Hebe Camargo

Olá

'HEBE, PORTUGAL TE AMA"

Afinal, a imagem dita "Peregrina"de Nossa Senhora de Fátima não compareceu ao programa de retorno da apresentadora Hebe Camargo aos palcos da televisão brasileira. Fomos, assmi, , poupados de um ato que envergonharia todos aqueles que sabem que a dita imagem que circula pela casa de apresentadoras e artistas brasileiros, não é uma das imagens Peregrinas, mas sim, uma imagem que qualquer devoto compra numa loja religiosa.

Saudando a apresentadora, um cartaz, 'HEBE, PORTUGAL TE AMA" ao que a apresentadora respondeu com um "EU TAMBÉM". Sobre isso não tenho a menor dúvida, Hebe Camargo sempre foi ligada a Portugal e diga-se de passagem, canta o Fado lindamente.

Na platéia um acanhado padre Antonio Maria que nem sequer foi referido.

Ou seja, cada um no seu quadrado!! Foi muito bom rever Hebe Camargo e certamente esse carinho todo que ela recebeu será muito importante na sua luta contra o cancer.Coragem e força para el a e para tantas pessoas que se defrontam com problema semelhante.

Sim, a Lei da Nacionalidade é importante mas, sem apoio ao Associativismo Portugues no Estrangeiro e a Comunicaçao Social em Lingua Portuguesa no Estrangeiro, a Lei da Nacionalidade se esvazia porque não queremos netos APENAS  usufruindo do direito de serem cidadãos portugueses mas alheios as atividades associativas ou distanciados e desinformados do que se passa em Portugal.

E , para isso que o governo portugues abra os cordelinhos a bolsa e apoie FINANCEIRAMENTE as Associaçoes e a Comunicaçao Social que prestigia e divulga Portugal. Mais uma vez o Partido Socialista não lidera processo algum nesse sentido, aliás, é o partido que menos se interessa com a Emigraçao.

Abraço Eulalia Moreno   Sao Paulo

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AGOSTINHO DA SILVA

AGOSTINHO DA SILVA

ARAUTO DE UM MUNDO EM EXPANSÃO

J. Jorge Peralta

 

I - UM PARADIGMA DO MUNDO LUSÓFONO

 

1. Agostinho da Silva, na sua visão profética e dinâmica da história, sonhou sempre com um mundo melhor para todos. Foi um homem apaixonado pela vida; um cidadão do mundo. É um marco cultural da segunda metade do século XX. Nasceu no Porto, em 1906, e morreu em Lisboa, em 1994.

Foi um português da estirpe dos grandes construtores da nacionalidade e dos grandes descobridores do mundo; Foi um bandeirante, no arrojo e na ousadia de suas ideias,  e na competência e coragem de praticá-las. Foi um grande inspirador e um exímio obreiro da lusofonia.

Foi um homem plural, como Fernando Pessoa. Via a essência do ser português. Personificou a alma lusa. Agostinho da Silva foi, como Pessoa, um indisciplinador de almas, um decifrador de enigmas, um provocador de pessoas, para que elas próprias achassem e construíssem o próprio caminho.

Foi um dos homens de maior destaque, no mundo da Língua Portuguesa, no século XX. Sua contribuição à Lusofonia assumiu dimensões gigantescas, pelas perspectivas que foi abrindo e pelo seu espírito genuinamente humanista. Foi um homem de um pensamento sólido,  múltiplo e articulado. Atuou intensamente no Brasil, de 1944 a 1969.

 

2. Foi descobrindo e difundindo as grandes forças que regem os destinos da humanidade, superando egoísmos e desvendando dúvidas e inquietações.  Foi um homem notável, modesto e discreto, movido por incontida determinação.

Agostinho focou-se nas forças que impelem o espírito da lusitanidade: a identidade, com alteridade, articulada com a cordialidade e a tolerância. Levou essa equação a todas as dimensões da vida.

Essa equação possibilitou que os portugueses dessem novos mundos ao mundo, nos séculos XV, XVI e XVII.

Só o espírito lusitano poderia viabilizar a imensa epopéia  dos descobrimentos de novas terras e o relacionamento cordial com novas  gentes.

O espírito dos descobrimentos é a marca  do povo português, que ainda perdura. Foi a força motriz de Agostinho.

Essas forças ainda impulsionam os descobridores dos tempos modernos, pelos tempestuosos mares interiores, numa perspectiva espiritualista.

Agostinho foi um homem de uma lucidez extraordinária: um visionário. Sentiu as dimensões permanentes e ainda atuais das forças matriciais que levaram a cultura e a língua portuguesa pelos quatro cantos do mundo, sentiu a força estupenda que sustenta e impulsiona a Lusofonia, no contexto da modernidade.

Sem nostalgias, ele procurava abrir novos  caminhos de esperança, pelo cultivo e defesa de valores do  mais autêntico humanismo, superando valores espúrios e mascarados.

Foi um pensador e um obreiro sagaz, construtor de Universidades e de Institutos de Pesquisa. Abriu espaços para a sociedade crescer por dentro.

 

3. A Identidade e Alteridade são as forças motrizes que fizeram de Agostinho um arauto da esperança, um otimista, um homem cheio de vida, um cavaleiro da esperança.

Um homem que creditava na vida e que irradiava vida e esperança, em todos que dele se aproximavam. Um homem sem arrogância e sem vaidades vazias; um homem humilde que sabia onde estava  a grandeza da pessoa  humana: no seu caráter, na sua generosidade e benquerença, sem hipocrisia e sem farisaísmos... Foi um homem de portas e coração aberto para todos.

Diziam que ele tinha um coração maior  que o mundo.

Diz Agostinho:

Temos de aprender duas coisas:

Aprender quão extraordinário é o mundo

 e aprender a  ser bastante largo, por dentro,

para o mundo todo poder entrar[1]

Agostinho foi um homem de grande visão; acreditava  na educação séria,  como o caminho para superar a miséria e as mazelas sociais.

Na perspectiva em que coloca seu pensamento, seus sentimentos e sua ação, Agostinho comporta-se como um homem universal. Atrai, a si, pessoas de todas as filosofias, ou atitudes políticas. Todos o ouvem, com atenção e receptivamente. Assim é até hoje, e será por muito tempo. Personificou o espírito da Lusofonia.

 

4. Agostinho foi uma pessoa afirmativa e positiva.

Como Sócrates, não dava soluções: ensinava as pessoas a encontrá-las; provocava; inquietava e mostrava caminhos. Apontava, mas não fazia caminhos para ninguém. Respeitava a liberdade e a competência de cada um.

Assim as pessoas cresciam pelo próprio mérito, e conseguiam forças para crescer mais. Agostinho não dava o peixe a quem tinha fome, a não ser excepcionalmente; dava o anzol e ensinava a pescar. Foi um criador de pessoas livres e altruístas.

Em toda a sua vida, Agostinho foi um homem sincero, coerente e leal a seus princípios humanísticos. Foi um amante da liberdade. Ele é uma mensagem viva. Nele o saber e o fazer, o pensar e o querer estavam plenamente articulados.

Foi um educador (ex-ducator = tirar de dentro). Nunca quis fazer discípulos. Quis um mundo de pessoas livres. Por isso dizemos que Agostinho é um arauto de um mundo melhor, um paradigma da Lusofonia.

 

II – PERFIL DE UM HOMEM REALIZADOR

 

5. Agostinho foi um homem  dedicado, competente e empreendedor.

Foi um homem  determinado e de grandes ideais. De tão simples, sua atuação e a sua vida, nada tinham, na aparência, que revelasse nele mais que um homem comum. Nele, nada segue os códigos de grandes feitos espetaculares, cinematográficos, com apelo a “efeitos especiais”, irreais,  a que nos acostumamos no nosso mundo mediático, onde vale mais  o que parece e aparece do que a essência do que se é.

Por fora foi sempre um típico homem simples, cordial e generoso.  Por dentro teve uma alma de gigante.

Agostinho foi um extraordinário homem comum.

 

6. Pertenceu a uma geração que deu ao mundo, em nosso meio, grandes sábios, com idênticas marcas. Aqui destacamos: Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Guerra Junqueiro, Antero de Quental e Fernando Pessoa. Como Agostinho, todos cultivaram idênticos ideais humanistas, altruístas e lusófonas, em perspectivas plurais e universais. São pessoas  que somam e multiplicam forças, solidários nos princípios matriciais que os inspiram.

Na Espanha destacamos Miguel de Unamuno e Ortega y Gasset, muito bem relacionados com Portugal.

Desta estirpe encontramos, pelo país, milhares de Pessoas. Elas se

distinguiram pela genialidade, que os fez  Paradigmas; por uma vida dedicada ao bem-comum e por um espírito de sinceridade, simplicidade e entusiasmo. Caracteriza-os uma visão franciscana da vida e do mundo e  um pensamento sólido, profundo, consistente e ousado, numa religião para além das igrejas, com liberdade interior.

“Para essa “geração”, São Francisco é o São Paulo de uma nova igreja dos simples, diz Eduardo Lourenço.

 Eram pessoas de espírito socrático: sábio, altruísta, simples e desprendido. Eram pessoas de altos ideais, como o Cristo do Evangelho, voltados ao bem comum...

Pensar em Agostinho, é, um pouco, sentir uma sombra de São Francisco de Assis , passando lépido, com seu bordão...

Sempre peregrinando por um mundo a descobrir e a reconstruir.

Pensou em perspectivas universais, onde cabem todas as contribuições, sem discriminação.

Foi um homem que acreditou que é possível construir um mundo melhor.

Olhou o mundo como algo, em permanente processo de construção e reconstrução: algo sempre a haver, ao abrir-se para novas perspectivas dinâmicas.

Foi  um homem de pensamento e um homem de ação; um pensador consistente e um realizador coerente. Pensar, querer e realizar era sua plataforma de atuação.

Foi um homem da terra e um homem do espírito, do mundo das ideias e da ação transformadora. Foi um filósofo comprometido com a vida das pessoas e do universo. Agostinho dialogou desinibido, com o mundo dos homens, com  mundo das ideias e com o mundo do Espírito.

 

7. Agostinho foi um homem aberto a tudo: aberto para a vida, para as energias do universo, que nele se integram por todos os sentidos: pela visão, pela audição, pelo tato, pelo olfato e sabor, e todos os mais que houver.

Dentro dele, de seu espírito, de sua alma, havia lugar para tudo e para todos. O que tinha: (saber, sabedoria e até seus bens), tudo repartia e compartilhava. Amava e cultivava a vida.

 

A sua visão do outro, da alteridade, integrava-se no seu ser, na sua identidade. Vivia para o “outro”. Foi um educador pleno. Um ser humano pleno, um homem cativante, por suas ideias, modo de vida e visão de mundo.

Foi um homem de pensamento e de ação: um construtor; um transformador de vidas, um iluminador de caminhos. Foi luz, onde passou.

Para  levar a teoria, à prática, foi um criador de universidades e um exímio professor.

Foi um homem cheio de vida, e se realizou na convivência ativa e dinâmica. Nada lhe faltava, porque tudo repartia... Isto parece paradoxal, mas, nele,  é bem real. Foi o típico homem consciente: o cidadão do mundo.

Foi um homem sem máscaras. Por isso as pessoas não tinham receio  de a ele se dirigirem, como quem se dirige a um amigo, sempre de portas abertas.

Dentro do espírito lusitano, que era sua força matricial, foi um homem de perspectivas universais

 

III – ABRINDO CAMINHOS – REFLEXÃO E AÇÃO

 

8. Nasceu em 1906, no Porto... Em 1944, com 38 anos, emigra para o Brasil, para prosseguir a sua obra, buscando novas oportunidades. Teve-as.

Do Brasil descobriu  melhor a alma e a força profunda de Portugal.

Aqui, a sua vida toma novas dimensões e novos rumos.

Aqui, Agostinho da Silva pôde realizar suas perspectivas universais, da vida e da mente típica portuguesa, sempre aberta a novas descobertas.

Sua personalidade de pensador, místico e  mestre encontra aqui um campo fértil. Sua missão de professor e seu humanismo e dedicação às grandes causas da humanidade, sem distinção de classe ou de nível sócio-cultural, aqui germinaram. O espírito brasileiro combina muito bem e enriquece e dinamiza o espírito lusitano.

Do Brasil vê-se melhor Portugal e toda a força da Lusofonia.

 

Para ele, a unidade e a soberania de Portugal é essencial. Por isso, manda um recado claro e veemente:

 Nunca mais se deve falar na questão de unir a Espanha e Portugal”.

A visão universal e planetária  de Portugal, poderá levar os dois países ibérico a olharem-se mutuamente  como “outro”, numa relação criadora de identidade e alteridade.

Foi um Semeador. Quem dele precisou foi atendido. Semeou  para as próximas gerações  colherem. Semeou rabanetes para as próximas refeições  e semeou jacarandá para as futuras gerações.

Sua vontade e disposição para o trabalho, para servir o país de adoção, fizeram dele, como diz Eduardo Lourenço:

o homem dos sete ofícios, profeta, pedagogo,  sábio, naturalista (...)

um pólo de vida ativamente contemplativa[2]”.

 

Fez amigos, por toda a parte onde atuou, de Norte a Sul do país.

 Em tudo o que pôs as mãos e o seu ideal, agiu como fermento transformador.

Onde esteve, fez a diferença, ajudando a abrir novas perspectivas e novos rumos às pessoas e às  instituições onde atuou.

Este  homem  extraordinário, além de professor  e foi um pai de família. Com esta  repartia também a sua vida,  a sua sabedoria  e a sua generosidade.

 

9. Uma das marcas deixadas por Agostinho foi seu carinho pela cultura portuguesa e pelo mundo lusófono.

Ajudou a formar Centros de Estudos Portugueses, em diversas universidades em diversos Estados do Brasil. Em 1954 é nomeado Diretor dos Serviços Pedagógicos da Exposição Histórica do IV Centenário da cidade de São Paulo, onde seu sogro Jaime Cortesão desenvolveu um trabalho extraordinário.

Em 1959, funda o Centro de Estudos Africanos e Orientais, na Universidade Federal da Bahia. Uma instituição inovadora, revolucionária, dentro do espírito de Gilberto Freire: visão de um País e de uma lusofonia multiracial e plural.  Com isto Agostinho deu sequência aos trabalhos  pioneiros de Gilberto Freire e  Nina Rodrigues, valorizando e fazendo justiça às ricas contribuições que os negros trouxeram à cultura do Brasil [3]

 

Começa aqui a pôr em prática o sentido plural da lusofonia. Quis mostrar a necessidade de se dedicar mais aos Estudos Africanos, por sua presença marcante da Lusofonia.

Deu destaque à vertente africana da lusofonia. Abriu um portal de amplas perspectivas.

Agostinho foi um espírito de convergência. Ia  abrindo novos espaços  que expandiam e articulavam as suas ideias matriciais, dando-lhes novos horizontes, multiplicando-se. Nunca se dispersou.

 

10. Em 1963, visita o Japão, Macau e Timor, com bolsa da UNESCO.

De volta a Portugal (1975) visita a Galiza.

Em 1987, visita Olivença, onde deixou marcas de seu gênio e de sua generosidade.

Em 1988, visitou Moçambique.

Com sua atividade múltipla e pelo Espírito de União dos Povos Lusófonos, com que sempre trabalhou, Agostinho lançou as sementes férteis da Lusofonia pluricontinental, em perspectivas universais,  na perspectiva do Quinto Império, sob as luzes do Divino Espírito Santo, Agostinho deu novas e amplas perspectivas à Lusofonia Mundial.

 

11. Agostinho foi o verdadeiro inspirador da criação da CPLP: a união de povos soberanos: unir-se para crescer e prosperar, nas dimensões materiais e espirituais.

O objetivo era:

Unir-se  para superar  o subdesenvolvimento e as decorrentes chagas sociais e as chagas da guerra civil.

Unir-se para superar  antagonismos, aceitando a diversidade.

Unir-se para reencontrar-se com  o progresso, consigo mesmo e com os seus amigos.

Unir-se para dar uma educação melhor a todo o povo.

Unir-se para, juntos, construirmos um futuro melhor, sem abdicar da liberdade.

Unir-se para produzir mais alimentos e mais riquezas para a nação e emprego, para todos poderem alimentar-se e alimentar suas famílias.

Unir-se para construir uma nação próspera, com o bem-estar do povo.

Unir-se para saber ir além do progresso material, superando e ultrapassando  o economicismo capitalista, cultivando os valores humanos e o bem-estar de todos.

Agostinho deu contribuição destacada às ideias matriciais da Lusofonia, em toda a sua amplitude e complexidade.

 Agostinho ajudou a dar unidade ao mundo da Lusofonia, dando a cada povo o seu valor, sem discriminações. Semeou o espírito da confraternização. Fez o que todos podem fazer, se quiserem...

Somou suas ideias e sua ação, às ideias  e ações de milhares de outras pessoas inspiradas, que germinam nas terras férteis da Lusofonia, dando-lhes novas forças. Suas ideias não se caracterizam  pelo ineditismo, mas pela operacionalização e articulação de novas forças, e pelo espírito que as fecundou. Ele faz acontecer.

Sua visão de mundo passa pela confraternização de todos os povos, com a instauração do quinto Império Espiritual, na busca de um mundo com mais justiça, generosidade, prosperidade material e espiritual e mais paz.

Por estes posicionamentos de Agostinho, dizemos que ele foi um “arauto de um mundo em expansão”, preconizando uma nova era da humanidade.

J. J. Peralta


[1]A Última Conversa. p. 96

[2] Idem, ibidem, p.

[3] Destaque especial merece, nestas perspectivas, a obra-prima: “Casa Grande e Senzala”, publicado em 1931.

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PADRES A MENOS E PASTORES A MAIS

Celibato – Ontem uma Bênção – Hoje um Problema (1)

 

António Justo

A Igreja Católica conta com 1.131.000.000 católicos no mundo e dispõe de 407.262 padres e de 815.237 membros de ordens religiosas (estatísticas de 2008).

 

As comunidades cada vez contam com menos padres. A frequência dominical diminui também. Enquanto na Polónia 40% da população vai regularmente à missa, na Alemanha, dos 25,461 milhões de católicos só frequentam regularmente a missa dominical 17%, isto é 3,492 milhões (estatísticas de 2008).

 

Pelo contrário, a Igreja Evangélica, onde não há obrigatoriedade de celibato para os seus pastores, vê-se obrigada a dividir um tempo inteiro  de pároco por dois pastores, com meio tempo para cada um, pelo facto de ter pastores e pastoras em superabundância. A Igreja Católica, por seu lado, encontra-se numa situação desesperada de luta com a falta de padres.

 

As Igrejas ortodoxas russa e gregas, nas quais os padres se podem casar, não têm problemas de formação e angariação de padres. Tradicionalmente as famílias de padres fornecem também novos padres. Os bispos são recrutados, geralmente, das ordens religiosas.

Em Portugal conta com 81,10 % de católicos. Segundo a Agência Ecclesia, em 2006 havia 2.894 padres distribuídos por 21 dioceses em 4.366 paróquias. Por cada dois padres que morrem é ordenado um. A Igreja, para responder ao problema organiza “Unidades Pastorais” com equipas de sacerdotes responsáveis por várias paróquias; além disso recorre à formação de diáconos casados.

 

Até ao século XX, a obrigação do celibato para os párocos revelou-se como medida inteligente, na Igreja Católica. Duma maneira geral, a Europa era constituída por uma sociedade de classes, fechadas em si mesmas. O povo não tinha acesso às classes superiores nem à cultura das elites, não podendo, por isso, assumir lugares de responsabilidade pública. As grandes famílias distribuíam o poder (postos) entre elas. O sacerdócio celibatário impedia a concentração do poder eclesiástico em famílias tendo sido, ao mesmo tempo, um elemento democrático no meio do clero, da nobreza e da burguesia.

 

A extensão da obrigação celibatária das ordens (clero regular) às paróquias (clero secular) possibilitou uma solidariedade entre elites e povo. O padre, que, geralmente, provinha das classes populares tinha hipótese de subir e fazer parte do alto clero. A sua presença contesta a prática secular das grandes famílias nobres/burguesas e possibilita a subida da classe desfavorecida aos postos superiores da sociedade eclesiástica, impedindo que se formasse uma oligarquia sem base popular. O povo, através do sacerdócio, trazia sangue novo e renovador à oligarquia da Igreja, solidarizando-a com o povo. Aqueles que não aguentavam com o jugo do celibato e abandonavam o seminário ou o cargo, provindos embora do povo, passavam para a sociedade secular onde ocupavam cargos relevantes e deste modo assumiam também uma presença popular nela.

 

Quando se fala de padres e de celibato é necessário distinguir entre os celibatários por vocação, (membros de ordens e congregações religiosas) e os celibatários por encargo aos quais a legislação eclesiástica impõe o celibato como condição de acesso ao exercício da missão sacerdotal paroquial. O celibato para os párocos foi tornado obrigatório pela Igreja Católica na idade média. A Igreja Ortodoxa não aderiu a esta medida disciplinar. Apenas exige o celibato aos bispos. A ligação do exercício do sacerdócio ao celibato não tem fundamento bíblico. Pelo contrário, a Bíblia opõe-se ao ascetismo exagerado e à proibição do casamento aos padres (cf. 1Tim3,1-13 e 4, 1-5).

 

Entretanto o celibato tornou-se no principal factor impedidor da abundância de padres. O benefício que o celibato traz para a estratégia administrativa é adquirido contra a integração cultural e estrutural do cristianismo nas estruturas seculares. Uma mentalidade fechada e ingénua tem levado as elites da administração eclesiástica a adiar o problema em detrimento da Ecclesia semper reformanda e da integração religiosa nas estruturas culturais. A estruturação da sociedade hodierna exige não só novas medidas em relação ao clero mas também uma nova estratégia de presença cristã nas sociedades. A sua nova reestruturação não pode ser feita apenas para dar resposta à falta de padres. O papel dos leigos numa comunidade viva consciente e activa não pode esquecer a importância do testemunho de vida e missão na sociedade em que estão inseridos.

 

Clericalismo e anti-clericalismo são sintomas de Sociedades desintegrada

Nas sociedades nórdicas, a influência dos pastores casados e suas famílias está muito presente a nível cultural e político-social nas nações. O seu contributo cultural para a sociedade secular faz lembrar o contributo cultural de alto nível dos judeus, no seio dos povos onde se encontram inseridos. É importante constatar-se que, nos povos nórdicos, não há o anti-clericalismo que se encontra em países latinos. Isto tem a ver naturalmente com a integração social e o relevo cultural dados pelas famílias dos padres evangélicos às nações. É frequente ouvir-se políticos tomar posição em público fundamentada em princípios cristãos e isto tanto em partidos de esquerda como de direita.

 

Nas nações latinas, tradicionalmente de maioria católica, os padres também contribuíram muito para a cultura secular dos países; faltou-lhes porém a disputa com a vida concreta do dia a dia, o enraizamento familiar e a consequente influência. O povo nas sociedades latinas são mais indiferentes e mais dependentes da opinião momentânea do que os povos das nações nórdicas. Os filhos dos pastores evangélicos foram muitas vezes pioneiros a nível de cultura e movimentação política crítica, integrando-se nas mais diversas expressões da arte, da ciência e da religião. Deste modo a Igreja torna-se indirectamente a guardiã do progresso e ao mesmo tempo a defensora de valores tradicionais e humanos.

 

Clericalismo e anti-clericalismo são fenómenos doentios de sociedades mais desintegradas.

 

Cidadãos e crentes têm que suportar as estruturas e suportar-se a si também!

 

© António da Cunha Duarte Justo
http://antonio-justo.eu/
(continua no próximo (2) texto sob o título
DO PODER DIVINO PARA O PODER POLVO”)

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O PODER POLVO DO NOVO OLIMPO

Primado da praxis e da pessoa

António Justo

A secularização da sociedade deu um grande contributo para o desenvolvimento social. Igrejas e museus têm vivido lado a lado. Mundo religioso e secular, povo e burguesia, embora em tensão, viviam sob o mesmo teto cultural.

 

Com o acentuar-se da União Europeia e do Globalismo, os antigos deuses europeus estão de volta e vingam-se contra o monoteísmo cristão. Esta religião que se afirmou na luta contra a adoração do Imperador e na defesa dos escravos e explorados parece tornar-se em estorvo para os deuses do novo Olimpo em construção. As novas elites querem recolher-se ao Olimpo para não se misturarem com o povo. A ética e moral, ligada à religião, ao dar voz aos interesses dos mais fracos, com os seus parâmetros éticos e morais, dá muita consistência à base da pirâmide social, o que não agrada aos que querem ter um proletariado de fácil manobra. Por isso o poder anónimo e desenraizado que se instala por todo o lado está interessado em destruir a identidade das pessoas e aquelas estruturas que as defendem a pessoa, pelo facto da divindade fazer parte da pessoa.

 

Com o processo de democratização do ensino a camada pobre já tem acesso aos lugares dominantes/dominadores da sociedade. Sobe através de sindicatos, partidos, administrações e superstruturas que imperceptivelmente dirigem a vontade e o sentir social. O poder de ontem encontra-se hoje camuflado e opera eficazmente sob o nimbo democrático. Como o polvo tem muitos braços que permitem um processo de filtração na selecção “democrática”dos seus melhores servidores. O poder polvo tem a capacidade de determinar o pensar e sentir do povo de dia para dia através duma opinião publicada nebulosa que o torna invisível e inimigo do Homem. Por isso os amigos do Homem e da democracia, independentemente do seu colorido, têm de mudar a sua estratégia, na sua maneira de estar presentes na sociedade. A Igreja, vocacionada a defender o povo, a dar voz aos que não têm voz deveria estar atenta ao momento histórico que atravessamos, que por razões de reorganização em super-potências e de globalização pretendem reduzir a pessoa a mero indivíduo e este a mercadoria. As novas elites querem um indivíduo cata-vento.

 

Hoje, a lei do celibato, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, prejudica imensamente a acção da Igreja. A realidade social, através da democratização, mudou-se e o sentido e vias de solidariedade também. A presença cristã no mundo institucional e público precisa duma nova dinâmica. Na sociedade tradicional a aura social estava hierarquicamente estruturada de cima para baixo pelo que a presença eclesial reflectia esta mentalidade com a correspondente presença em lugares relevantes da pirâmide; hoje, que vivemos em tempos de democracia nominal, de poder polvo, a sua presença tem que partir da base da pirâmide, para se tornar presente nos diferentes biótopos sociais e institucionais.

 

A função de solidariedade e de intercâmbio social do padre deixou de ter prestígio, nas sociedades secularizadas. Por outro lado as exigências do presente, em relação à pastoral, não se limitam à consciência e ao testemunho de castidade do padre, embora nos encontremos numa sociedade sexista já em estado neurótico. Numa altura em que as famílias partidárias procuram assumir, na sociedade democrática, o papel das famílias relevantes burguesas e nobres, da sociedade antiga, lutando, por isso, contra a família tradicional, torna-se importante enobrecer o estatuto da família tradicional e fortalecer o surgir de famílias coesas cristãs e instigá-las a manifestarem a sua presença nos diferentes ramos da política e da sociedade.

 

A presença cristã necessita duma nova estratégia. Não chega ser-se inteligente; num mundo de espertos exige-se também esperteza. A crise sacerdotal dá a oportunidade à Igreja de se antecipar aos acontecimentos para não ser levada na enxurrada. A paróquia não pode continuar no comodismo fácil de ter um padre livre de tudo para se encontrar à disposição de toda a gente a toda a hora. Isto é egoísmo muito embora os padres que exercem a função com alegria sejam uma bênção para as pessoas com quem contactam.

 

Não chega já a inteligência racional, é necessária também a inteligência emotiva. Torna-se óbvio, a nível de Igreja, o fomento de famílias testemunho, comunidades de vida, que vivam a caridade, a liberdade e o amor ao próximo em contrastante com as ideologias seculares que seguem uma estratégia de instalar os seus multiplicadores não só nas estruturas do Estado e implicitamente nas estruturas sociais da igreja. A realidade da família e correspondente investimento nela é a estratégia e oportunidade nobre e duradoura que a Igreja tem para se tornar presente a nível social na estrutura do estado moderno. Este aposta na destruição da família e no fomento das grandes famílias (estruturas) partidárias. A influência e participação na vida pública dão-se hoje, principalmente, através da vida partidária, que se apoderou das estruturas do Estado e é, muitas vezes, orientada pela ideologia e pelo dogma dum pragmatismo factual à margem do povo. Uma função da Igreja actual seria mitigar e humanizar aquelas estruturas participando activamente nelas. Não se trata de ter políticos que defendam os interesses dos cristãos mas de ter cristãos na política que a humanizem e defendam a pessoa, os interesses do povo que comunga do ser pessoa. Para isso não pode continuar a considerar-se o matrimónio como concorrente da ordem sacerdotal ou mesmo inferior a ela. Se antigamente era importante o exemplo institucional hoje é importante o testemunho de vida integrada. A hierarquia precisa de se integrar na vida familiar, social e política de maneira directa e não apenas representativa. Também a instituição está chamada a responder ao apelo. Não existe uma norma normans mas uma norma normata. Na há nada definitivo. A cristologia aponta para o primado da praxis e da pessoa.

 

© António da Cunha Duarte Justo

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DIA 17 DE MARÇO A EMIGRAÇÃO NO PARLAMENTO 

Está agendada para o dia 17 de março a votação no Parlamento de três projectos de lei do PSD referentes à emigração: sobre a alteração da Lei da Nacionalidade para a concessão da nacionalidade aos nossos netos, outro sobre o apoio ao Associativismo Português no Estrangeiro e, também, um projecto de lei referente ao Apoio à Comunicação Social em Língua Portuguesa no Estrangeiro.

Em que pese a importância de todos esses projectos, sem qualquer dúvida, o mais representativo é o que versa sobre a Lei da Nacionalidade. O projecto propõe que os nossos netos tenham direito à nacionalidade originária em vez de poderem requerer a naturalização, conforme ocorre actualmente. Na prática, o que mudará é que os nossos netos poderão solicitar a nacionalidade e transmiti-la aos seus filhos sem restrição (a naturalização impõe restrições nesse sentido). Assim, caso haja a alteração proposta pelo PSD, não haverá ampliação do direito à nacionalidade aos nossos netos, que já possuem essa prerrogativa, sendo alterado somente a forma pela qual eles terão esse direito.

Entretanto, em verdade a RELEVÂNCIA MAIOR DESSE PROJECTO está em seu valor. O que precisa ser ressaltado é que a aprovação desse projecto representará uma nova visão dos nossos deputados em relação à emigração, nomeadamente ao que tange aos parlamentares do PS. Os socialistas ao longo dos últimos anos tratam os emigrantes como portugueses de segunda, como um grupo que se mostra como “um peso, um fardo” para o Estado, e não como algo positivo para o País. Com a aprovação deste projecto, demonstrar-se-á a efectiva vontade de fortalecimento das comunidades no estrangeiro. Nós somos os responsáveis pela difusão da língua, cultura, costumes e história portuguesa pelo mundo. Nossos filhos e netos recebem de nós esses mesmos valores com os quais passam a comungar, sendo, portanto, portugueses. Nossos parlamentares precisam deixar manifesto de uma vez por todas que ser português é algo mais do que simplesmente nascer em Portugal ou residir no país e adquirir a nacionalidade, pois isso qualquer um pode fazer. Ser português é comungar de certos valores e sentimentos que não dependem do lugar de nascimento, é ouvir o hino nacional é sentir um algo a mais, sentimento este que está em todos nós emigrantes e em nossos filhos e netos. Em suma, reconhecer nossos netos com portugueses de origem significa reconhecer toda a grandeza da nossa emigração e a importante função que nós exercemos no estrangeiro, como verdadeiros embaixadores de Portugal. 

Diante de todo o exposto, estou certo de que os socialistas, ao aprovarem este projecto do PSD, estarão A TER UM NOVO OLHAR SOBRE A DIÁSPORA, deixando sua visão preconceituosa e tacanha para trás, de modo a enxergar-nos como o rosto de Portugal no estrangeiro e a nossos descendentes como as sementes que um dia serão este semblante. É evidente que o projecto do PSD visa corrigir uma imensa injustiça que há em nossa legislação, em que um neto cujos pais estão vivos é português de origem, mas um neto cujos pais estão mortos é um português naturalizado, mas a principal alteração que esse projecto está prestes a concretizar é uma nova visão acerca da emigração, que espera sentir-se valorizada e bem quista pelo País a que tanto ama, e não marginalizada como tem sido por este Governo.

No dia 17 de março, quando os deputados forem votar o mencionado projecto de lei, caso algum parlamentar se oponha à emigração, basta perguntar-lhe: se vosso neto fosse nascido no estrangeiro gostava que ele não fosse português? Tenho certeza de que não. Aliás, basta evocar nosso HINO, que ele nos dá a resposta, vez que Portugal é a pátria dos nosso egrégios AVÓS (é o único hino nacional do mundo cantado aos netos).

Então, caros concidadãos, até o DIA 17 DE MARÇOo DIA “D” da emigração no Parlamento. 

Forte abraço a todos,   Carlos Queirós.

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O ANIVERSÁRIO 207 DO COLÉGIO MILITAR

 

 

“Um por todos e todos por um” Divisa do Colégio Militar

 

            Em 27 e 28 de Fevereiro comemoraram-se as 207 primaveras do segundo estabelecimento de ensino mais antigo do país, que ainda lecciona ( o primeiro é a Universidade de Coimbra): o Colégio Militar (CM). Ou seja, o Colégio é uma verdadeira instituição nacional, que as vicissitudes históricas nunca abalaram; com provas dadas, qualidade de ensino, formação global do ser individual, com muita gente famosa lá formada e tradições sedimentadas. É uma escola de liderança e patriotismo, de valores e de exigência. Tudo isto gerou um espírito positivo que irmana sobretudo todos os alunos que o frequentaram mas, também, oficiais, professores, funcionários civis e familiares. Aliás, tal facto ficou bem demonstrado na cerimónia militar nos claustros, quando três funcionários civis com dezenas de anos de casa, foram chamados para receberem uma placa assinalando a sua aposentação e foram festivamente saudados por grupos de ex-alunos presentes.

            Os eventos múltiplos e variados (sem equivalência também em nenhum outro estabelecimento de ensino secundário), decorrem de um modo algo alucinante, no fim de semana mais próximo da data da fundação – 3 de Março de 1803. É o ponto alto do ano escolar de um ciclo que se repete sem solução de continuidade.

            Destacam-se as cerimónias militares que se distinguem pelo brilho e pelo garbo com que o batalhão colegial se comporta, imperturbável à fúria dos elementos e ao que se passa à sua volta, evoluindo com o cerimonial e manejo de arma mais difícil de todas as Forças Armadas Portuguesas, como se de verdadeiros veteranos se tratassem. Tenho assistido a cerimónias idênticas em algumas unidades, que deveriam pôr os olhos nesta rapaziada…

            Bom discurso, o do Director do Colégio, com substância, claro, sem salamaleques, com algumas mensagens e bem dito. Nele houve lugar também para o repúdio firme e com elegância dos ataques, por vezes soezes, surgidos na comunicação social há alguns meses atrás.

            Dois pequenos “senão”, todavia.É pena que a cerimónia de guarda de honra à entidade que presidiu à cerimónia militar não se faça no exterior do edifício nos moldes das boas tradições militares. A Instituição Militar não tem que ter vergonha de se mostrar publicamente. O “incómodo” causado ao trânsito é mínimo e mesmo que não fosse, teriam que se sacrificar pois valores mais altos se levantam!

            O segundo ponto tem a ver com o facto de haver alguns civis presentes nas cerimónias militares que não se descobriram e, ou, tomaram uma atitude respeitosa quando toca o hino ou passa o estandarte nacional. Vão ter que ser os alunos a ensinar os seus familiares…

            E, de facto, entre as muitas vantagens e mais valias que o ensino e educação de tipo integral e completo que se ministra no CM, devemos realçar aquilo que é conhecido como virtudes militares, o que representa uma base espiritual de nomeada. Como muito bem ensinou o General Ferreira Martins [1], nelas podemos distinguir a obediência e a disciplina, a subordinação e o respeito, a lealdade e o patriotismo, a fraternidade e dedicação; a solidariedade, camaradagem e espírito de corpo; a coragem, a bravura e intrepidez; a abnegação e a resignação; a generosidade na vitória e a paciência na adversidade; a honra e o valor. Mas, à frente de todas, destaca o General F.M., a Probidade, descrita como o “asseio da alma”.

            São virtudes como estas que aguentam uma família, uma instituição ou uma nação quando tudo parece ruir à nossa volta.E só entre homens e mulheres formados nestes valores, podem sair aqueles capazes de redimir as Pátrias, quando estas caem dolorosamente enfermas.

            Ensinar estas coisas representa uma responsabilidade acrescida, dado que os alunos estão numa idade em que a generosidade da juventude é mais impressionável pelos exemplos que lhe são dados contemplar.

            Quem puder deve vir, pois, visitar o CM e as suas festividades. Procurem entender o que se passa e porque se passa assim.

            Verão que é um estímulo para o corpo, retempero para o espírito e uma bênção para a alma.

                                                                                               João José Brandão Ferreira

                                                                                                        TCor/Pilav (Ref)



[1] “As Virtudes Militares na Tradição Histórica de Portugal”, Tipografia da Liga dos Combatentes, Lisboa, 1944

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As Forças Armadas e a Ética

Li , atentamente, várias páginas do semanário Sol sobre as escutas telefónicas que envolvem figuras conhecidas dos meios políticos e de empresas que movimentam grandes somas de capitais. Cheguei ao final com uma verdadeira sensação de nojo. O nojo que se tem perante algo repugnante, porque, de facto, são repugnantes todas as jogadas que se fizeram para conseguir calar opiniões que pouco abonavam a favor do Governo.
 
Os velhos e eternos valores da verdade, da dignidade, da frontalidade, do serviço público, do sacrifício pessoal, do desinteresse, da coragem não fazem parte das mentes dos intervenientes daquele jogo sujo que o semanário em questão deixa exposto para todos lerem. Tudo neles é mesquinho, reles e insignificante. Fica posta a nu a incompetência e a imoralidade dessa gente. E trata-se de gente que já passou por cadeiras da grande sala do Poder. É gente que quis governar este país numa maior ou menor quota-parte, usando o seu quinhão de influência para, afinal, se governarem. A sua ideia de serviço não corresponde àquela que aos militares é incutida, é ensinada e é treinada no dia-a-dia da vida da unidade. E note o leitor o sentido ético que se atribui ao aquartelamento onde os militares vivem e se aprontam para o cumprimento das suas obrigações: unidade! Unidade, porque é isso que ali se inculca nos homens e mulheres: união que vai para além de todos os interesses pessoais, que vai para além dos egoísmos, união que se plasma no uniforme — outro indício que gera e explica a unidade, pois obriga a uma única forma, a uma única maneira de aparecer perante a sociedade civil.
Note o leitor o contraste entre o comportamento dos militares e o dos civis que se querem arvorar em gestores da sociedade nacional, que desejam ser uma classe política. Os primeiros optam por livremente seguir uma carreira de riscos, mal remunerada — porque, como dizia Mouzinho de Albuquerque, não há remuneração que pague a disposição para o sacrifício da própria vida — socialmente bastante incompreendida em tempo de paz, com uma progressão difícil e sujeita a avaliações constantes e, acima de tudo, exigente em treinos que garantam a eficiência máxima se e quando for necessário; os segundos, jogando com compadrios vários, à revelia de competência efectiva, sem terem de dar maiores provas do que as que passam pela obediência às vontades e jogos de uma clique partidária, propõem-se governar a Nação, ou seja, governar o que é o património material, moral, histórico e cultural de todos nós. Qual é a escola que estes frequentam? Quais os princípios éticos que devem cumprir? Perante que código deontológico respondem quando falham?
 
Caros leitores, a distância que separa os militares da canalhada política é imensa, abismal, infindável. Por isso, e cada vez mais, se deve, dentro dos quartéis, cultivar os parâmetros do comportamento castrense, ensinando-os tanto às praças como aos oficiais, exigindo de todos um rigoroso cumprimento das normas deontológicas que pautam a actividade dos militares, porque — e é importante que isto não seja esquecido — as Forças Armadas são o reservatório moral da Nação, pois, quando tudo estiver em ruína na sociedade civil, terá de restar intacto o valor ético das Forças Armadas e delas renascerá, sempre mais forte e mais digno, o vigor desta Pátria velha de séculos, desta Pátria que se não encolhe envergonhada perante o juízo da História que tem condenado e vai condenar os políticos que não souberam preservar e transmitir um património que as Forças Armadas lhes entregaram há mais de trinta anos para gerirem, servindo todos e, em especial, os mais desfavorecidos. Neste momento, as Forças Armadas têm de estar moralmente sãs e preparadas, e isso é incumbência indeclinável dos Chefes militares.
Luís Alves de Fraga
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«conivências» e «encobrimentos mil...»

De: José Saraiva de Carvalho

Na comissão Parlamentar de Ética afirmei que todos os dados disponíveis apontam para que existe actualmente em Portugal não apenas «conivência» mas «encobrimento» do poder político por parte do poder judicial.

E quando digo poder judicial refiro-me à cúpula da Justiça e não aos tribunais, aos juízes ou aos magistrados.

Quais são esses sinais?

Vou enumerá-los um a um, para que não haja dúvidas.

Quando o SOL publicou a primeira notícia sobre o caso Freeport, o procurador-geral da República veio a público, no próprio dia, desmentir o jornal.

O título da notícia, como o leitor se recordará, era Ingleses apontam o dedo a ministro português.

Não dizíamos quem era o ministro e muito menos falávamos em José Sócrates.

Mas o PS tocou a rebate – e Pinto Monteiro veio dizer que não havia qualquer carta das autoridades inglesas, nem qualquer suspeita sobre um membro «deste ou doutro Governo».

Só que a notícia era totalmente verdadeira – e Pinto Monteiro teve depois de dar o dito por não dito.

 

Quando rebentou o caso Face Oculta, Pinto Monteiro disse ao semanário Expresso, em jeito de desabafo, que se fosse preciso punha as escutas cá fora, e assim dissipavam-se de uma vez por todas as suspeitas.

É claro que Pinto Monteiro sabia muito bem que isso não era possível.

E apenas o disse para transmitir a ideia de que, naquelas escutas, não havia nada de menos claro.

Recorde-se que, uns dias depois, Armando Vara viria dizer mais ou menos a mesma coisa – solicitando autorização para divulgar as escutas em que ele intervinha, o que também não era legalmente exequível, como Vara estava farto de saber.

 

A divulgação das escutas, feita pelo SOL, teve o mérito de fazer cair as máscaras e pôr tudo em pratos limpos.

Ficou claro que as conversas contêm dados muitíssimo comprometedores, não só sobre a existência de um plano para condicionar alguns órgãos de comunicação social mas sobre a enorme promiscuidade entre o Governo e empresas onde o Estado tem interesses.

O negócio com Luís Figo é disso um lamentável exemplo.

 

Quando se viu desmentido pela publicação das primeiras escutas – que não eram irrelevantes, como afirmara –, Pinto Monteiro mudou de agulha e passou a dizer que não havia nelas indício de «nenhum crime».

Dando de barato que o PGR tenha deliberado sobre isso sozinho, sem mandar abrir um inquérito, a sua opinião era tudo menos consensual.

Ainda na semana passada, Diogo Freitas do Amaral escrevia: «O caso das escutas só é ‘meramente político’, como diz o PGR, porque este optou por uma concepção muito restritiva do conceito de ‘atentado ao Estado de Direito’».

 

Esta actuação do PGR veio recordar outro caso, que já estava meio esquecido: o problema do diploma.

Também aí foi Pinto Monteiro a concluir, acedendo a uma solicitação de José Sócrates, que não houve qualquer irregularidade no modo como o primeiro-ministro obteve o diploma na Universidade Independente.

Na altura, toda a gente aceitou como boa a conclusão de Pinto Monteiro.

Mas agora, tendo conta a protecção que o PGR tem dado a Sócrates, também isso é passível de dúvidas.

 

A suspeita mais grave de todas não é, porém, nenhuma destas.

A suspeita mais grave, que é muito difícil o procurador explicar, é a seguinte: ele sabe há muito tempo que os suspeitos foram avisados de que estavam sob escuta – e que, a partir de 24 de Junho de 2009, as conversas não merecem credibilidade.

Pois bem: Pinto Monteiro, no despacho que fez sobre o caso, enfatiza especialmente uma escuta de 25 de Junho que ‘iliba’ o primeiro-ministro no caso da TVI – escuta essa em que se diz, pela boca de um boy (o impagável, embora bem pago, Rui Pedro Soares), que Sócrates não foi avisado do negócio e está contra ele.

Para proteger o primeiro-ministro, o PGR valorizou, pois, uma conversa que sabe não merecer crédito (e que, com toda a probabilidade, foi forjada).

É a história do gato escondido com o rabo de fora.

Como irá Pinto Monteiro explicar isto – que parece constituir a prova definitiva de que agiu conscientemente para encobrir o chefe do Governo?

 

Ao ‘abafar' o caso do diploma, ao desmentir notícias do Freeport que depois se confirmaram, ao arquivar certidões do caso Face Oculta sem abrir inquérito, ao desvalorizar escutas que se provou serem relevantes, ao não encontrar quaisquer indícios de crime onde outros encontram, e sobretudo ao valorizar escutas que ele sabia não serem dignas de crédito, o procurador mostrou completa falta de independência.

Pretendeu esconder, iludir, baralhar, desmentir informações, sempre com o mesmo objectivo: ilibar José Sócrates.

Nestas condições, creio que o Presidente da República não tem já alternativa que não seja retirar a sua confiança ao procurador-geral da República.

Pinto Monteiro deixou de ter junto dos portugueses a imagem de isenção e credibilidade necessárias ao exercício da sua elevada função.

 

Não quero acabar esta crónica sem uma nota sobre o presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Numa mesma noite – e num acto absolutamente inédito em termos nacionais e talvez mundiais, pelo menos em países democráticos –, Noronha Nascimento deu três entrevistas a três televisões.

No essenciaI, o presidente do Supremo disse que, nas escutas a José Sócrates que ouviu, não havia nada de criminalmente relevante.

Aquelas três entrevistas transmitidas quase em simultâneo, como se algo de muito grave tivesse sucedido em Portugal, tiveram como principal consequência a defesa do primeiro-ministro.

E, dado o momento de tensão que se vivia, assumiram um inquestionável significado político.

Ora, Noronha Nascimento tinha obrigação de ter pensado nisso.

Se o fizesse, evitaria envolver-se na luta político-partidária que se vivia e vive. José Saraiva de Carvalho

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TGV Lisboa/ Porto e Porto/ Vigo:
Três razões porque fico preocupado  com a decisão do Governo de adiar por uns anos a construção das linhas  de TGV Lisboa/ Porto e Porto/ Vigo:

   1 – Por razões politicas e estratégicas: -  As várias linhas de TGV que já existem ou estão a estão a ser feitas na Península Ibérica têm todas origem ou terminus em Madrid. As duas que agora foram adiadas eram as primeiras aonde tal não acontecia. A excessiva centralidade de Madrid e de Castela face a Lisboa, a Portugal e às restantes Regiões Espanholas continua a acentuar – se, e a riqueza produzida a ser centralizada em Madrid. Termos uma ligação directa à Europa em alta velocidade sem passar e depender de Madrid ( a linha para Vigo teria continuidade na Galiza até Corunha e daí até França, atravessando o País Basco) é essencial para o nosso futuro e autonomia, no quadro da União Europeia;

   2 – Por razões operacionais : - A linha do Norte está completamente saturada, não se conseguindo bilhetes para os alfas ou  inter – cidades de Sextas à tarde, Sábados de manhã, Domingos à noite… Não é possível pôr mais carruagens nos comboios devido às fortes inclinações existentes no trajecto e à potência das máquinas existentes, nomeadamente nas encostas da Serra dos Candeeiros; não se consegue aumentar o nº. de comboios às horas de ponta, face ao nº. de composições que já circulam na linha, pois para além dos alfas e inter – cidades há ainda os de mercadorias , os regionais, os suburbanos de Lisboa, Porto e Coimbra… Só resta fazer nova linha, podendo esta ser tradicional ou de alta velocidade. 

  3 – Por razões económicas e financeiras – O sector c/ maiores e melhores perspectivas de crescimento nas próximas décadas em Portugal é o Turismo. Mas para que tal sucesso se concretize é preciso que os turistas cá cheguem… Com preços de petróleo a crescerem sempre mais que a inflação, fenómeno que se acentuará à medida que o petróleo começar a escassear e que os custos de extracção, em águas cada vez mais profundas, for progressivamente aumentando,  quem tiver o TGV é que ganhará as correntes turísticas provindas do Norte da Europa. E a Espanha já tem o TGV até Sevilha…

     Para além do turismo o TGV poderá ser um importante factor de dinamização de outros pólos económicos, desde a fabricação de material de transporte, ao embaretecimento do custo de transporte de mercadorias a longa distância que beneficiará áreas como o Porto de Sines ou  as exportações de sectores como o mobiliário, os têxteis ou a cerâmica..

     Na China Insular ( Taiwan ) a economia tem crescido sempre a taxas superiores a 10% desde que o TGV começou a ser instalado, acentuando – se as taxas de crescimento com o início de circulação dos comboios de alta velocidade. Taiwan tem uma superfície semelhante à de Portugal…     António Freire

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A MULHER E O HOMEM

A Dupla que Resolve

J. Jorge Peralta

 

1. O Dia Internacional da Mulher é uma bela data a ser celebrada; como o é o Dia das Mães e até o Dia de Natal.

Como não existe o Dia Internacional do Homem, eu começo a considerar que está  data tem muito de uma celebração pouco humana e muito capitalista. Celebramos, neste dia, as mulheres bonitas, prendadas, esbeltas, estudadas “bem sucedidas”. Esquecemos  os milhões de mulheres  que dão duro estafante, dia após dia,  para garantir um teto e um cômodo às vezes miserável, para dar aos seus filhos  um mínimo de alimentação, de saúde  e de educação. No seu dia a dia, tudo é precário e incerto. Só não falha sua vontade invencível de conseguir, para os seus, o melhor, por pior que seja... Quem delas se lembra, no mundo dos humanos?!

A celebração do Dia da Mulher não atinge  hoje,  ao menos no Brasil,  nem 20% das mulheres.

Faltam aí 80% das mulheres, esquecidas e anônimas, que não têm menos dignidade...

É, pois, uma data desnecessária, ao menos aparente.

Lembrâmo-nos de quem já é lembrado e celebrado todos os dias. Até porque, em nossa sociedade, mulher bem formada, bonita, esbelta e “bem sucedida”, já é bem celebrada, naturalmente, todos os dias, ás vezes até a exaustão.

A nova celebração anual, às vezes, não passa de um ritual vazio,  meramente formal,  como obrigação e não como carinho.

 

2. Na perda dos valores grandiosos da pessoa humana, até as celebrações  são mecanizadas e monetarizadas.

Penso então que o Dia da Mulher  deveria, em nosso tempo,  ser o “Dia da Mulher e do Homem”.

Assim juntos, como é a condição humana. Somos teoricamente 50%  de homens e 50%  de mulheres. 50%, certo?!

Esta é a condição humana, que não podemos confundir.

Hoje não sei quem está mais deslocado de uma vida “normal”, se o homem ou a mulher.

Nas sociedades tradicionais, dos países lusófonos, excetuando, talvez os grandes centros urbanos, homens e mulheres trabalharam sempre, lado a lado, cada um  com a mesma responsabilidade, cada um com a sua identidade.

Com a ascensão  da mulher ao estudo, ao mundo do conhecimento, em vez de ser produzido o equilíbrio  H/M, produziu-se um novo desequilíbrio.

Muitos homens, atendendo a apelos, seduções e até futilidades exteriores  do mundo capitalista, vão sofregamente  atrás do ter e das aparência transitórias, descartando o ser e seus valores imateriais mais profundos e perenes. São mais dispersivos.

As mulheres, de modo geral, levam a “vida” mais a sério: no estudo geralmente, destacam-se muito acima dos homens; levam a vida mais a sério e são mais dedicadas, persistentes e responsáveis. São mais focadas.

Muitos homens estão “perdidos”, nesta sociedade complexa, e vão sendo, socialmente “descartáveis”. Condição muito incômoda e frustrante. Quem pensa nisso?!

 

3. Por isso eu apelo:

Vamos tentar um novo equilíbrio Homem/Mulher. Vamos, finalmente,  equilibrar a condição humana, onde homens e mulheres, como as mulheres e os homens, sintam-se, juntos, responsáveis pela construção de um mundo mais saudável, mais equilibrado, mais justo,  com mais dignidade e paz. Assim era nas gerações passadas, e ainda é assim nas sociedades mais simples.

Há muito mais gente, além do mundo urbano, que atrai atenção dos intelectuais.

O mundo dos humanos é constituído  equilibradamente de homens e mulheres. Vamos celebrá-lo  assim,  sem inventar novos desequilíbrios. Homens e Mulheres, respeitados  em sua dignidade plena,  diferentes um do outro, mas intercomplementares. Ambos precisam  ser educados para a dignidade e respeito mútuo, competência, fraternidade, dedicação, responsabilidade e generosidade.

Na educação familiar, escolar e na vida, cada ser humano deve ser educado para saber ser ele mesmo e pensar no outro:

- Aprender a ser, a conviver e a compartilhar.

- Aprender o espírito de mútua cooperação.

- Aprender a nunca desperdiçar os próprios talentos, mas pô-los a serviço dos seus e da humanidade, com competência e generosidade.

 

Quando homens e mulheres forem efetivamente conscientes de sua missão múltipla e multiforme na vida e na sociedade, seremos então capazes de pôr  a dignidade no Poder. Teremos então descoberto o caminho e as pontes que nos levam a um mundo melhor, com mais alegria e bem-estar para todos.

(08.03.2010)   J. Jorge Peralta

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Chaveira \ Cardigos

Caminheiro de Mim

Há dias assim. Deu-me no goto a canção de Ricardo Martins. Nem esperei pelo final, e muito menos pelas restantes, para agarrar no telemóvel e enviar o meu voto:  760207004. Mas pouca gente concordou. Nem sei que lugar alcançou. Nem interessava, pois só convinha o primeiro, merecedor do destaque na Eurovisão.

Caminheiro de mim”. Bonita letra, de uma imagística suave e simples e todavia com a dimensão de uma vida humana, nos seus sentimentos e anseios, casando-se com a universalidade dos elementos da natureza e da criação humana da sua metáfora. Uma toada condizente, não estridente, e necessariamente repetitiva nos seus grupos frásicos paralelos. “Venho (2)”, “trago (1)”, “sou (6)”, os verbos iniciais da sua ordem progressiva de pensamento - origem, acompanhamento, definição - daí os versos de “ser” abundarem, na procura de uma definição mais completa. A par disso, o acompanhamento ao piano pelo próprio autor e intérprete da canção, Ricardo Martins, o nosso Andrea Bocelli.

Não ganhou, a minha canção preferida, preterida por muitas outras, e sobretudo por uma retorcida “Há dias assim”.

Ouço-a pela Internet, donde tirei a letra. E aqui a apresento, em homenagem sentida a este jovem a quem auguro um excelente futuro na composição e interpretação musical portuguesa:

Venho nas asas do vento

Lá donde um lamento se torna maior.

Quando no peito sofrido

Se sente o gemido da palavra amor.

Venho dum rio de pranto

Que solta num canto todo o seu chorar,

Corre do corpo p’r’à alma

A nervosa calma de quem sabe amar.

Trago do mar e da serra

O segredo da Terra que me viu nascer

Sou trovador num caminho

Cantando sozinho em cada anoitecer.

Sou a guitarra magoada

Tangendo a toada que há no meu penar

Sou serenata da lua

Que brilha tão nua à luz do teu olhar.

Sou o poema uma chama

Que arde e que ama, que explode num ai

Sou uma dor poderosa

Cortante e teimosa que fica e não vai.

Sou caminheiro de mim

Vagueio sem fim até que o destino

Coloque um ponto final

No bem e no mal de ser peregrino.

Berta Brás

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A Pátria Rasgada
 
Minha Pátria ensanguentada
coberta pela traição pela cobardia
de energúmenos cobertos de traição
com sorrisos de milhões de euros
 
Andam pela praça pública vadia
saltitante de Soctretinos envaidecidos
nos rastos de ouro engravatado
como galos de capoeira
 
Nas profundezas da podridão
ouvem-se uivos de fome
coros de ódio pelas ruas
cada vez mais enlameadas
 
Os grandes mestres estão em túmulos
gritando por uma nova Pátria
Os sussurros de Salazar
transvazam os rios
 
Temos que despertar desta cobardia
não ao voto de sangue
mas total ausência cremada
ou a uma nulidade total com valentia.
 
Despertemos portugueses
ergamos a bandeira da honra
salvemos a dignidade  dos nossos heróis
pelo sorriso de um novo Camões.
 
Pedro Valdoy - Portugal Março 2010
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ASIC

(ajuda aos coitados)

 

GabrielCipriano.RiodeJaneiro

 

A sigla desta nota refere-se à ajuda que o Governo de Lisboa dá aos emigrantes em estado de penúria ou calamidade financeira.

Instituído pelo Governo Socialista, no tempo  de José Lello, Secretário de Estado das Comunidades,que o colocou como uma das prioridades  concedidas à emigração, já ganhou outros pais e histórias de outra origem e vários matizes. A verdade, porém, deve ser mantida e concluída, como sendo este o único bem, ganho de Lisboa pelos viajantes desprotegidos.

Em todos estes anos de loas, promessas e arruaças que os candidatos do PSD usam para ganhar as eleições e mostrar que são os verdadeiros protetores da grei, jogada ao relento por aí, os socialistas não se importam com a  ingratidão e continuam prestigiando a turma que vota a esmo, sem avaliar seus interesses mediáticos.

Agora chegam boatos da extinção do ASIC e também do adicional pago aos “embaixadores” titulares dos Consulados Gerais do Rio de Janeiro,Toronto, São Paulo e outros. Uma benfeitoria criada pelo ex-Premiê Santana Lopes que, na ânsia de agradar a seus pares, providenciou essa “melhoria”, beneficiando amigos escolhidos para essas representações diplomáticas.

Feitas as contas seria uma compensação contábil, tira aqui e tira ali, para as queixas perderem força, ajustando despesas às possibilidades financeiras. Parece uma trapalhada e não achamos sentido nela, porém,

nossa gente vive nisso, inventa lá, inventa cá e assim satisfaz o mórbido comportamento que a inveja lhes sugere.

Outra “laracha” em voga e que incomoda os sensatos são as referencias aos lusos descendentes, que estariam recenseando-se para votar na próxima eleição presidencial. Nesta, até acreditamos,pois a falta de respeito próprio leva pais fervorosos aconselhar os filhos a esse ato contrário à sua vontade. Aqui, entre nós, luso descendente lá quer saber de política em Portugal.Que grande piada pronta.Ah, se o José Simão da BAND sabe,vai ficar semanas nos abacalhando.

E tem mais, foram nomeados os outros CONSELHEIROS no Rio de Janeiro. Os fofoqueiros andam ansiosos e perguntam – vai acabar o OUTRO ? Sim, cabe a pergunta, porque a comunidade já tinha um CONSELHO, por sinal eleito com meia dúzia de votos e sem maior representatividade, porém, este de agora, nomeado, simplesmente é ridículo. Ridiculão, como ridiculões são os cavalheiros que, ansiosos também pela ribalta, aceitaram a demanda.

E, por fim, ainda temos de aturar o palavreado da Líder Manuela, instigando a nação contra Sócrates, chamando-o de mentiroso.

Seu mandato termina amanhã, PSD faz congresso. Nele, se a turma escolher o radicalismo Rangel ou o cinismo Branco, vai para o buraco de vez. E esta história de acabar com ASIC, está parecendo o inicio da campanha presidencial. Sempre se antecipam nos confrontos eleitoreiros, porque são “sérios”, os outros não.

 

Do PortugalClub:

"COITADOS" é o que "representam para o PS o POVO PORTUGUÊS em dificuldades....

Já os de melhor situação financeira, são "fascistas" são exploradores de negros, das ex colónias... Durma-se com um barulho destes...

 

                                                                       Fábula domingueira

É a versão grega do episódio da expulsão dos nossos pais bíblicos do paraíso edénico, a troco de muito sangue, suor e lágrimas, que o Jeová não era brando nos castigos.

Esopo intitula a sua fábula de “Hermes e a Terra”:

Depois de ter modelado o homem e a mulher, Zeus ordenou a Hermes que os pusesse na Terra e lhes indicasse o sítio onde escavariam a sua gruta. Hermes cumpriu o seu dever, mas a Terra, no início, mostrou-se reticente e, como Hermes a intimasse a obedecer à ordem de Zeus: “Cavem, então, toda a terra que quiserem”, exclamou, “porque ma devolverão com muitas lágrimas e lamentos”. A fábula aplica-se a quem pede emprestado sem grande pejo, mas a custo paga a dívida”.

Embora mais poética a criação do homem e da mulher no mito grego, ambos fruto de modelagem divina e não por extracção grotesca de um osso masculino na explicação bíblica da criação da subjugada Eva, o mito grego é mais desconcertante, metendo ao barulho uma Terra vingativa, sem que o pobre casal humano tenha sido chamado a decidir. Ao menos, na versão bíblica, o casal já se mostra responsável, creio mesmo que politizado, desobedecendo a ordens superiores, e revelando, na sua face oculta, um sentimento de vergonha e de receio pelas consequências do seu pecado.

Mas enquanto a história bíblica se fica por aí, com a simples expulsão para a Idade de Ferro, como castigo definitivo, no caso de Esopo, pressente-se a continuidade da intriga e do suspense, ao fazer depender do casal a maior ou menor desfaçatez na ocupação do espaço Terra, com as consequências anunciadas.

Não sei como foi nos tempos de antanho. Nos de ogano, penso que descendemos de preferência do mito grego, na constância da nossa vivência de débito sem pejo.

Embora as lágrimas e os lamentos recaiam antes  sobre as vítimas dele, não sobre os escavadores da terra.

Berta Brás

 

                                             Os Vestidos Curtos do PS

Hindus portugueses residentes em Moçambique indignados com Embaixada de Portugal

Maputo (Canalmoz) – A “Embaixada de Portugal Insulta a Comunidade Indiana de Mocambique”. É o título de uma nota de protesto enviada à nossa Redacção por email, nota essa também enviada para endereços email de outros jornais.
A nota começa por referir o assunto versado. “Assunto: Membros Revoltados da Comunidade Indiana em Mocambique contra Embaixada de Portugal em Mocambique”. E logo a seguir lê-se o que passamos a transcrever na íntegra:


“Exmo Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Dr Luís Filipe Marques Amado; Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação; Dr João Titterington Gomes Cravinho.

Ontem dia 2 de Março, Portugueses residentes em Mocambique da comunidade Hindu levantaram o convite para o Almoço de Recepção com o Presidente José Socrates que se realiza no dia 3 de Março, no Hotel Indy Village de Maputo”.
No final do convite mencionam o tipo de traje a usar para a recepção:
“Traje: Fato Escuro
Vestido Curto
Queremos aproveitar esta oportunidade para contestar este tipo de recomendação às senhoras (VESTIDO CURTO), é um insulto a Comunidade Hindu e Muçulmana de Mocambique, dado que como portugueses a lei portuguesa contempla o respeito pela religião, cultura e convicção politica.
Queremos lembrar que na religião hindu e muçulmana não é permitido o uso de VESTIDO CURTO.
Este tipo de provocação, só elucida que o staff da Embaixada de Portugal em Mocambique, são ignorantes, incompetentes, racistas, em pleno século XXI e que devemos exigir responsabilidades para esta vergonhosa frase VESTIDO CURTO numa recepção de um Presidente de Portugal não volte a repetir”.
O email está assinado como sendo de “Membros Revoltados da Comunidade Hindu em Moçambique contra a Embaixada de Portugal em Moçambique”.
De notar apenas que o primeiro-ministro da República Portuguesa, José Sócrates, termina hoje a visita de três dias que está a efectuar a Moçambique.
Contamos na próxima edição poder trazer os esclarecimentos da Embaixada de Portugal em Maputo sobre esta reacção da comunidade portuguesa Hindu em Moçambique, caso a referida representação diplomática queira fazê-lo
.

Recebido de amigos Moçambicanos – Carlos Soares- RS

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Sermão de Domingo
O  “MARQUÊS  de  POMBAL”  no  FUNCHAL

                                   (A catástrofe que não derrubou Alberto João Jardim, antes pelo contrário)

 De: J.Verdasca

Caríssimas(os) leitoras(es),

 

                                           não aprecio, não gosto e não aprovo os métodos, processos e ou artifícios normalmente usados pelos políticos, para se elegerem, para se manterem no poder e para conquistar a simpatia e o voto dos eleitores menos esclarecidos, pobres e ignorantes, e muito menos o modo como alguns lidam com o grande capital, com a finalidade de conseguirem elevadas somas para as campanhas eleitorais, e não só. Talvez por isso, a catástrofe de há duas semanas na Ilha da Madeira tenha tido consequências agravadas, como resultado dos muitos abusos, excessos e infracções cometidas pelos construtores, com a aquiescência das autoridades responsáveis pelo Ordenamento do Território e ou pela observância das regras que ao Meio Ambiente concernem, que – segundo relatos de muitos meios de comunicação social – permitiram a ocupação abusiva e desordenada de áreas de protecção ambiental, aqui incluídas encostas, bermas de ribeiras e cursos de água e – pasme-se – até mesmo o próprio leito de algumas e ou alguns, tendo sido referidos dois postos de gasolina que ocupavam e obstruíam o caminho natural de córregos formados com as chuvas.

 

Todos sabemos da ganância dos homens, em especial no caso dos construtores, os quais apenas enxergam os locais onde possam erguer seus lucrativos edifícios, sem que preocupações com a ecologia, a segurança dos moradores, a paisagem, a permeabilização dos solos ou quaisquer outras “mesquinharias” das pessoas e entidades que a Natureza defendem ocupem as suas mentes, irresponsabilidade e abuso que agora se verificou terem trágicas consequências, não apenas sociais, económicas e financeiras mas – o que é muito mais grave – humanas, porquanto, e no caso da Madeira, milhares de criaturas muito sofreram com a catástrofe, muitas dezenas foram seriamente feridas e cerca de meia centena foram brutalmente arrancadas ao convívio de seus entes queridos. E é unânime a opinião de que –  se TODAS as obras executadas no solo madeirense respeitassem as normas de protecção do solo, da ecologia, da Natureza –  a tragédia não teria alcançado as dimensões que alcançou, em virtude de as águas poderem seguir o seu curso normal, pelo menos em parte.

 

Como alguém dizia, na Madeira, os pobres ficaram ainda mais pobres, talvez, dizemos nós, em virtude de as autoridades terem autorizado –  ou fechado os olhos – à ocupação desordenada do solo madeirense que a todos pertence, ao excesso de impermeabilização das superfícies e a outros excessos conhecidos, dificultando o escoamento das águas, que desse modo invadiram ruas e casas, praças e becos, quintais e subsolos, tudo destruindo na sua passagem. E, aqui, não foram apenas os mais humildes a sofrer os prejuízos, pois que ficaram destruídos três grandes shoppings, seriamente danificados até mesmo hotéis de luxo e destruídas muitas vias de comunicação, como pontes, viadutos, estradas e auto-estradas, danos que a todos atingiram e por todos acabarão por ser suportados. Assim, os erros e abusos de uns poucos atingem e castigam a todos, quando os lucros tinham sido privatizados e os prejuízos acabaram sendo socializados. É A INJUSTIÇA DAS POLÍTICAS DE DISCRIMINAÇÃO, DAS VANTAGENS E PREFERÊNCIAS CONCEDIDAS AO GRANDE CAPITAL, DAS BENESSES PARA COM OS PARCEIROS DO ESTADO!!!.

 

Entretanto, não podemos deixar de ressaltar que –  da triste, pranteada e lamentável tragédia –  emergiu o lado positivo do Presidente do Governo Regional da Madeira, o qual, à semelhança do grande Marquês de Pombal aquando da maior catástrofe, que em toda a história atingiu Portugal (terramoto de 1755), assumiu determinada e corajosamente o comando das “operações”, tratando de “enterrar os mortos e cuidar dos vivos”, após o que lançou mão de TODOS OS MEIOS E RECURSOS AO SEU ALCANCE, no sentido da limpeza e da reconstrução dos danos provocados, o que vem fazendo com notável presteza e excepcional eficácia, a todos os títulos digno de apoio e louvor. DESTE MODO, DÁ UM BELO EXEMPLO A TODOS OS POLÍTICOS PORTUGUESES, DIGNO DE SER SEGUIDO NA NECESSÁRIA E URGENTE RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA, DAS FINANÇAS E DO BRIO NACIONAIS.

 

                                          Cordialmente, JVerdasca

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CONTINUA ARROGANTE O Gabriel Cipriano

 

De: Carlos Soares - RS - Brasil

Sim!!! Arrogante, desinformado e mal intencionado. Escreve pelo diz-que-disse, de seus amigos socialistas; ele mesmo confessa.

Arrogante, pois não é só você que sabe ler. Nós também sabemos e sabemos interpretar. Suas palavras abaixo dizem o que realmente nos indignou. Não me venha agora com “xurumelas” de que não quis dizer o que disse. Peça desculpa a quem nunca lhe fez mal e fique calado o resto da vida sobre a descolonização, os moradores e cidadãos que ali nasceram,  sofreram e sofrem na carne, assim como,  psicologicamente, ainda por aquela desgraça. Se eu estivesse ainda em Moçambique estaria na linha de frente. junto com as outras família dizendo ao mentiroso Sócrates que me pagasse o que seus amigos socialista me roubaram. Que me pagasse uma indenização por danos  materiais e principalmente por danos morais , que ficaríamos quites. Aqui não é o Estado Português que me deve. Fez uma lei para isso. São os governos que administram  Portugal desde 1975.

Mal intencionado pois que continua lançando ao vento suas opiniões, que de tanto as lançar até já se acha com razão. Cale-se sobre Moçambique ou qualquer outro ex território ultramarino. Fale só dos governos pós 25 A de 1974. Esses você deve estar sendo pago como um mercenário, de algum jeito, para falar bem, pois não acredito que seja de consciência limpa.

 

Esta foram algumas de suas palavras, ridículas se diz serem de uma crônica. Eu classifico de outra coisa. Diria aldrabice cínica e descabida. Uma estória fantasiosa e desconexa.

 

As vitimas do HIV são atendidas pela ONG Médicos Sem Fronteiras e dela participam um considerável  numero de brasileiros, que têm sido incansáveis nesse trabalho, criando soluções para essa grande calamidade.

Resumo geral e pergunta fatal – é este o resultado de nossa colonização ?

Ohhh” mal intencionado? Havia vítimas de HIV em 1974? Fomos nós os portugueses residentes que o implantamos e dessiminamos? Eu afirmaria que é esse o resultado da descolonização de seus amigos socialistas.

Estão aí os números, e quem pode falar deles talvez sejam os ex-colonizadores, que até hoje choram a perda do paraíso colonial” NÓS RESPONSÁVEIS POR ESSES NÚMEROS????????

 

Poderíamos falar que sim!!! Era um paraíso!!! Sabe porquê MAL INTENCIONADO? Por que fomos nós, esses ex-colonizadores que o fizemos com muito trabalho, com investimentos do nosso suor. Foi a nossa casa que construímos, tijolo a tijolo, mesmo que humilde, mesmo que sem pintura. Era o esforço daquilo que almejamos na vida. Foi a moto que compramos a prestações, foi o carro em segunda mão que compramos. Eram os momentos de lazer que usufruímos no nosso  descanso: Junto do mar ou no interior, perto de plantações de bananas, laranjas, ananases, arroz, milho, etc, etc. Paraíso quando por falta de carne de vaca pegávamos uma espingarda e caçávamos alguma gazela para sustento até daqueles que trabalhavam conosco. Aproveito aqui para deixar meu abraço a todos os Serras Pires que conhecíamos e que meu avô e meu pai tinham amizade, lá na Beira. SIM ERA UM PARAÍSO ATÉ PARA TODOS OS NATURAIS, MESMO DURANTE A CHAMADA GUERRA COLONIAL. COMBATÍAMOS OS TERRORISTAS OU NACIONALISTAS COMO QUEIRA CHAMAR – NUMA PARTE DO TERRITÓRIO -,  MAS NÃO O POVO. ESSES SEUS GOVERNOS QUE TANTO DEFENDE NOS DEIXARAM À SORTE A NÓS EX-COLONIZADORES E PRINCIPALMENTE AO POVO HUMILDE DE DIFERENTES TRIBOS E ETNIAS QUE APÓS O 25 DE JULHO DE 1975 FORAM MASSACRADOS NUMA GUERRA E MASSACRADOS ESTÃO SENDO PELO VIRUS DO HIV.

 

Meu pai é falecido. Minha mãe de 81 anos recebe uma pensão de pouco mais de 200 Euros, nem  dá para pagar o aluguel do apartamento em que vive. Minha irmã está desempregada, neste seu governo medíocre, mentiroso e corrupto de Sócrates.  Seu marido é que as sustenta com a reforma de mecânico.  Minha sobrinha trabalha arduamente para pagar o aluguel do apartamento.

 

Seis anos trabalhamos na construção de Cabora Bassa. Ali fizemos um trabalho social. Inicialmente às minhas  custas: fundei um clube que se chamou União Desportiva e Recreativa Cabora Bassa. Fiz muitos eventos desportivos e culturais.

Por isso era um paraíso construído por nós. Você está no Brasil. Não quero nem discutir a suas razões de estar aqui. Hoje deve dizer que está no paraíso chamado Brasil. Felizmente para mim tive a oportunidade de já ter tido 3 paraísos: Portugal na infância, Moçambique na juventude até 30 anos e agora Brasil. Quantos você teve? Não precisa responder...

 

Este senhor ironiza os portugueses que eram sãos e que foram combater, por nacionalismo, usando armas que matam , mas não ironiza os “nacionalistas” moçambicanos que nos combatiam com  arma, ou   eles  o faziam com FLORES??? Não precisa responder...

 

Finalizando e dando ponto final ao assunto, se enrosque na sua ignorância descabida E NÃO VENHA COM MAIS XURUMALAS.

 

Carlos Soares – português que ama e trabalha pela cultura e o bom nome de  Portugal - Porto Alegre

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