessoa humana: no seu caráter, na
sua generosidade e benquerença, sem hipocrisia e sem farisaísmos... Foi um homem
de portas e coração aberto para todos. Diziam que ele
tinha um coração maior que o
mundo. Diz
Agostinho: “Temos de aprender duas coisas:
Aprender quão extraordinário é o
mundo e aprender a ser bastante largo, por dentro,
para o mundo todo poder
entrar”[1] Agostinho foi
um homem de grande visão; acreditava
na educação séria, como o caminho para superar a miséria e
as mazelas sociais. Na perspectiva em que coloca seu
pensamento, seus sentimentos e sua ação, Agostinho comporta-se como um homem universal. Atrai, a si, pessoas
de todas as filosofias, ou atitudes políticas. Todos o ouvem, com atenção e
receptivamente. Assim é até hoje, e será por muito tempo. Personificou o
espírito da Lusofonia. 4. Agostinho foi uma pessoa afirmativa e
positiva. Como Sócrates, não dava soluções: ensinava
as pessoas a encontrá-las; provocava; inquietava e mostrava caminhos. Apontava,
mas não fazia caminhos para ninguém. Respeitava a liberdade e a competência de
cada um. Assim as
pessoas cresciam pelo próprio mérito, e conseguiam forças para crescer mais.
Agostinho não dava o peixe a quem tinha fome, a não ser excepcionalmente; dava o
anzol e ensinava a pescar. Foi um criador de pessoas livres e
altruístas. Em toda a sua
vida, Agostinho foi um homem sincero, coerente e leal a seus princípios
humanísticos. Foi um amante da liberdade. Ele é uma mensagem viva. Nele o saber
e o fazer, o pensar e o querer estavam plenamente articulados.
Foi um educador (ex-ducator = tirar de
dentro). Nunca quis fazer discípulos. Quis um mundo de pessoas livres. Por isso
dizemos que Agostinho é um arauto de um
mundo melhor, um paradigma da
Lusofonia. II – PERFIL DE UM HOMEM
REALIZADOR 5. Agostinho foi um homem dedicado, competente e
empreendedor. Foi um homem
determinado e de grandes ideais. De
tão simples, sua atuação e a sua vida, nada tinham, na aparência, que revelasse
nele mais que um homem comum. Nele, nada segue os códigos de grandes feitos
espetaculares, cinematográficos, com apelo a “efeitos especiais”, irreais, a que nos acostumamos no nosso mundo mediático, onde vale mais o que parece e aparece do que a essência do
que se é. Por fora foi
sempre um típico homem simples, cordial e generoso. Por dentro teve uma alma de
gigante. Agostinho foi
um extraordinário homem comum. 6. Pertenceu a uma geração que deu ao
mundo, em nosso meio, grandes sábios, com idênticas marcas. Aqui destacamos:
Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Guerra Junqueiro, Antero de Quental e Fernando Pessoa. Como Agostinho, todos
cultivaram idênticos ideais humanistas, altruístas e lusófonas, em perspectivas
plurais e universais. São pessoas
que somam e multiplicam forças, solidários nos princípios matriciais que
os inspiram. Na Espanha
destacamos Miguel de Unamuno e
Ortega y Gasset, muito bem
relacionados com Portugal. Desta estirpe
encontramos, pelo país, milhares de
Pessoas. Elas se distinguiram
pela genialidade, que os fez Paradigmas; por uma vida dedicada ao
bem-comum e por um espírito de sinceridade, simplicidade e entusiasmo.
Caracteriza-os uma visão franciscana da
vida e do mundo e um pensamento
sólido, profundo, consistente e ousado, numa religião para além das igrejas, com
liberdade interior. “Para essa
“geração”, São Francisco é o São Paulo de uma nova igreja dos simples, diz
Eduardo Lourenço. Eram pessoas de espírito socrático: sábio, altruísta,
simples e desprendido. Eram pessoas de altos ideais, como o Cristo do Evangelho,
voltados ao bem comum... Pensar em
Agostinho, é, um pouco, sentir uma sombra de São Francisco de Assis , passando
lépido, com seu bordão... Sempre
peregrinando por um mundo a descobrir e a reconstruir. Pensou em
perspectivas universais, onde cabem todas as contribuições, sem
discriminação. Foi um homem
que acreditou que é possível
construir um mundo melhor. Olhou o mundo
como algo, em permanente processo de construção e reconstrução: algo sempre a
haver, ao abrir-se para novas perspectivas dinâmicas. Foi um homem de pensamento e um homem de ação; um pensador consistente e um realizador coerente. Pensar, querer e
realizar era sua plataforma de atuação. Foi um homem da
terra e um homem do espírito, do mundo das ideias e da ação transformadora. Foi
um filósofo comprometido com a vida das pessoas e do universo. Agostinho
dialogou desinibido, com o mundo dos homens, com mundo das ideias e com o mundo do
Espírito. 7. Agostinho foi um homem aberto a
tudo: aberto para a vida, para as
energias do universo, que nele se integram por todos os sentidos: pela visão,
pela audição, pelo tato, pelo olfato e sabor, e todos os mais que
houver. Dentro dele, de
seu espírito, de sua alma, havia lugar para tudo e para todos. O que tinha:
(saber, sabedoria e até seus bens), tudo repartia e compartilhava. Amava e cultivava a
vida. A sua visão do outro, da alteridade, integrava-se no seu ser, na
sua identidade. Vivia para o
“outro”. Foi um educador pleno. Um ser humano pleno, um homem cativante, por
suas ideias, modo de vida e visão de mundo. Foi um homem de
pensamento e de ação: um construtor;
um transformador de vidas, um iluminador de caminhos. Foi luz, onde passou.
Para levar a teoria, à prática, foi um
criador de universidades e um exímio professor. Foi um homem cheio de vida, e se realizou na convivência ativa e dinâmica. Nada lhe
faltava, porque tudo repartia... Isto parece paradoxal, mas, nele, é bem real. Foi o típico homem
consciente: o cidadão do mundo. Foi um homem
sem máscaras. Por isso as pessoas não tinham receio de a ele se dirigirem, como quem se
dirige a um amigo, sempre de portas abertas. Dentro do espírito lusitano, que era sua força
matricial, foi um homem de perspectivas universais III – ABRINDO CAMINHOS – REFLEXÃO E
AÇÃO 8. Nasceu em 1906, no Porto... Em 1944,
com 38 anos, emigra para o Brasil, para prosseguir a sua obra, buscando novas
oportunidades. Teve-as. Do Brasil
descobriu melhor a alma e a força
profunda de Portugal. Aqui, a sua
vida toma novas dimensões e novos rumos. Aqui, Agostinho
da Silva pôde realizar suas perspectivas
universais, da vida e da mente típica portuguesa, sempre aberta a novas
descobertas. Sua
personalidade de pensador, místico e mestre encontra aqui um campo fértil.
Sua missão de professor e seu humanismo e dedicação às grandes causas da
humanidade, sem distinção de classe ou de nível sócio-cultural, aqui germinaram.
O espírito brasileiro combina muito
bem e enriquece e dinamiza o espírito lusitano. Do Brasil vê-se
melhor Portugal e toda a força da Lusofonia. Para ele, a
unidade e a soberania de Portugal é essencial. Por isso, manda um recado claro e
veemente: “Nunca mais se deve falar na questão de unir
a Espanha e Portugal”. A visão
universal e planetária de Portugal,
poderá levar os dois países ibérico a olharem-se mutuamente como “outro”, numa relação criadora de
identidade e alteridade. Foi um Semeador. Quem dele precisou foi
atendido. Semeou para as próximas
gerações colherem. Semeou rabanetes
para as próximas refeições e semeou
jacarandá para as futuras gerações. Sua vontade e
disposição para o trabalho, para
servir o país de adoção, fizeram dele, como diz Eduardo
Lourenço: “o homem dos sete ofícios, profeta, pedagogo, sábio, naturalista (...)
um pólo de vida ativamente
contemplativa[2]”. Fez amigos, por
toda a parte onde atuou, de Norte a Sul do país. Em tudo o que pôs as mãos e o seu ideal, agiu como fermento transformador.
Onde esteve,
fez a diferença, ajudando a abrir novas
perspectivas e novos rumos às
pessoas e às instituições onde
atuou. Este homem extraordinário, além de professor e foi um pai de família. Com esta repartia também a sua vida, a sua sabedoria e a sua
generosidade. 9. Uma das marcas deixadas por
Agostinho foi seu carinho pela cultura
portuguesa e pelo mundo
lusófono. Ajudou a formar
Centros de Estudos Portugueses, em
diversas universidades Em 1959, funda
o Centro de Estudos Africanos e Orientais, na Universidade Federal da
Bahia. Uma instituição inovadora, revolucionária, dentro do espírito de Gilberto Freire: visão de um País e de
uma lusofonia multiracial e
plural. Com isto Agostinho deu
sequência aos trabalhos pioneiros
de Gilberto Freire e Nina Rodrigues, valorizando e fazendo
justiça às ricas contribuições que os negros trouxeram à cultura do Brasil [3] Começa aqui a
pôr em prática o sentido plural da
lusofonia. Quis mostrar a necessidade de se dedicar mais aos Estudos Africanos, por sua presença marcante da Lusofonia.
Deu destaque à
vertente africana da lusofonia.
Abriu um portal de amplas perspectivas. Agostinho foi
um espírito de convergência. Ia
abrindo novos espaços que expandiam e articulavam as suas
ideias matriciais, dando-lhes novos horizontes, multiplicando-se. Nunca se
dispersou. 10. Em 1963, visita o Japão, Macau e Timor, com bolsa da
UNESCO. De volta a
Portugal (1975) visita a Galiza. Em 1987, visita
Olivença, onde deixou marcas de seu
gênio e de sua generosidade. Em 1988,
visitou Moçambique.
Com sua
atividade múltipla e pelo Espírito de
União dos Povos Lusófonos, com que sempre trabalhou, Agostinho lançou as sementes férteis da Lusofonia pluricontinental, em
perspectivas universais, na
perspectiva do Quinto Império, sob as luzes do Divino Espírito Santo, Agostinho
deu novas e amplas perspectivas à Lusofonia Mundial. 11. Agostinho foi o verdadeiro
inspirador da criação da CPLP: a
união de povos soberanos: unir-se para crescer e prosperar, nas dimensões
materiais e espirituais. O objetivo
era: Unir-se para superar o subdesenvolvimento e as decorrentes
chagas sociais e as chagas da guerra civil. Unir-se para
superar antagonismos, aceitando a
diversidade. Unir-se para
reencontrar-se com o progresso,
consigo mesmo e com os seus amigos. Unir-se para
dar uma educação melhor a todo o povo. Unir-se para,
juntos, construirmos um futuro melhor, sem abdicar da
liberdade. Unir-se para
produzir mais alimentos e mais riquezas para a nação e emprego, para todos
poderem alimentar-se e alimentar suas famílias. Unir-se para
construir uma nação próspera, com o bem-estar do povo. Unir-se para
saber ir além do progresso material, superando e ultrapassando o economicismo capitalista, cultivando
os valores humanos e o bem-estar de todos. Agostinho deu
contribuição destacada às ideias
matriciais da Lusofonia, em toda a sua amplitude e
complexidade. Agostinho ajudou a dar unidade ao mundo da
Lusofonia, dando a cada povo o seu
valor, sem discriminações. Semeou o espírito da confraternização. Fez o que
todos podem fazer, se quiserem... Somou suas
ideias e sua ação, às ideias e
ações de milhares de outras pessoas inspiradas, que germinam nas terras férteis
da Lusofonia, dando-lhes novas forças. Suas ideias não se caracterizam pelo ineditismo, mas pela
operacionalização e articulação de novas forças, e pelo espírito que as
fecundou. Ele faz acontecer. Sua visão de
mundo passa pela confraternização de
todos os povos, com a instauração do quinto Império Espiritual, na busca de
um mundo com mais justiça, generosidade, prosperidade material e espiritual e
mais paz. Por estes
posicionamentos de Agostinho, dizemos que ele foi um “arauto de um mundo em
expansão”, preconizando uma nova era da
humanidade. J. J. Peralta |
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PADRES A MENOS E PASTORES A
MAIS Celibato – Ontem uma Bênção – Hoje um
Problema (1) António Justo A Igreja Católica conta com 1.131.000.000
católicos no mundo e dispõe de 407.262 padres e de 815.237 membros de ordens
religiosas (estatísticas de 2008). As comunidades cada vez contam com menos
padres. A frequência dominical diminui também. Enquanto na Polónia 40% da
população vai regularmente à missa, na Alemanha, dos 25,461 milhões de católicos
só frequentam regularmente a missa dominical 17%, isto é 3,492 milhões
(estatísticas de 2008). Pelo contrário, a Igreja Evangélica, onde não
há obrigatoriedade de celibato para os seus pastores, vê-se obrigada a dividir
um tempo inteiro de pároco por dois pastores, com meio tempo para cada um,
pelo facto de ter pastores e pastoras em superabundância. A Igreja Católica, por
seu lado, encontra-se numa situação desesperada de luta com a falta de
padres. As Igrejas ortodoxas russa e gregas, nas quais
os padres se podem casar, não têm problemas de formação e angariação de padres.
Tradicionalmente as famílias de padres fornecem também novos padres. Os bispos
são recrutados, geralmente, das ordens religiosas. Em Portugal conta com 81,10 % de católicos.
Segundo a Agência Ecclesia, em 2006 havia 2.894 padres distribuídos por 21
dioceses em 4.366 paróquias. Por cada dois padres que morrem é ordenado um. A
Igreja, para responder ao problema organiza “Unidades Pastorais” com equipas de
sacerdotes responsáveis por várias paróquias; além disso recorre à formação de
diáconos casados. Até ao século XX, a obrigação do celibato
para os párocos revelou-se como medida inteligente, na Igreja
Católica. Duma maneira geral, a Europa era constituída
por uma sociedade de classes, fechadas em si mesmas. O povo não tinha acesso às
classes superiores nem à cultura das elites, não podendo, por isso, assumir
lugares de responsabilidade pública. As grandes famílias distribuíam o poder
(postos) entre elas. O sacerdócio celibatário impedia a concentração do poder
eclesiástico em famílias tendo sido, ao mesmo tempo, um elemento democrático no
meio do clero, da nobreza e da burguesia. A extensão da obrigação celibatária das ordens
(clero regular) às paróquias (clero secular) possibilitou uma solidariedade
entre elites e povo. O padre, que, geralmente, provinha das classes populares
tinha hipótese de subir e fazer parte do alto clero. A sua presença contesta a
prática secular das grandes famílias nobres/burguesas e possibilita a subida da
classe desfavorecida aos postos superiores da sociedade eclesiástica, impedindo
que se formasse uma oligarquia sem base popular. O povo, através do
sacerdócio, trazia sangue novo e renovador à oligarquia da Igreja,
solidarizando-a com o povo. Aqueles que não aguentavam com o jugo do celibato e
abandonavam o seminário ou o cargo, provindos embora do povo, passavam para a
sociedade secular onde ocupavam cargos relevantes e deste modo assumiam também
uma presença popular nela. Quando se fala de padres e de celibato é
necessário distinguir entre os celibatários por vocação, (membros de ordens e
congregações religiosas) e os celibatários por encargo aos quais a legislação
eclesiástica impõe o celibato como condição de acesso ao exercício da
missão sacerdotal paroquial. O celibato para os párocos foi tornado obrigatório
pela Igreja Católica na idade média. A Igreja Ortodoxa não aderiu a esta medida
disciplinar. Apenas exige o celibato aos bispos. A ligação do exercício do
sacerdócio ao celibato não tem fundamento bíblico. Pelo contrário, a Bíblia
opõe-se ao ascetismo exagerado e à proibição do casamento aos padres (cf.
1Tim3,1-13 e 4, 1-5). Entretanto o celibato tornou-se no principal
factor impedidor da abundância de padres. O benefício que o celibato traz para a
estratégia administrativa é adquirido contra a integração cultural e estrutural
do cristianismo nas estruturas seculares. Uma mentalidade fechada e ingénua tem
levado as elites da administração eclesiástica a adiar o problema em detrimento
da Ecclesia semper reformanda e da integração religiosa nas estruturas
culturais. A estruturação da sociedade hodierna exige não só novas medidas em
relação ao clero mas também uma nova estratégia de presença cristã nas
sociedades. A sua nova reestruturação não pode ser feita apenas para dar
resposta à falta de padres. O papel dos leigos numa comunidade viva consciente e
activa não pode esquecer a importância do testemunho de vida e missão na
sociedade em que estão inseridos. Clericalismo e anti-clericalismo são sintomas de Sociedades
desintegrada Nas sociedades nórdicas, a influência dos
pastores casados e suas famílias está muito presente a nível cultural e
político-social nas nações. O seu contributo cultural para a sociedade secular
faz lembrar o contributo cultural de alto nível dos judeus, no seio dos povos
onde se encontram inseridos. É importante constatar-se que, nos povos nórdicos,
não há o anti-clericalismo que se encontra em países latinos. Isto tem a ver
naturalmente com a integração social e o relevo cultural dados pelas famílias
dos padres evangélicos às nações. É frequente ouvir-se políticos tomar posição
em público fundamentada em princípios cristãos e isto tanto em partidos de
esquerda como de direita. Nas nações latinas, tradicionalmente de maioria
católica, os padres também contribuíram muito para a cultura secular dos países;
faltou-lhes porém a disputa com a vida concreta do dia a dia, o enraizamento
familiar e a consequente influência. O povo nas sociedades latinas são mais
indiferentes e mais dependentes da opinião momentânea do que os povos das nações
nórdicas. Os filhos dos pastores evangélicos foram muitas vezes pioneiros a
nível de cultura e movimentação política crítica, integrando-se nas mais
diversas expressões da arte, da ciência e da religião. Deste modo a Igreja
torna-se indirectamente a guardiã do progresso e ao mesmo tempo a defensora de
valores tradicionais e humanos. Clericalismo e anti-clericalismo são fenómenos
doentios de sociedades mais desintegradas. Cidadãos e crentes têm que suportar as
estruturas e suportar-se a si também! © António da Cunha Duarte
Justo |
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O PODER POLVO DO NOVO
OLIMPO
Primado da praxis e da
pessoa António Justo A secularização da sociedade deu um grande
contributo para o desenvolvimento social. Igrejas e museus têm vivido lado a
lado. Mundo religioso e secular, povo e burguesia, embora em tensão, viviam sob
o mesmo teto cultural. Com o acentuar-se da União Europeia e do
Globalismo, os antigos deuses europeus estão de volta e vingam-se contra o
monoteísmo cristão. Esta religião que se afirmou na luta contra a adoração do
Imperador e na defesa dos escravos e explorados parece tornar-se em estorvo para
os deuses do novo Olimpo em construção. As novas elites querem recolher-se ao
Olimpo para não se misturarem com o povo. A ética e moral, ligada à religião, ao
dar voz aos interesses dos mais fracos, com os seus parâmetros éticos e morais,
dá muita consistência à base da pirâmide social, o que não agrada aos que querem
ter um proletariado de fácil manobra. Por isso o poder anónimo e desenraizado
que se instala por todo o lado está interessado em destruir a identidade das
pessoas e aquelas estruturas que as defendem a pessoa, pelo facto da divindade
fazer parte da pessoa. Com o processo de democratização do ensino a
camada pobre já tem acesso aos lugares dominantes/dominadores da sociedade. Sobe
através de sindicatos, partidos, administrações e superstruturas que
imperceptivelmente dirigem a vontade e o sentir social. O poder de ontem
encontra-se hoje camuflado e opera eficazmente sob o nimbo democrático. Como o
polvo tem muitos braços que permitem um processo de filtração na selecção
“democrática”dos seus melhores servidores. O poder polvo tem a capacidade de
determinar o pensar e sentir do povo de dia para dia através duma opinião
publicada nebulosa que o torna invisível e inimigo do Homem. Por isso os amigos
do Homem e da democracia, independentemente do seu colorido, têm de mudar a sua
estratégia, na sua maneira de estar presentes na sociedade. A Igreja,
vocacionada a defender o povo, a dar voz aos que não têm voz deveria estar
atenta ao momento histórico que atravessamos, que por razões de reorganização em
super-potências e de globalização pretendem reduzir a pessoa a mero indivíduo e
este a mercadoria. As novas elites querem um indivíduo
cata-vento. Hoje, a lei do celibato, especialmente na
Europa e nos Estados Unidos, prejudica imensamente a acção da Igreja. A
realidade social, através da democratização, mudou-se e o sentido e vias de
solidariedade também. A presença cristã no mundo institucional e público precisa
duma nova dinâmica. Na sociedade tradicional a aura social estava
hierarquicamente estruturada de cima para baixo pelo que a presença eclesial
reflectia esta mentalidade com a correspondente presença em lugares relevantes
da pirâmide; hoje, que vivemos em tempos de democracia nominal, de poder polvo,
a sua presença tem que partir da base da pirâmide, para se tornar presente nos
diferentes biótopos sociais e institucionais. A função de solidariedade e de intercâmbio
social do padre deixou de ter prestígio, nas sociedades secularizadas. Por outro
lado as exigências do presente, em relação à pastoral, não se limitam à
consciência e ao testemunho de castidade do padre, embora nos encontremos numa
sociedade sexista já em estado neurótico. Numa altura em que as famílias
partidárias procuram assumir, na sociedade democrática, o papel das famílias
relevantes burguesas e nobres, da sociedade antiga, lutando, por isso, contra a
família tradicional, torna-se importante enobrecer o estatuto da família
tradicional e fortalecer o surgir de famílias coesas cristãs e instigá-las a
manifestarem a sua presença nos diferentes ramos da política e da
sociedade. A presença cristã necessita duma nova
estratégia. Não chega ser-se inteligente; num mundo de espertos exige-se também
esperteza. A crise sacerdotal dá a oportunidade à Igreja de se antecipar aos
acontecimentos para não ser levada na enxurrada. A paróquia não pode continuar
no comodismo fácil de ter um padre livre de tudo para se encontrar à disposição
de toda a gente a toda a hora. Isto é egoísmo muito embora os padres que exercem
a função com alegria sejam uma bênção para as pessoas com quem contactam.
Não chega já a inteligência racional, é
necessária também a inteligência emotiva. Torna-se óbvio, a nível de Igreja, o
fomento de famílias testemunho, comunidades de vida, que vivam a caridade, a
liberdade e o amor ao próximo em contrastante com as ideologias seculares que
seguem uma estratégia de instalar os seus multiplicadores não só nas estruturas
do Estado e implicitamente nas estruturas sociais da igreja. A realidade da
família e correspondente investimento nela é a estratégia e oportunidade nobre e
duradoura que a Igreja tem para se tornar presente a nível social na estrutura
do estado moderno. Este aposta na destruição da família e no fomento das grandes
famílias (estruturas) partidárias. A influência e participação na vida pública
dão-se hoje, principalmente, através da vida partidária, que se apoderou das
estruturas do Estado e é, muitas vezes, orientada pela ideologia e pelo dogma
dum pragmatismo factual à margem do povo. Uma função da Igreja actual seria
mitigar e humanizar aquelas estruturas participando activamente nelas. Não se
trata de ter políticos que defendam os interesses dos cristãos mas de ter
cristãos na política que a humanizem e defendam a pessoa, os interesses do povo
que comunga do ser pessoa. Para isso não pode continuar a considerar-se o
matrimónio como concorrente da ordem sacerdotal ou mesmo inferior a ela. Se
antigamente era importante o exemplo institucional hoje é importante o
testemunho de vida integrada. A hierarquia precisa de se integrar na vida
familiar, social e política de maneira directa e não apenas representativa.
Também a instituição está chamada a responder ao apelo. Não existe uma norma
normans mas uma norma normata. Na há nada definitivo. A cristologia aponta para
o primado da praxis e da pessoa. © António da Cunha Duarte Justo |
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DIA
17 DE MARÇO
– A EMIGRAÇÃO NO PARLAMENTO Está agendada para o dia 17 de março a votação no Parlamento de três projectos de lei do PSD referentes à emigração: sobre a alteração da Lei da Nacionalidade para a concessão da nacionalidade aos nossos netos, outro sobre o apoio ao Associativismo Português no Estrangeiro e, também, um projecto de lei referente ao Apoio à Comunicação Social em Língua Portuguesa no Estrangeiro. Em que pese a importância de todos esses projectos, sem qualquer dúvida, o mais representativo é o que versa sobre a Lei da Nacionalidade. O projecto propõe que os nossos netos tenham direito à nacionalidade originária em vez de poderem requerer a naturalização, conforme ocorre actualmente. Na prática, o que mudará é que os nossos netos poderão solicitar a nacionalidade e transmiti-la aos seus filhos sem restrição (a naturalização impõe restrições nesse sentido). Assim, caso haja a alteração proposta pelo PSD, não haverá ampliação do direito à nacionalidade aos nossos netos, que já possuem essa prerrogativa, sendo alterado somente a forma pela qual eles terão esse direito. Entretanto, em verdade a RELEVÂNCIA MAIOR DESSE PROJECTO está em seu valor. O que precisa ser ressaltado é que a aprovação desse projecto representará uma nova visão dos nossos deputados em relação à emigração, nomeadamente ao que tange aos parlamentares do PS. Os socialistas ao longo dos últimos anos tratam os emigrantes como portugueses de segunda, como um grupo que se mostra como “um peso, um fardo” para o Estado, e não como algo positivo para o País. Com a aprovação deste projecto, demonstrar-se-á a efectiva vontade de fortalecimento das comunidades no estrangeiro. Nós somos os responsáveis pela difusão da língua, cultura, costumes e história portuguesa pelo mundo. Nossos filhos e netos recebem de nós esses mesmos valores com os quais passam a comungar, sendo, portanto, portugueses. Nossos parlamentares precisam deixar manifesto de uma vez por todas que ser português é algo mais do que simplesmente nascer em Portugal ou residir no país e adquirir a nacionalidade, pois isso qualquer um pode fazer. Ser português é comungar de certos valores e sentimentos que não dependem do lugar de nascimento, é ouvir o hino nacional é sentir um algo a mais, sentimento este que está em todos nós emigrantes e em nossos filhos e netos. Em suma, reconhecer nossos netos com portugueses de origem significa reconhecer toda a grandeza da nossa emigração e a importante função que nós exercemos no estrangeiro, como verdadeiros embaixadores de Portugal. Diante de todo o exposto, estou certo de que os socialistas, ao aprovarem este projecto do PSD, estarão A TER UM NOVO OLHAR SOBRE A DIÁSPORA, deixando sua visão preconceituosa e tacanha para trás, de modo a enxergar-nos como o rosto de Portugal no estrangeiro e a nossos descendentes como as sementes que um dia serão este semblante. É evidente que o projecto do PSD visa corrigir uma imensa injustiça que há em nossa legislação, em que um neto cujos pais estão vivos é português de origem, mas um neto cujos pais estão mortos é um português naturalizado, mas a principal alteração que esse projecto está prestes a concretizar é uma nova visão acerca da emigração, que espera sentir-se valorizada e bem quista pelo País a que tanto ama, e não marginalizada como tem sido por este Governo. No dia 17 de março, quando os deputados forem votar o mencionado projecto de lei, caso algum parlamentar se oponha à emigração, basta perguntar-lhe: se vosso neto fosse nascido no estrangeiro gostava que ele não fosse português? Tenho certeza de que não. Aliás, basta evocar nosso HINO, que ele nos dá a resposta, vez que Portugal é a pátria dos nosso egrégios AVÓS (é o único hino nacional do mundo cantado aos netos). Então, caros concidadãos, até o DIA 17 DE MARÇO – o DIA “D” da emigração no Parlamento. Forte abraço a todos, Carlos Queirós. |
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O ANIVERSÁRIO 207 DO COLÉGIO MILITAR “Um por todos e todos por um” Divisa do Colégio Militar
Em 27 e 28 de Fevereiro comemoraram-se as 207 primaveras do segundo estabelecimento de ensino mais antigo do país, que ainda lecciona ( o primeiro é a Universidade de Coimbra): o Colégio Militar (CM). Ou seja, o Colégio é uma verdadeira instituição nacional, que as vicissitudes históricas nunca abalaram; com provas dadas, qualidade de ensino, formação global do ser individual, com muita gente famosa lá formada e tradições sedimentadas. É uma escola de liderança e patriotismo, de valores e de exigência. Tudo isto gerou um espírito positivo que irmana sobretudo todos os alunos que o frequentaram mas, também, oficiais, professores, funcionários civis e familiares. Aliás, tal facto ficou bem demonstrado na cerimónia militar nos claustros, quando três funcionários civis com dezenas de anos de casa, foram chamados para receberem uma placa assinalando a sua aposentação e foram festivamente saudados por grupos de ex-alunos presentes. Os eventos múltiplos e variados (sem equivalência também em nenhum outro estabelecimento de ensino secundário), decorrem de um modo algo alucinante, no fim de semana mais próximo da data da fundação – 3 de Março de 1803. É o ponto alto do ano escolar de um ciclo que se repete sem solução de continuidade. Destacam-se as cerimónias militares que se distinguem pelo brilho e pelo garbo com que o batalhão colegial se comporta, imperturbável à fúria dos elementos e ao que se passa à sua volta, evoluindo com o cerimonial e manejo de arma mais difícil de todas as Forças Armadas Portuguesas, como se de verdadeiros veteranos se tratassem. Tenho assistido a cerimónias idênticas em algumas unidades, que deveriam pôr os olhos nesta rapaziada… Bom discurso, o do Director do Colégio, com substância, claro, sem salamaleques, com algumas mensagens e bem dito. Nele houve lugar também para o repúdio firme e com elegância dos ataques, por vezes soezes, surgidos na comunicação social há alguns meses atrás. Dois pequenos “senão”, todavia.É pena que a cerimónia de guarda de honra à entidade que presidiu à cerimónia militar não se faça no exterior do edifício nos moldes das boas tradições militares. A Instituição Militar não tem que ter vergonha de se mostrar publicamente. O “incómodo” causado ao trânsito é mínimo e mesmo que não fosse, teriam que se sacrificar pois valores mais altos se levantam! O segundo ponto tem a ver com o facto de haver alguns civis presentes nas cerimónias militares que não se descobriram e, ou, tomaram uma atitude respeitosa quando toca o hino ou passa o estandarte nacional. Vão ter que ser os alunos a ensinar os seus familiares… E, de facto, entre as muitas vantagens e mais valias que o ensino e educação de tipo integral e completo que se ministra no CM, devemos realçar aquilo que é conhecido como virtudes militares, o que representa uma base espiritual de nomeada. Como muito bem ensinou o General Ferreira Martins [1], nelas podemos distinguir a obediência e a disciplina, a subordinação e o respeito, a lealdade e o patriotismo, a fraternidade e dedicação; a solidariedade, camaradagem e espírito de corpo; a coragem, a bravura e intrepidez; a abnegação e a resignação; a generosidade na vitória e a paciência na adversidade; a honra e o valor. Mas, à frente de todas, destaca o General F.M., a Probidade, descrita como o “asseio da alma”. São virtudes como estas que aguentam uma família, uma instituição ou uma nação quando tudo parece ruir à nossa volta.E só entre homens e mulheres formados nestes valores, podem sair aqueles capazes de redimir as Pátrias, quando estas caem dolorosamente enfermas. Ensinar estas coisas representa uma responsabilidade acrescida, dado que os alunos estão numa idade em que a generosidade da juventude é mais impressionável pelos exemplos que lhe são dados contemplar. Quem puder deve vir, pois, visitar o CM e as suas festividades. Procurem entender o que se passa e porque se passa assim. Verão que é um estímulo para o corpo, retempero para o espírito e uma bênção para a alma. TCor/Pilav (Ref) [1] “As Virtudes Militares na Tradição Histórica de Portugal”, Tipografia da Liga dos Combatentes, Lisboa, 1944 |
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As Forças Armadas e a Ética Li , atentamente, várias páginas do semanário Sol
sobre as escutas telefónicas que envolvem figuras conhecidas dos meios políticos
e de empresas que movimentam grandes somas de capitais. Cheguei ao final com uma
verdadeira sensação de nojo. O nojo que se tem perante algo repugnante, porque,
de facto, são repugnantes todas as jogadas que se fizeram para conseguir calar
opiniões que pouco abonavam a favor do Governo.
Os velhos e eternos valores da verdade, da dignidade, da
frontalidade, do serviço público, do sacrifício pessoal, do
desinteresse, da coragem não fazem parte das mentes dos
intervenientes daquele jogo sujo que o semanário em questão deixa exposto para
todos lerem. Tudo neles é mesquinho, reles e insignificante. Fica posta a nu a
incompetência e a imoralidade dessa gente. E trata-se de gente que já passou por
cadeiras da grande sala do Poder. É gente que quis governar este país numa maior
ou menor quota-parte, usando o seu quinhão de influência para, afinal, se
governarem. A sua ideia de serviço não corresponde àquela que aos militares é
incutida, é ensinada e é treinada no dia-a-dia da vida da unidade. E note o
leitor o sentido ético que se atribui ao aquartelamento onde os militares vivem
e se aprontam para o cumprimento das suas obrigações: unidade! Unidade,
porque é isso que ali se inculca nos homens e mulheres: união que vai para além
de todos os interesses pessoais, que vai para além dos egoísmos, união que se
plasma no uniforme — outro indício que gera e explica a unidade, pois
obriga a uma única forma, a uma única maneira de aparecer perante a
sociedade civil.
Note o leitor o contraste entre o comportamento dos militares e o dos civis
que se querem arvorar em gestores da sociedade nacional, que desejam ser uma
classe política. Os primeiros optam por livremente seguir uma carreira de
riscos, mal remunerada — porque, como dizia Mouzinho de Albuquerque, não há
remuneração que pague a disposição para o sacrifício da própria vida —
socialmente bastante incompreendida em tempo de paz, com uma progressão difícil
e sujeita a avaliações constantes e, acima de tudo, exigente em treinos que
garantam a eficiência máxima se e quando for necessário; os segundos, jogando
com compadrios vários, à revelia de competência efectiva, sem terem de dar
maiores provas do que as que passam pela obediência às vontades e jogos de uma
clique partidária, propõem-se governar a Nação, ou seja, governar o que é o
património material, moral, histórico e cultural de todos nós. Qual é a escola
que estes frequentam? Quais os princípios éticos que devem cumprir? Perante que
código deontológico respondem quando falham?
Caros leitores, a distância que separa os militares da canalhada política é
imensa, abismal, infindável. Por isso, e cada vez mais, se deve, dentro dos
quartéis, cultivar os parâmetros do comportamento castrense, ensinando-os tanto
às praças como aos oficiais, exigindo de todos um rigoroso cumprimento das
normas deontológicas que pautam a actividade dos militares, porque — e é
importante que isto não seja esquecido — as Forças Armadas são o reservatório
moral da Nação, pois, quando tudo estiver em ruína na sociedade civil, terá de
restar intacto o valor ético das Forças Armadas e delas renascerá, sempre mais
forte e mais digno, o vigor desta Pátria velha de séculos, desta Pátria que se
não encolhe envergonhada perante o juízo da História que tem condenado e vai
condenar os políticos que não souberam preservar e transmitir um património que
as Forças Armadas lhes entregaram há mais de trinta anos para gerirem, servindo
todos e, em especial, os mais desfavorecidos. Neste momento, as Forças Armadas
têm de estar moralmente sãs e preparadas, e isso é incumbência indeclinável dos
Chefes militares.
Luís Alves de
Fraga |
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«conivências» e «encobrimentos mil...» De: José Saraiva de Carvalho Na comissão Parlamentar de Ética afirmei que todos os dados disponíveis apontam para que existe actualmente em Portugal não apenas «conivência» mas «encobrimento» do poder político por parte do poder judicial. E quando digo poder judicial refiro-me à cúpula da Justiça e não aos tribunais, aos juízes ou aos magistrados. Quais são esses sinais? Vou enumerá-los um a um, para que não haja dúvidas. Quando o SOL publicou a primeira notícia sobre o caso Freeport, o procurador-geral da República veio a público, no próprio dia, desmentir o jornal. O título da notícia, como o leitor se recordará, era Ingleses apontam o dedo a ministro português. Não dizíamos quem era o ministro e muito menos falávamos em José Sócrates. Mas o PS tocou a rebate – e Pinto Monteiro veio dizer que não havia qualquer carta das autoridades inglesas, nem qualquer suspeita sobre um membro «deste ou doutro Governo». Só que a notícia era totalmente verdadeira – e Pinto Monteiro teve depois de dar o dito por não dito.
Quando rebentou o caso Face Oculta, Pinto Monteiro disse ao semanário Expresso, em jeito de desabafo, que se fosse preciso punha as escutas cá fora, e assim dissipavam-se de uma vez por todas as suspeitas. É claro que Pinto Monteiro sabia muito bem que isso não era possível. E apenas o disse para transmitir a ideia de que, naquelas escutas, não havia nada de menos claro. Recorde-se que, uns dias depois, Armando Vara viria dizer mais ou menos a mesma coisa – solicitando autorização para divulgar as escutas em que ele intervinha, o que também não era legalmente exequível, como Vara estava farto de saber.
A divulgação das escutas, feita pelo SOL, teve o mérito de fazer cair as máscaras e pôr tudo em pratos limpos. Ficou claro que as conversas contêm dados muitíssimo comprometedores, não só sobre a existência de um plano para condicionar alguns órgãos de comunicação social mas sobre a enorme promiscuidade entre o Governo e empresas onde o Estado tem interesses. O negócio com Luís Figo é disso um lamentável exemplo.
Quando se viu desmentido pela publicação das primeiras escutas – que não eram irrelevantes, como afirmara –, Pinto Monteiro mudou de agulha e passou a dizer que não havia nelas indício de «nenhum crime». Dando de barato que o PGR tenha deliberado sobre isso sozinho, sem mandar abrir um inquérito, a sua opinião era tudo menos consensual. Ainda na semana passada, Diogo Freitas do Amaral escrevia: «O caso das escutas só é ‘meramente político’, como diz o PGR, porque este optou por uma concepção muito restritiva do conceito de ‘atentado ao Estado de Direito’».
Esta actuação do PGR veio recordar outro caso, que já estava meio esquecido: o problema do diploma. Também aí foi Pinto Monteiro a concluir, acedendo a uma solicitação de José Sócrates, que não houve qualquer irregularidade no modo como o primeiro-ministro obteve o diploma na Universidade Independente. Na altura, toda a gente aceitou como boa a conclusão de Pinto Monteiro. Mas agora, tendo conta a protecção que o PGR tem dado a Sócrates, também isso é passível de dúvidas.
A suspeita mais grave de todas não é, porém, nenhuma destas. A suspeita mais grave, que é muito difícil o procurador explicar, é a seguinte: ele sabe há muito tempo que os suspeitos foram avisados de que estavam sob escuta – e que, a partir de 24 de Junho de 2009, as conversas não merecem credibilidade. Pois bem: Pinto Monteiro, no despacho que fez sobre o caso, enfatiza especialmente uma escuta de 25 de Junho que ‘iliba’ o primeiro-ministro no caso da TVI – escuta essa em que se diz, pela boca de um boy (o impagável, embora bem pago, Rui Pedro Soares), que Sócrates não foi avisado do negócio e está contra ele. Para proteger o primeiro-ministro, o PGR valorizou, pois, uma conversa que sabe não merecer crédito (e que, com toda a probabilidade, foi forjada). É a história do gato escondido com o rabo de fora. Como irá Pinto Monteiro explicar isto – que parece constituir a prova definitiva de que agiu conscientemente para encobrir o chefe do Governo?
Ao ‘abafar' o caso do diploma, ao desmentir notícias do Freeport que depois se confirmaram, ao arquivar certidões do caso Face Oculta sem abrir inquérito, ao desvalorizar escutas que se provou serem relevantes, ao não encontrar quaisquer indícios de crime onde outros encontram, e sobretudo ao valorizar escutas que ele sabia não serem dignas de crédito, o procurador mostrou completa falta de independência. Pretendeu esconder, iludir, baralhar, desmentir informações, sempre com o mesmo objectivo: ilibar José Sócrates. Nestas condições, creio que o Presidente da República não tem já alternativa que não seja retirar a sua confiança ao procurador-geral da República. Pinto Monteiro deixou de ter junto dos portugueses a imagem de isenção e credibilidade necessárias ao exercício da sua elevada função.
Não quero acabar esta crónica sem uma nota sobre o presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Numa mesma noite – e num acto absolutamente inédito em termos nacionais e talvez mundiais, pelo menos em países democráticos –, Noronha Nascimento deu três entrevistas a três televisões. No essenciaI, o presidente do Supremo disse que, nas escutas a José Sócrates que ouviu, não havia nada de criminalmente relevante. Aquelas três entrevistas transmitidas quase em simultâneo, como se algo de muito grave tivesse sucedido em Portugal, tiveram como principal consequência a defesa do primeiro-ministro. E, dado o momento de tensão que se vivia, assumiram um inquestionável significado político. Ora, Noronha Nascimento tinha obrigação de ter pensado nisso. Se o fizesse, evitaria envolver-se na luta político-partidária que se vivia e vive. José Saraiva de Carvalho |
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TGV Lisboa/ Porto e Porto/
Vigo:
Três razões
porque fico preocupado com a decisão do Governo de adiar por uns anos a
construção das linhas de TGV Lisboa/ Porto e Porto/ Vigo:
1 – Por razões
politicas e estratégicas: - As várias linhas de TGV que já existem ou
estão a estão a ser feitas na Península Ibérica têm todas origem ou terminus em
Madrid. As duas que agora foram adiadas eram as primeiras aonde tal não
acontecia. A excessiva centralidade de Madrid e de Castela face a Lisboa, a
Portugal e às restantes Regiões Espanholas continua a acentuar – se, e a riqueza
produzida a ser centralizada em Madrid. Termos uma ligação directa à Europa em
alta velocidade sem passar e depender de Madrid ( a linha para Vigo teria
continuidade na Galiza até Corunha e daí até França, atravessando o País Basco)
é essencial para o nosso futuro e autonomia, no quadro da União
Europeia; 2 –
Por razões operacionais : - A linha do Norte está completamente saturada, não se
conseguindo bilhetes para os alfas ou inter – cidades de Sextas à tarde,
Sábados de manhã, Domingos à noite… Não é possível pôr mais carruagens nos
comboios devido às fortes inclinações existentes no trajecto e à potência das
máquinas existentes, nomeadamente nas encostas da Serra dos Candeeiros; não se
consegue aumentar o nº. de comboios às horas de ponta, face ao nº. de
composições que já circulam na linha, pois para além dos alfas e inter – cidades
há ainda os de mercadorias , os regionais, os suburbanos de Lisboa, Porto e
Coimbra… Só resta fazer nova linha, podendo esta ser tradicional ou de alta
velocidade. 3 – Por
razões económicas e financeiras – O sector c/ maiores e melhores perspectivas de
crescimento nas próximas décadas em Portugal é o Turismo. Mas para que tal
sucesso se concretize é preciso que os turistas cá cheguem… Com preços de
petróleo a crescerem sempre mais que a inflação, fenómeno que se acentuará à
medida que o petróleo começar a escassear e que os custos de extracção, em águas
cada vez mais profundas, for progressivamente aumentando, quem tiver o TGV
é que ganhará as correntes turísticas provindas do Norte da Europa. E a Espanha
já tem o TGV até Sevilha…
Para além do turismo o TGV poderá ser um importante factor de dinamização de
outros pólos económicos, desde a fabricação de material de transporte, ao
embaretecimento do custo de transporte de mercadorias a longa distância que
beneficiará áreas como o Porto de
Sines ou as exportações de sectores como o mobiliário, os
têxteis ou a cerâmica..
Na China Insular ( Taiwan ) a economia tem crescido sempre a taxas superiores a
10% desde que o TGV começou a ser instalado, acentuando – se as taxas de
crescimento com o início de circulação dos comboios de alta velocidade. Taiwan
tem uma superfície semelhante à de Portugal…
António Freire |
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A MULHER E O HOMEM A Dupla que Resolve J. Jorge
Peralta 1. O Dia Internacional da Mulher é uma bela
data a ser celebrada; como o é o Dia das Mães e até o Dia de
Natal. Como não existe o Dia
Internacional do Homem, eu começo a considerar que está data tem muito de uma celebração pouco
humana e muito capitalista. Celebramos, neste dia, as mulheres bonitas,
prendadas, esbeltas, estudadas “bem sucedidas”. Esquecemos os milhões de mulheres que dão duro estafante, dia após
dia, para garantir um teto e um
cômodo às vezes miserável, para dar aos seus filhos um mínimo de alimentação, de saúde e de educação. No seu dia a dia, tudo é
precário e incerto. Só não falha sua vontade invencível de conseguir, para os
seus, o melhor, por pior que seja... Quem delas se lembra, no mundo dos
humanos?! A celebração do Dia da Mulher não
atinge hoje, ao menos no Brasil, nem 20% das
mulheres. Faltam aí 80% das mulheres,
esquecidas e anônimas, que não têm menos dignidade... É, pois, uma data desnecessária,
ao menos aparente. Lembrâmo-nos de quem já é lembrado
e celebrado todos os dias. Até porque, em nossa sociedade, mulher bem formada,
bonita, esbelta e “bem sucedida”, já é bem celebrada, naturalmente, todos os
dias, ás vezes até a exaustão. A nova celebração anual, às vezes,
não passa de um ritual vazio, meramente formal, como obrigação e não como
carinho. 2. Na perda dos
valores grandiosos da pessoa humana, até as celebrações são mecanizadas e
monetarizadas. Penso então que o Dia da
Mulher deveria, em nosso
tempo, ser o “Dia da Mulher e do
Homem”. Assim juntos, como é a condição
humana. Somos teoricamente 50% de
homens e 50% de mulheres. 50%,
certo?! Esta é a condição humana, que não
podemos confundir. Hoje não sei quem está mais
deslocado de uma vida “normal”, se o homem ou a mulher. Nas sociedades tradicionais, dos
países lusófonos, excetuando, talvez os grandes centros urbanos, homens e
mulheres trabalharam sempre, lado a lado, cada um com a mesma responsabilidade, cada um
com a sua identidade. Com a ascensão da mulher ao estudo, ao mundo do
conhecimento, em vez de ser produzido o equilíbrio H/M, produziu-se um novo
desequilíbrio. Muitos homens, atendendo a apelos,
seduções e até futilidades exteriores
do mundo capitalista, vão sofregamente atrás do ter e das aparência transitórias, descartando o
ser e seus valores imateriais mais profundos e
perenes. São mais dispersivos. As mulheres, de modo geral, levam
a “vida” mais a sério: no estudo geralmente, destacam-se muito acima dos homens;
levam a vida mais a sério e são mais dedicadas, persistentes e responsáveis. São
mais focadas. Muitos homens estão “perdidos”, nesta sociedade complexa, e
vão sendo, socialmente “descartáveis”. Condição muito incômoda e frustrante.
Quem pensa nisso?! 3. Por isso eu apelo: Vamos tentar um novo equilíbrio Homem/Mulher. Vamos,
finalmente, equilibrar a condição humana, onde homens e
mulheres, como as mulheres e os homens, sintam-se, juntos, responsáveis pela
construção de um mundo mais saudável, mais equilibrado, mais justo, com mais dignidade e paz. Assim era nas
gerações passadas, e ainda é assim nas sociedades mais
simples. Há muito mais gente, além do mundo
urbano, que atrai atenção dos intelectuais. O mundo dos humanos é
constituído equilibradamente de
homens e mulheres. Vamos celebrá-lo
assim, sem inventar novos
desequilíbrios. Homens e Mulheres, respeitados em sua dignidade plena, diferentes um do outro, mas intercomplementares. Ambos
precisam ser educados para a dignidade e respeito mútuo,
competência, fraternidade,
dedicação, responsabilidade e generosidade. Na educação familiar, escolar e na
vida, cada ser humano deve ser educado para saber ser ele mesmo e pensar no
outro: - Aprender a ser, a conviver e a
compartilhar. - Aprender o espírito de mútua
cooperação. - Aprender a nunca desperdiçar os
próprios talentos, mas pô-los a serviço dos seus e da humanidade, com
competência e generosidade. Quando homens e mulheres forem
efetivamente conscientes de sua missão múltipla e multiforme na vida e na
sociedade, seremos então capazes de pôr
a dignidade no Poder. Teremos
então descoberto o caminho e as
pontes que nos levam a um mundo melhor, com mais alegria e bem-estar para
todos. (08.03.2010) J. Jorge
Peralta |
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“Caminheiro de Mim” Há dias assim. Deu-me no goto a canção de Ricardo Martins. Nem esperei pelo final, e muito menos pelas restantes, para agarrar no telemóvel e enviar o meu voto: 760207004. Mas pouca gente concordou. Nem sei que lugar alcançou. Nem interessava, pois só convinha o primeiro, merecedor do destaque na Eurovisão. “Caminheiro de mim”. Bonita letra, de uma imagística suave e simples e todavia com a dimensão de uma vida humana, nos seus sentimentos e anseios, casando-se com a universalidade dos elementos da natureza e da criação humana da sua metáfora. Uma toada condizente, não estridente, e necessariamente repetitiva nos seus grupos frásicos paralelos. “Venho (2)”, “trago (1)”, “sou (6)”, os verbos iniciais da sua ordem progressiva de pensamento - origem, acompanhamento, definição - daí os versos de “ser” abundarem, na procura de uma definição mais completa. A par disso, o acompanhamento ao piano pelo próprio autor e intérprete da canção, Ricardo Martins, o nosso Andrea Bocelli. Não ganhou, a minha canção preferida, preterida por muitas outras, e sobretudo por uma retorcida “Há dias assim”. Ouço-a pela Internet, donde tirei a letra. E aqui a apresento, em homenagem sentida a este jovem a quem auguro um excelente futuro na composição e interpretação musical portuguesa: Venho nas asas do vento Lá donde um lamento se torna maior. Quando no peito sofrido Se sente o gemido da palavra amor. Venho dum rio de pranto Que solta num canto todo o seu chorar, Corre do corpo p’r’à alma A nervosa calma de quem sabe amar. Trago do mar e da serra O segredo da Terra que me viu nascer Sou trovador num caminho Cantando sozinho em cada anoitecer. Sou a guitarra magoada Tangendo a toada que há no meu penar Sou serenata da lua Que brilha tão nua à luz do teu olhar. Sou o poema uma chama Que arde e que ama, que explode num ai Sou uma dor poderosa Cortante e teimosa que fica e não vai. Sou caminheiro de mim Vagueio sem fim até que o destino Coloque um ponto final No bem e no mal de ser peregrino. Berta Brás |
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A Pátria Rasgada
Minha Pátria ensanguentada
coberta pela traição pela cobardia
de energúmenos cobertos de traição
com sorrisos de milhões de euros
Andam pela praça pública vadia
saltitante de Soctretinos
envaidecidos
nos rastos de ouro engravatado
como galos de capoeira
Nas profundezas da podridão
ouvem-se uivos de fome
coros de ódio pelas ruas
cada vez mais enlameadas
Os grandes mestres estão em túmulos
gritando por uma nova Pátria
Os sussurros de Salazar
transvazam os rios
Temos que despertar desta cobardia
não ao voto de sangue
mas total ausência cremada
ou a uma nulidade total com
valentia.
Despertemos portugueses
ergamos a bandeira da honra
salvemos a dignidade dos nossos
heróis
pelo sorriso de um novo Camões.
Pedro Valdoy -
Portugal Março 2010
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ASIC (ajuda aos
coitados) GabrielCipriano.RiodeJaneiro A sigla desta nota refere-se à ajuda
que o Governo de Lisboa dá aos emigrantes em estado de penúria ou calamidade
financeira. Instituído pelo Governo Socialista,
no tempo de José Lello, Secretário
de Estado das Comunidades,que o colocou como uma das prioridades concedidas à emigração, já ganhou outros
pais e histórias de outra origem e vários matizes. A verdade, porém, deve ser
mantida e concluída, como sendo este o único bem, ganho de Lisboa pelos
viajantes desprotegidos. Em todos estes anos de loas,
promessas e arruaças que os candidatos do PSD usam para ganhar as eleições e
mostrar que são os verdadeiros protetores da grei, jogada ao relento por aí, os
socialistas não se importam com a
ingratidão e continuam prestigiando a turma que vota a esmo, sem avaliar
seus interesses mediáticos. Agora chegam boatos da extinção do
ASIC e também do adicional pago aos “embaixadores” titulares dos Consulados
Gerais do Rio de Janeiro,Toronto, São Paulo e outros. Uma benfeitoria criada
pelo ex-Premiê Santana Lopes que, na ânsia de agradar a seus pares, providenciou
essa “melhoria”, beneficiando amigos escolhidos para essas representações
diplomáticas. Feitas as contas seria uma
compensação contábil, tira aqui e tira ali, para as queixas perderem força,
ajustando despesas às possibilidades financeiras. Parece uma trapalhada e não
achamos sentido nela, porém, nossa gente vive nisso, inventa lá,
inventa cá e assim satisfaz o mórbido comportamento que a inveja lhes
sugere. Outra “laracha” em voga e que
incomoda os sensatos são as referencias aos lusos descendentes, que estariam
recenseando-se para votar na próxima eleição presidencial. Nesta, até
acreditamos,pois a falta de respeito próprio leva pais fervorosos aconselhar os
filhos a esse ato contrário à sua vontade. Aqui, entre nós, luso descendente lá
quer saber de política em Portugal.Que grande piada pronta.Ah, se o José Simão
da BAND sabe,vai ficar semanas nos abacalhando. E tem mais, foram nomeados os outros
CONSELHEIROS no Rio de Janeiro. Os fofoqueiros andam ansiosos e perguntam – vai
acabar o OUTRO ? Sim, cabe a pergunta, porque a comunidade já tinha um CONSELHO,
por sinal eleito com meia dúzia de votos e sem maior representatividade, porém,
este de agora, nomeado, simplesmente é ridículo. Ridiculão, como ridiculões são
os cavalheiros que, ansiosos também pela ribalta, aceitaram a
demanda. E, por fim, ainda temos de aturar o
palavreado da Líder Manuela, instigando a nação contra Sócrates, chamando-o de
mentiroso. Seu mandato termina amanhã, PSD faz congresso. Nele, se a turma escolher o radicalismo Rangel ou o cinismo Branco, vai para o buraco de vez. E esta história de acabar com ASIC, está parecendo o inicio da campanha presidencial. Sempre se antecipam nos confrontos eleitoreiros, porque são “sérios”, os outros não.
Do PortugalClub: "COITADOS" é o que "representam para o PS o POVO PORTUGUÊS em dificuldades.... Já os de melhor situação financeira, são "fascistas" são exploradores de negros, das ex colónias... Durma-se com um barulho destes...
Fábula domingueira É a versão grega do episódio da expulsão dos nossos pais bíblicos do paraíso edénico, a troco de muito sangue, suor e lágrimas, que o Jeová não era brando nos castigos. Esopo intitula a sua fábula de “Hermes e a Terra”: “Depois de ter modelado o homem e a mulher, Zeus ordenou a Hermes que os pusesse na Terra e lhes indicasse o sítio onde escavariam a sua gruta. Hermes cumpriu o seu dever, mas a Terra, no início, mostrou-se reticente e, como Hermes a intimasse a obedecer à ordem de Zeus: “Cavem, então, toda a terra que quiserem”, exclamou, “porque ma devolverão com muitas lágrimas e lamentos”. A fábula aplica-se a quem pede emprestado sem grande pejo, mas a custo paga a dívida”. Embora mais poética a criação do homem e da mulher no mito grego, ambos fruto de modelagem divina e não por extracção grotesca de um osso masculino na explicação bíblica da criação da subjugada Eva, o mito grego é mais desconcertante, metendo ao barulho uma Terra vingativa, sem que o pobre casal humano tenha sido chamado a decidir. Ao menos, na versão bíblica, o casal já se mostra responsável, creio mesmo que politizado, desobedecendo a ordens superiores, e revelando, na sua face oculta, um sentimento de vergonha e de receio pelas consequências do seu pecado. Mas enquanto a história bíblica se fica por aí, com a simples expulsão para a Idade de Ferro, como castigo definitivo, no caso de Esopo, pressente-se a continuidade da intriga e do suspense, ao fazer depender do casal a maior ou menor desfaçatez na ocupação do espaço Terra, com as consequências anunciadas. Não sei como foi nos tempos de antanho. Nos de ogano, penso que descendemos de preferência do mito grego, na constância da nossa vivência de débito sem pejo. Embora as lágrimas e os lamentos recaiam antes sobre as vítimas dele, não sobre os escavadores da terra. Berta Brás
Os Vestidos Curtos do
PS Hindus portugueses
residentes em Moçambique indignados com Embaixada de Portugal Maputo
(Canalmoz) – A “Embaixada de Portugal Insulta a Comunidade Indiana de
Mocambique”. É o título de uma nota de protesto enviada à nossa Redacção por
email, nota essa também enviada para endereços email de outros jornais.
Ontem
dia 2 de Março, Portugueses residentes em Mocambique da comunidade Hindu
levantaram o convite para o Almoço de Recepção com o Presidente José Socrates
que se realiza no dia 3 de Março, no Hotel Indy Village de Maputo”. Recebido de amigos Moçambicanos – Carlos
Soares-
RS |
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Sermão de Domingo
O
“MARQUÊS de POMBAL” no
FUNCHAL
(A catástrofe que não derrubou Alberto João
Jardim, antes pelo contrário) Caríssimas(os)
leitoras(es),
não aprecio, não gosto e não aprovo os métodos,
processos e ou artifícios normalmente usados pelos políticos, para se elegerem,
para se manterem no poder e para conquistar a simpatia e o voto dos eleitores
menos esclarecidos, pobres e ignorantes, e muito menos o modo como alguns lidam
com o grande capital, com a finalidade de conseguirem elevadas somas para as
campanhas eleitorais, e não só. Talvez por isso, a catástrofe de há duas semanas
na Ilha da Madeira tenha tido consequências agravadas, como resultado dos muitos
abusos, excessos e infracções cometidas pelos construtores, com a aquiescência
das autoridades responsáveis pelo Ordenamento do Território e ou pela
observância das regras que ao Meio Ambiente concernem, que – segundo relatos de
muitos meios de comunicação social – permitiram a ocupação abusiva e desordenada
de áreas de protecção ambiental, aqui incluídas encostas, bermas de ribeiras e
cursos de água e – pasme-se – até mesmo o próprio leito de algumas e ou alguns,
tendo sido referidos dois postos de gasolina que ocupavam e obstruíam o caminho
natural de córregos formados com as
chuvas. Todos sabemos da
ganância dos homens, em especial no caso dos construtores, os quais apenas
enxergam os locais onde possam erguer seus lucrativos edifícios, sem que
preocupações com a ecologia, a segurança dos moradores, a paisagem, a
permeabilização dos solos ou quaisquer outras “mesquinharias” das pessoas e
entidades que a Natureza defendem ocupem as suas mentes, irresponsabilidade e
abuso que agora se verificou terem trágicas consequências, não apenas sociais,
económicas e financeiras mas – o que é muito mais grave – humanas, porquanto, e
no caso da Madeira, milhares de criaturas muito sofreram com a catástrofe,
muitas dezenas foram seriamente feridas e cerca de meia centena foram
brutalmente arrancadas ao convívio de seus entes queridos. E é unânime a opinião
de que – se TODAS as obras
executadas no solo madeirense respeitassem as normas de protecção do solo, da
ecologia, da Natureza – a tragédia
não teria alcançado as dimensões que alcançou, em virtude de as águas poderem
seguir o seu curso normal, pelo menos em
parte. Como alguém dizia, na
Madeira, os pobres ficaram ainda mais pobres, talvez, dizemos nós, em virtude de
as autoridades terem autorizado –
ou fechado os olhos – à ocupação desordenada do solo madeirense que a
todos pertence, ao excesso de impermeabilização das superfícies e a outros
excessos conhecidos, dificultando o escoamento das águas, que desse modo
invadiram ruas e casas, praças e becos, quintais e subsolos, tudo destruindo na
sua passagem. E, aqui, não foram apenas os mais humildes a sofrer os prejuízos,
pois que ficaram destruídos três grandes shoppings, seriamente danificados até
mesmo hotéis de luxo e destruídas muitas vias de comunicação, como pontes,
viadutos, estradas e auto-estradas, danos que a todos atingiram e por todos
acabarão por ser suportados. Assim, os erros e abusos de uns poucos atingem e
castigam a todos, quando os lucros tinham sido privatizados e os prejuízos
acabaram sendo socializados. É A INJUSTIÇA DAS POLÍTICAS DE DISCRIMINAÇÃO, DAS
VANTAGENS E PREFERÊNCIAS CONCEDIDAS AO GRANDE CAPITAL, DAS BENESSES PARA COM OS
PARCEIROS DO ESTADO!!!. Entretanto, não podemos
deixar de ressaltar que – da
triste, pranteada e lamentável tragédia –
emergiu o lado positivo do Presidente do Governo Regional da Madeira, o
qual, à semelhança do grande Marquês de Pombal aquando da maior catástrofe, que
em toda a história atingiu Portugal (terramoto de 1755), assumiu determinada e
corajosamente o comando das “operações”, tratando de “enterrar os mortos e
cuidar dos vivos”, após o que lançou mão de TODOS OS MEIOS E RECURSOS AO SEU
ALCANCE, no sentido da limpeza e da reconstrução dos danos provocados, o que vem
fazendo com notável presteza e excepcional eficácia, a todos os títulos digno de
apoio e louvor. DESTE MODO, DÁ UM BELO EXEMPLO A TODOS OS POLÍTICOS PORTUGUESES,
DIGNO DE SER SEGUIDO NA NECESSÁRIA E URGENTE RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA, DAS
FINANÇAS E DO BRIO NACIONAIS.
Cordialmente,
JVerdasca |
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CONTINUA ARROGANTE O
Gabriel Cipriano
Sim!!!
Arrogante, desinformado e mal intencionado. Escreve pelo diz-que-disse, de seus
amigos socialistas; ele mesmo confessa. Arrogante, pois não é só você que sabe ler. Nós
também sabemos e sabemos interpretar. Suas palavras abaixo dizem o que realmente
nos indignou. Não me venha agora com “xurumelas” de que não quis dizer o que
disse. Peça desculpa a quem nunca lhe fez mal e fique calado o resto da vida
sobre a descolonização, os moradores e cidadãos que ali nasceram, sofreram
e sofrem na carne, assim como, psicologicamente, ainda por aquela
desgraça. Se eu estivesse ainda em Moçambique estaria na linha de frente. junto
com as outras família dizendo ao mentiroso Sócrates que me pagasse o que seus
amigos socialista me roubaram. Que me pagasse uma indenização por danos
materiais e principalmente por danos morais , que ficaríamos quites. Aqui
não é o Estado Português que me deve. Fez uma lei para isso. São os governos que
administram Portugal desde 1975. Mal
intencionado pois que
continua lançando ao vento suas opiniões, que de tanto as lançar até já se acha
com razão. Cale-se sobre Moçambique ou qualquer outro ex território ultramarino.
Fale só dos governos pós 25 A de 1974. Esses você deve estar sendo pago como um
mercenário, de algum jeito, para falar bem, pois não acredito que seja de
consciência limpa. Esta foram
algumas de suas palavras, ridículas se diz serem de uma crônica. Eu classifico
de outra coisa. Diria aldrabice cínica e descabida. Uma estória fantasiosa e
desconexa. “As
vitimas do HIV são atendidas pela ONG Médicos Sem Fronteiras e dela participam
um considerável numero de brasileiros, que têm sido incansáveis nesse
trabalho, criando soluções para essa grande calamidade.
Resumo
geral e pergunta fatal – é este o resultado de nossa colonização
? Ohhh” mal intencionado?
Havia vítimas de HIV em 1974? Fomos nós os portugueses residentes que o
implantamos e dessiminamos? Eu afirmaria que é esse o resultado da
descolonização de seus amigos socialistas. Estão
aí os números, e quem pode falar deles talvez sejam os ex-colonizadores, que até
hoje choram a perda do paraíso colonial” NÓS
RESPONSÁVEIS POR ESSES NÚMEROS???????? Poderíamos falar que
sim!!! Era um paraíso!!! Sabe porquê MAL INTENCIONADO? Por que fomos nós, esses
ex-colonizadores que o fizemos com muito trabalho, com investimentos do nosso
suor. Foi a nossa casa que construímos, tijolo a tijolo, mesmo que humilde,
mesmo que sem pintura. Era o esforço daquilo que almejamos na vida. Foi a moto
que compramos a prestações, foi o carro em segunda mão que compramos. Eram os
momentos de lazer que usufruímos no nosso descanso: Junto do mar ou no
interior, perto de plantações de bananas, laranjas, ananases, arroz, milho, etc,
etc. Paraíso quando por falta de carne de vaca pegávamos uma espingarda e
caçávamos alguma gazela para sustento até daqueles que trabalhavam conosco.
Aproveito aqui para deixar meu abraço a todos os Serras Pires que conhecíamos e
que meu avô e meu pai tinham amizade, lá na Beira. SIM ERA UM PARAÍSO ATÉ PARA
TODOS OS NATURAIS, MESMO DURANTE A CHAMADA GUERRA COLONIAL. COMBATÍAMOS OS
TERRORISTAS OU NACIONALISTAS COMO QUEIRA CHAMAR – NUMA PARTE DO TERRITÓRIO -,
MAS NÃO O POVO. ESSES SEUS GOVERNOS QUE TANTO DEFENDE NOS DEIXARAM À SORTE
A NÓS EX-COLONIZADORES E PRINCIPALMENTE AO POVO HUMILDE DE DIFERENTES TRIBOS E
ETNIAS QUE APÓS O 25 DE JULHO DE 1975 FORAM MASSACRADOS NUMA GUERRA E
MASSACRADOS ESTÃO SENDO PELO VIRUS DO HIV. Meu pai é
falecido. Minha mãe de 81 anos recebe uma pensão de pouco mais de 200 Euros,
nem dá para pagar o aluguel do apartamento em que vive. Minha irmã está
desempregada, neste seu governo medíocre, mentiroso e corrupto de
Sócrates. Seu marido é que as sustenta com a reforma de mecânico.
Minha sobrinha trabalha arduamente para pagar o aluguel do apartamento.
Seis anos
trabalhamos na construção de Cabora Bassa. Ali fizemos um trabalho social.
Inicialmente às minhas custas: fundei um clube que se chamou União
Desportiva e Recreativa Cabora Bassa. Fiz muitos eventos desportivos e
culturais. Por isso era
um paraíso construído por nós. Você está no Brasil. Não quero nem discutir a
suas razões de estar aqui. Hoje deve dizer que está no paraíso chamado Brasil.
Felizmente para mim tive a oportunidade de já ter tido 3 paraísos: Portugal na
infância, Moçambique na juventude até 30 anos e agora Brasil. Quantos você teve?
Não precisa responder... Este senhor
ironiza os portugueses que eram sãos e que foram combater, por nacionalismo,
usando armas que matam , mas não ironiza os “nacionalistas” moçambicanos que nos
combatiam com arma, ou eles o faziam com FLORES??? Não
precisa responder... Finalizando e dando ponto
final ao assunto, se enrosque na sua ignorância descabida E NÃO VENHA COM MAIS
XURUMALAS. Carlos Soares –
português que ama e trabalha pela cultura e o bom nome de Portugal - Porto
Alegre |
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