Gabriel Cipriano

DA POLITICA

(de ontem, de hoje e sempre)

GabrielCipriano.RiodeJaneiro

Na escolha dos candidatos às ultimas Legislativas,junho de 2011,dois erros foram  cometidos pelos dois principais partidos políticos portugueses, PSD e PS.

Os Sociais Democratas erraram,  conscientemente, porque sabiam  do despreparo político de seu Secretário Geral,mas sabiam também que ganhariam a eleição com qualquer nome, fosse ele mais experiente, mais jovem, elegante, capaz ou incapaz.

Os Socialista também se omitiram,sabiam da oposição cerrada ao Primeiro Ministro Sócrates,  que vinha suportando vingativa avalanche de acusações de ser o culpado pela crise financeira,quando na realidade esta era fruto da conjuntura internacional,mais especificamente da própria União Européia.

Aconteceu, então o desastre. Passos Coelho virou Primeiro Ministro e na sua inexperiência  montou um governo de coalizão que rumou à direita,por caminhos “tolhidos  de atalhos e curvas fechadas”.

Em discursos  repletos  de zigues-zagues, atropelando  a inteligência e a coerência humanas,a  política e outros fatores  inerentes  à administração publica, o Governo sujeitou o país a dolorosas dificuldades financeiras  em tudo e a todos, principalmente aos mais carentes,aqueles que a vida toda viveram em sacrifício.

Portugal  vive hoje o  drama propalado pelo provérbio popular “casa onde não há pão,todos ralham,ninguém tem razão” e  para tirá-lo desta desastrada situação há, certamente, alguns procedimentos,incluindo-se o drástico mas humano  ato de diminuir a fartura de alguns para minorar o empobrecimento de outros.

Entretanto a,  opção político-social do poder foi deixar os mais humildes sob a tutela da caridade, que humilha, e como as dádivas  resultam  da espontaneidade, estamos  de volta  aos velhos tempos do Estado Novo. A  burguesia é assim mesmo,não se emenda, mantém os vícios e o mau comportamento de sempre Está no sangue e no leite materno que os criou.

Quando a UNIÃO começou a funcionar pensava-se que a Europa seria o grande exemplo da equidade social. Não era, os vícios, os velhos ranços seguem incólumes, sem perspectivas de terem fim.

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Um grupo de 18 membros da Comunidade Luso-Brasileira radicada em Brasilia, liderados por Carlos Manuel Pedroso Neves Cristo enviaram a Paulo Portas um oficio chamando a atenção do Ministro para a importancia da manutenção de uma equipe de assessores junto à Embaixada de Portugal e em que o destaque vai para a importancia da manutenção do jornalista Carlos Fino, Adido de Imprensa, junto à Embaixada de Portugal na capital federal. É este – na integra – o texto enviado.

“Exmo Sr. Ministro de Estado e dos Neg6cios Estrangeiros,

Dr. Paulo de Sacadura Cabral Portas

Os signatários desta carta, membros da comunidade luso-brasileira de Brasilia, reunidos, nesta data, nas dependencias da Associação Comercial do Distrito Federal, vem, muito respeitosamente, dirigir-se a V. Exa. demonstrando algumas preocupações:

1) Conscientes do especial momento que Portugal atravessa, consideramos que esforço de racionalizacão dos gastos publicos deva ser uma prioridade do Estado;

2) No entanto, imaginamos que este esforco se materialize através da otimizaçao dos processos e do aumento da eficiencia dos mesmos, sem prejuizo das ações fundamentais do Estado;

3) Neste sentido, a pura e simples supressão de serviços da Embaixada de Portugal, no Brasil, que estamos assistindo há, pelo menos, cinco anos, não parece corresponder ao principio enunciado anteriormente;

4) Concretamente, constata-se que a Embaixada está, no momento, sem adido das comunidades, sem adido económico, sem adido cultural; além disso, também se encontra vago o posto de agente de promoção comercial, em São Paulo;

5) Anuncia-se, além disso, a saida do adido de imprensa e, talvez, do adido de inteligencia:

6) Embora fato sazonal, a Embaixada está, desde agosto de 2011, sem Embaixador;

7) No tema cultural, que está na essencia do evento “Ano de Portugal no Brasil” , a ausência de urn interlocutor oficial familiarizado com ambiente cultural e institucional brasileiro poderá resultar em outros prejuizos;

8) Neste ano de 2012, em que será iniciado o evento “Portugal no Brasil”, pensamos ser particularmente importante, nas relações de Portugal com o Brasil,il, relações essas cada vez mais focadas em objetivos económicos, com niveis de investimento, de lado a lado, importantes, uma ausencia do Estado, como promotor e coordenador deste evento preocupa-nos sobremaneira;

9) No dominio da cultura, da educação, da ciencia, da tecnologia e da inovação -a economia criativa – poderemos buscar uma lucrativa parceria entre os dois paises, onde não podemos esquecer a determinação do governo brasileiro de enviar 100 mil estudantes ao exterior, o que já está a despertar grande , interesse por parte de universidades lusas;

10) Consideramos mesmo que as dificuldades que Portugal atravessa hoje, em termos económicos, em decorrência da crise que está a assolar a Europa, apontarn para a conveniencia da intensificação de parcerias entre ernpresas portuguesas e brasileiras.

Carlos Fino – Adido de Imprensa

11) Considerarnos que a função desernpenhada pelo adido de irnprensa, tern enorrne importancia e tern sido desernpenhada corn urna relação antiga e amadurecida corn a midia brasileira. Urna substituição, neste rnornento, do seu titular poderá gerar enorrne prejuizo:

 12)  Para alem disso, a sua saida iria certarnente traduzir-se num ainda rnaior apagarnento da projeção portuguesa no Brasil. Falarnos do site/portal e do blog da Ernbaixada, do projecto de realizar uma nova serie Portugal-Brasil entre estações de televisão dos dois paises, de urn projectado encontro Media/Negocios, do “matchrnaking” das empresas de cornunicação, de urn programa semanal de radio, da divulgação de eventos, etc …

13) A área de turismo, onde se verificou, nos últimos tempos, um significativo aumento de fluxo, além de vultuosos investimentos, ainda temos um vasto campo de atuação, por exemplo no campo de formação de profissionais, onde Portugal tem reconhecida excelencia.

14) Finalmente, o fluxo de jovens imigrantes portugueses altamente qualificados, na ordem de cem mil, em 2011, que hoje chega ao Brasil, representa um capital humano que deverá ser levado em consideração futuramente na organização do Ano de Portugal no Brasil, assim como enquanto legitimos destinatários da representação extema de Portugal no Brasil.

Senhor Ministro, temos, entre nós, profissionais, empresários e servidores publicos envolvidos nos temas citados, alguns engajados na formulação e no desenvolvimento de projetos que serão apresentados a V.Exa. oportunamente. Temos toda a disposição para servir, a um só tempo, a Portugal e ao Brasil, mas precisamos do apoio, da coordenação e da intermediação de diplomatas, neste mister.

Olhamos, Senhor Ministro, para a politica recente do Brasil e nos regozijamos em ver previlegiado o investimento público, mesmo com as dificuldades e com as assimetrias estruturais deste pais.

Aceite, Vossa Excelencia, os nossos protestos de estima e de consideração,

Carlos Manuel Pedroso Neves Cristo e mais 17 assinaturas

Publicado em: Portugal sem Passaporte

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João José Brandão Ferreira

OS ESPAÇOS ESTRATÉGICOS DE INTERESSE NACIONAL

 

João José Brandão Ferreira

     TCor/Pilav(Ref)

 

Introdução

“Por meios indirectos descobrir direcções para actuar”

Shakespeare – Hamlet

Acto II, Cena I

 

            A perda dos últimos territórios e populações que nos restavam da extraordinária expansão marítima dos portugueses marca, indelevelmente, o fim de um ciclo da História de Portugal e o início de um outro.

                        Dissemos “os últimos territórios”, mas queremos corrigir a imprecisão: os arquipélagos dos Açores e da Madeira não estão incluídos, pois escaparam à amputação registada, querendo-nos reportar ao Tratado de Alcanizes de 1297, que estabeleceu em termos de Direito Internacional a configuração do território continental português. Neste âmbito, porém, não podemos ignorar a usurpação do território de Olivença e seu termo, ocupadas ilegalmente pela Espanha, desde 1807, sem dúvida desde o Tratado de Viena, de 1815

            A alienação de Cabo Verde, Guiné, Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Macau e Timor conhecida em certos meios como “Descolonização”, nos idos de 1975, bem como o reconhecimento “de jure” por parte do Estado Português, da soberania da União Indiana, sobre Goa, Damão e Diu – que resultou de uma inconcebível agressão militar por parte daquele país – podem e devem ter, uma leitura política e outra estratégica. A junção de ambas temperadas com os restantes “aports” de índole sociológica, resultará, um dia, depois de filtradas as perturbações ideológicas e interesses individuais ou de grupo, na versão equilibrada da História de todo este período da vida nacional.

                        Hoje vamos ater-nos à leitura estratégica, pois é esta que está directamente ligada ao título e objectivo da palestra, sem esquecer, por óbvio, que a estratégia está sempre a jusante dos objectivos políticos traçados - embora os possa condicionar, juntamente, com a geopolítica e a geoestratégia.

            Sobretudo torna-se necessário tomar consciência e meditar nas consequências dos eventos então ocorridos, durante o período temporal iniciado com o golpe de estado de 25 de Abril de 1974, que se prolongou até 25 de Novembro do ano seguinte, mas que só terminou verdadeiramente com a independência de Timor e a incorporação de Macau na soberania chinesa.

            Ora o ocorrido – independentemente dos juízos de valor que se possam fazer - a tal leitura política – teve incontornáveis efeitos estratégicos e geopolíticos da maior gravidade. O primeiro tem a ver com a perda, num curtíssimo espaço de tempo, de 95% do território e cerca de 60% da população onde flutuava a bandeira portuguesa.

            Da presença em quatro continentes e três oceanos e fronteiras com 14 países, passámos à velha definição de Zurara: “Por um lado nos cerca o mar e por outro temos muro no Reino de Castela”. Podemos englobar esta factualidade no âmbito das consequências “materiais”.

            Porém, esta perda material e o modo como tudo se processou, veio a causar um profundo trauma psicológico na população portuguesa (seguramente pior do que a perda do Brasil!) por ter atingido profundamente o esteio identitário da nação e a sua auto-estima. Este particular representa o âmbito espiritual da questão, o mais importante de todos.

            Tudo isto associado às vicissitudes sociais e políticas, entretanto ocorridas, tem inibido, até hoje, que se faça uma discussão verdadeiramente livre e pragmática de todos os eventos, que ajude a nação a fazer as pazes consigo própria e permita que as elites das diferentes áreas da vida nacional, enfrentem o futuro e possam conduzir o país em trilhos adequados e seguros. Nada se poderá fazer de positivo sobre bases falsas, interpretações erradas ou preconceitos pessoais ou de grupo.

            É o nosso futuro como país, que pretendemos independente, o seu devir colectivo, que está em causa.

            E é nesse âmbito que se torna imperioso tratar dos espaços de interesse estratégico para Portugal e as principais estratégias a neles desenvolver. É esse o nosso objectivo.

 

 

A Sociedade Portuguesa de 1974 ao Presente

“Uma Nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma e prepara a sua própria queda.”

Rui Barbosa

 

            Em termos sociais e políticos a Revolução que se seguiu ao golpe de estado ocorrido em 25 de Abril de 1974, foi como se o paredão de uma grande albufeira tivesse explodido: a água jorrou fora, em catadupas invadindo as margens de uma forma anárquica.

            Quando, muito a custo, após 25 de Novembro de 1975, se conseguiu voltar a colocar a água (isto é, o povo e os políticos) dentro do leito do rio – uma sociedade organizada em Estado/Nação – decretou-se oficial e oficiosamente, que o dito leito não voltaria a ter margens ou tendo-as, seriam muito flexíveis. E quanto a “barragens” estávamos conversados, eram passado e negro.

            Foi a época de grandes mudanças comportamentais, de querer experimentar tudo e de tudo ser posto em causa.

            As convenções sociais quase ruíram, as instituições nacionais foram seriamente abaladas, a disciplina social anarquizou-se.

            A estrutura familiar, o ensino e a vida nas empresas foram sacudidas por uma agitação avassaladora. Ruíram conceitos e preconceitos e o que era bom ontem, passou a mau hoje. Ficou tudo baralhado de referências.

            A situação mais gravosa que adveio – se assim se pode qualificar – foi a tábua rasa que se fez da hierarquia: a hierarquia na política, nas FAs, nos órgãos do Estado, nas empresas, nas escolas, na família. Falhada a tentativa de, sobre estes escombros, instalar um regime totalitário, ficámos assim.

            Ora a hierarquia é fundamental para manter uma disciplina e originar uma ordem. É um requisito para haver autoridade. Ficámos, pois, sem autoridade, ou seja sem a capacidade de poder decidir e de implementar decisões sobre todo o largo espectro da vida nacional.

            As leis que se fizeram espelharam toda esta situação, e ainda espelham.

            Toda a gente achou, a começar nas forças políticas que despontaram um pouco por todo o lado, cujas mensagens eram ampliadas extraordinariamente pelos “media”, que o futuro seria cor-de-rosa e que todos os cidadãos tinham direito a ser bafejados com essa cor. Daqui nasceu a “ditadura” dos direitos sobre os deveres, o que também ficou consagrado nas leis, desde Constituição da República ao Código Penal, dos Regulamentos das Escolas ao Código do Trabalho. Restou apenas uma excepção: os regulamentos militares mas, à custa de muita insistência lá os conseguiram, também, esfarelar.

            Nem os seminários escaparam…

            A pouco e pouco (levou cerca de 10 anos), a situação foi normalizando, os excessos mais extremos foram burilados e os diferentes sectores da sociedade foram-se adaptando às mudanças ocorridas. A demagogia da luta política/partidária manteve, sem embargo, o excessivo predomínio dos direitos sobre os deveres, o laxismo na instrução e no aparelho judicial e a conflitualidade nas relações de trabalho.

            Acabou-se com o serviço militar obrigatório (um erro trágico) e com qualquer espírito de serviço à Nação. O único dever que restou foi o de pagar impostos!

            Por outro lado deixaram de fazer escola, um conjunto de preceitos morais, como honradez, lealdade, solidariedade, esforço, poupança, probidade, prudência, etc., que eram enformadores da sociedade.

            A boa educação degradou-se e o esbatimento da “censura” social desregulou e desbragou a vida do dia-a-dia.

            Tudo isto aumentou os níveis de insegurança, criminalidade e falta de vergonha.

            O atraso no desenvolvimento do interior do país, e a atracção do litoral, despovoou os campos e as aldeias, ao passo que se criou nas cinturas das grandes cidades – sobretudo Lisboa e Porto, mas também, em Braga, Leiria, Setúbal, Coimbra e outras - uma população sub urbana algo desenraizada e com problemas próprios. Os conflitos gerados nos Palop’s após a independência, a pobreza em largos espaços da terra e o facto de os portugueses passarem a recusar exercer determinadas actividades profissionais, levaram à vinda para Portugal de várias centenas de milhares de emigrantes.

            A situação social voltou a agravar-se há cerca de 10 anos com o aparecimento em força de “temas fracturantes” e também com o ataque à religião cristã, nomeadamente aos católicos, num esquecimento imprudente dos erros da Primeira República.

            Em síntese, podemos afirmar que vivemos uma tentativa de implantação de uma “ditadura ideológica e de costumes”, misto de jacobinismo serôdio da Revolução Francesa e de ideias derivadas (e actualizadas!) do Maio de 68, em França, cuja disseminação é propalada pela maioria dos órgãos de comunicação social (com aumento exponencial a partir das emissões dos canais de televisão privados).

            Em tudo isto abunda o relativismo moral, que virou as referências e o “norte” de pernas para o ar; a Teoria do “Bom Selvagem” inventada há mais de 200 anos pelo genebrino Rousseau, que tem levado a uma desresponsabilização colectiva, e a ideia de não colocar todos os “ovos no mesmo cesto”, o que estilhaçou a autoridade e a capacidade de se obterem resultantes na vida individual e colectiva. Em complemento fomentou-se um individualismo, egoísmo e hedonismo feroz, centrando-se a vida da sociedade e a própria existência, no “eu”. E, claro, de propaganda avassaladora relativa a consumismo.

            Hoje vive-se a correr. Não há tempo para reflectir, nem para abarcar e digerir a complexidade de tudo. O materialismo domina o espírito.

            Não é só a economia e as finanças que se pretendem globais. A informação já o é, e verte sobre todos nós dilúvios de notícias. Tudo condiciona tudo.

            É uma sociedade neste estádio, de que apenas tentámos dar um retrato breve, em que todos teremos de obrar o futuro e as estratégias que se conseguirem delinear. Sem entender isto e ter tudo isto por base, não se obterá sucesso em nada.

            A crise económica e financeira internacional, que se estará a abater sobre nós, actualmente no seu clímax, vai obrigar a repensar toda a nossa maneira de ser e estar.

            Há sempre males que vêm por bem.

 

Principais Erros Estratégicos dos Últimos 35 Anos

“A perda de Portugal foi de puro-sangue e, por isso, o ministro espanhol que não pense constantemente na reunião ou não obedece à lei ou não sabe do seu ofício.”

José de Carvalhal y Lencastre (Ministro de Estado ao tempo do Rei Fernando IV, de Espanha)

 

            Os erros políticos e estratégicos feitos após a situação política e social começar a estabilizar nos fins dos anos 70 do século XX, foram muitos, foram graves e foram profundos. E o primeiro de todos eles foi o de não se começar por fazer um estudo da situação avaliando as consequências do pós 25/4 e fazendo um estudo do potencial estratégico que nos restava a fim de traçarmos uma estratégia para o futuro que nos pudesse proporcionar a Segurança, a Justiça e o Bem-Estar (por esta ordem) que permitisse ao País enfrentar o seu devir, de um modo sustentável.

            Deste modo vou tentar elencar, em termos muito sucintos, os principais erros efectuados, agrupados em diversos âmbitos.

            Âmbito Psicológico

            O terramoto político e social porque passámos, provocou um corte traumático com o passado;

            Por outro lado desarmou-se psicologicamente a população para a Defesa da Pátria (agora seríamos amigos de todos e todos seriam nossos amigos; e se houvesse algum problema lá estaria a NATO para nos defender...); e também para o trabalho e os sacrifícios (sem guerra, sem ditadura, sem exploradores), a Justiça e o bem - estar ia ser uma realidade para todos e depois de entrarmos na CEE, esta adesão garantia, só por si, a abundância e o Sol na Terra.

            Ora tudo isto veio-se a revelar serem novos “fumos da Índia.

            Âmbito Político

            A Lei Fundamental do País – a Constituição da República – está eivada de erros, os quais têm sido corrigidos muito devagar tendo-se, na última revisão, agravado extraordinariamente a nossa individualidade, ao passar o primado das leis para Bruxelas.

            O Sistema Político que se montou tem-se revelado cheio de deficiências e inadequações e os actores políticos têm -se, até hoje, recusado obstinadamente a discutir a melhoria do sistema - o que representa a própria negação da Democracia.

            Adesão à CEE sem o país estar preparado para tal e sem referendo que, dada a importância da decisão, se justificava plenamente.

            Âmbito da Soberania

            Desvalorização constante das funções do Estado relativas à soberania, nomeadamente as FAs, a Diplomacia e os Serviços de Informação.

            As Forças de Segurança, aumentaram desmesuradamente mas a sua eficácia deixa muito a desejar porque simultaneamente deixou-se invadir as mesmas de uma miríade de sindicatos e associações; retirou-se-lhes autoridade e os tribunais não conseguem julgar adequadamente os processos que lhes chegam.

            Âmbito da Justiça

            Pura e simplesmente não é eficaz nem eficiente e está perfeitamente desajustada para a sociedade em que deve actuar. A “justiça” deixou de ser o estádio a atingir, e passou a ser um simples exercício deletério do Direito.

            Âmbito Económico

            Abandono do Mar em todas as suas vertentes

            Abandono do sector primário

            Reconversão muito lenta do sector industrial

            Grande dependência do exterior a nível energético

            Alienação por parte do Estado de número considerável de empresas “estratégicas”.

            Âmbito dos transportes

            Aposta nos “TIR” em vez do caminho-de-ferro

            Excesso de auto-estradas

            Gestão ruinosa do sector de transportes do Estado

            Portos e aeroportos pouco competitivos

            Transportes marítimos quase inexistentes

            Âmbito Financeiro

            Privatização pouco cuidada de instituições financeiras

            Crédito desregulado

            Falta de estratégia clara para o apoio à Economia

            Completa incapacidade (induzida ou real), dos órgãos reguladores do sistema financeiro em preverem o futuro

            Adesão ao Euro sem o país ter condições para tal e, novamente, sem referendo.

            Âmbito Social

            Envelhecimento da população e demografia negativa (um problema gravíssimo de que ninguém quer falar)

            Relativismo Moral galopante, acompanhado de temas fracturantes

            Ditadura dos direitos sobre os Deveres

            Crescente insegurança, corrupção e materialismo.

Assimetrias graves na distribuição da população pelo território.

   Passemos, então, ao cerne do nosso tema, os

           

Espaços Estratégicos de Interesse Nacional (EEIN)  

 

“É necessário haver Armadas no mar que guardem as nossas costas, paragens, e nos assegurem dos sobressaltos que podem vir pelo mar, e são mais suspeitos que os de terra”

Padre Fernando Oliveira

 

            A importância do “espaço” foi teorizada no seio da Geografia Política e, mais tarde, pela geopolítica, a ciência que relaciona os acontecimentos políticos com a geografia.

            Os elementos que se podem considerar mais estáveis, da geopolítica são, justamente, a geografia e o carácter do povo. A geografia não muda – vivemos, portanto, numa “ditadura” geográfica – e o carácter do povo, muda muito devagar, quando muda.

            A relação entre o espaço e a actividade humana é, pois, o cerne da geopolítica. Deste modo o controlo de um espaço terrestre, marítimo ou aéreo, representa um poder potencial, pronto a transformar-se em Poder. Quanto maior o espaço, maior o poder. E o poder – o poder efectivo – é aquilo que, em primeira instância, condiciona ou influencia, as relações internacionais e garante a sobrevivência dos povos politicamente organizados.

            O espaço deve, pois, encarar-se sob uma perspectiva dinâmica que o torna um vínculo geográfico de um qualquer poder inserido num quadro geopolítico de referência, e um cenário estratégico vigente. O espaço e o homem estão ligados por uma relação telúrica que se vai desenvolvendo ao longo do tempo, com o evoluir das diferentes comunidades. Daí a força que atrai os homens a virem acabar os seus dias nas terras que lhes deram berço, ou onde os laços afectivos se tornaram mais intensos.

            O conceito de “espaço” pode ser decomposto em três dimensões:

            * Uma dimensão horizontal que abrange a extensão, localização, morfologia, clima, geologia e recursos naturais;

            * Uma dimensão vertical, que é consequência da actividade do próprio homem e do seu relacionamento com os factores sociais (demografia, economia, cultura, tecnologia, etc.);

            * Uma dimensão temporal que resulta da interacção das componentes anteriores.

            É dentro destes “espaços” que uma entidade política define os seus objectivos, defende os seus interesses, orienta a suas estratégias e projecta a Ideia que tem de si mesma, relativamente a outras unidades políticas. Tudo isto para alcançar as “aspirações utópicas” do estado moderno, a saber: a Segurança, a Justiça e o Bem - Estar – por esta sequência, já que a ordem dos termos não é arbitrária…

            Os actores políticos principiais, do mundo contemporâneo, ainda são os estados-nação, seguidos das organizações internacionais para o desenvolvimento económico e de segurança. Para regular e resolver os diferendos entre eles, que podem surgir de conflitos de interesses, existe a Organização da Nações Unidas, que se pretende seja a principal fonte do Direito Internacional.

            Infelizmente a eficácia prática deste organismo tem deixado muito a desejar, não sendo raro que os conflitos se dirimam à sua margem e, ou, pelo “direito da força”.

            Finalmente, é necessário ter em mente a “aceleração” do tempo histórico e o avanço tecnológico, que originou uma contracção da componente temporal do espaço, uma globalização das actividades e a possibilidade de se tomar conhecimento de qualquer evento, em tempo real, a qualquer hora e em qualquer parte do globo.

            O território nacional ocupa, em termos de extensão a 108ª posição entre os 192 países existentes, entre a Hungria e a Jordânia (192 países que fazem parte da ONU, 203 na totalidade – dados referentes a Fevereiro de 2008).

            Já relativamente ao PIB per capita, Portugal encontra-se (a dados de 2009), no 35º lugar, ao passo que na lista do índice de desenvolvimento humano, aparece na 28ª posição.

            Mas se ao território, juntarmos o mar português (águas territoriais mais ZEE), Portugal salta para o 11º lugar a nível mundial! E se considerarmos o espaço ocupado pela ZEE proporcionalmente ao território terrestre, o nosso país passa para 1º lugar no mundo, se excluirmos alguns micro estados insulares.

            Deste modo podemos avaliar a importância do mar em termos de segurança, desenvolvimento económico e de liberdade e flexibilidade estratégica, para o presente e futuro da Pátria portuguesa.

            Por EEIN entende-se toda a superfície terrestre, marítima e aérea que possa ser relevante para os interesses nacionais, quer seja no âmbito da soberania, segurança (incluindo defesa avançada), económica ou de projecção de poder ou influência. Não deve, pois, falar-se de “espaço” mas sim de “espaços”, que podem ser contíguos ou não, mas cujas valências devem ser complementares. Às eventuais superfícies marítimas e aéreas que possam existir entre o EEIN, chamar-se-á de “espaço interterritorial”.

              O núcleo “duro”, se assim se pode chamar, do território nacional é constituído pelo Continente (89000 Km2), o Arquipélago da Madeira (800 Km2), o Arquipélago dos Açores (2300 Km2), e o espaço aéreo e marítimo adjacente de soberania plena que vai respectivamente da superfície até à Tropopausa (cerca de 50000 pés, ou 17 km) e 12 milhas na perpendicular da linha de costa. A tudo isto deve juntar-se a Zona Económica Exclusiva (ZEE) (200 milhas náuticas de mar na perpendicular da linha de costa; e as Regiões de Informação de Voo (FIR), de Lisboa e Santa Maria. Tanto a ZEE como as FIR representam áreas de soberania não exclusiva, abrangendo a primeira uma área de 1.700.000 km2 – a maior da UE – sendo a extensão das FIR de, respectivamente, 683.683 km2 e 5.126.635 Km2.

            A tudo isto se deve acrescentar o alargamento da Plataforma Continental (PC), que não é mais do que a extensão da ZEE das 200, para as 350 milhas náuticas, o que alargará a área imersa de interesse nacional em mais 2.150.000 km2.

            Este alargamento já foi submetido à ONU, aguardando-se a sua autorização, o que terá força de lei no Direito Internacional.

            Desta forma, a união dos três núcleos do território nacional e áreas adjacentes constitui o conhecido “triângulo estratégico português” constituindo, por isso, um EEIN fundamental no âmbito da identidade e individualidade nacional, onde se inclui a segurança e defesa das linhas de comunicação marítima e aérea.

            Neste momento é mister introduzir o actual conceito de fronteira, ou de fronteiras.

            Destacamos:

            A fronteira da Soberania é aquela que, desde sempre, coincidia com as fronteiras de cada entidade política. Representava o seu território, aquele que, no mais das vezes, resultou de inúmeros conflitos, guerras e tragédias, acordos políticos e muito sangue derramado. É aquele que por norma os povos e os seus representantes consideram o seu “santuário”. Por ele, os homens morrem, pois é considerado de importância vital e inegociável.

            A fronteira da Segurança não se limita, porém, à fronteira da soberania pois está para além dela, ou muito para além dela, dependente dos recursos, meios e ameaças existentes. A fronteira da segurança tem a ver com a desejabilidade de se poder detectar, identificar e interceptar (combater) as ameaças o mais longe possível das nossas fronteiras naturais. A”extensão” desta fronteira variará com as ameaças eventualmente identificadas e previsíveis e o seu grau de letalidade, bem como com os meios disponíveis para lhes fazer face.

            Seguindo esta lógica, sobretudo para os pequenos países/potências, identificadas que foram interesses comuns e, ou, ameaças comuns, faz todo o sentido a criação de alianças, que permitam e potenciem uma melhor protecção mútua.

            A construção de um conjunto de solidariedades entre países ajudará à coesão das alianças, mas ninguém se deve iludir que tal, por si só, não se sobreporá aos interesses de cada país. Ignorar esta realidade é preparar o caminho para ter grandes “desgostos” nas relações internacionais. Cada país tenderá, também, a criar e manter o máximo de autonomia possível dentro de cada aliança.

            A fronteira que se segue é conhecida pela fronteira dos interesses. Estes interesses podem ser os mais variados, desde os económicos aos estratégicos, dos culturais à influência política. Esta fronteira raramente coincidirá com a fronteira da segurança. Fora da fronteira da segurança, abre-se a competição em todos os âmbitos e com a tecnologia e globalização actuais, não há “fronteira” para esta fronteira. O conjunto destas fronteiras leva, por sua vez, face aos antagonismos e interdependências existentes, a que se possam identificar áreas em que registam elos fracos no conjunto dos interesses de cada país são as fronteiras das vulnerabilidades.

            Em grau diferente todos os países dependem de todos e ninguém se pode considerar auto-suficiente. E no mais das vezes a linha que se para a estabilidade da fragilidade é assaz débil...

            Finalmente a “permeabilidade” de todas as fronteiras e o grau de desenvolvimento tecnológico e da letalidade de armamento, explosivos e diferentes agentes químicos, biológicos e radioactivos torna a disrupção da vida normal na sociedade, relativamente fácil, considere-se o caso do terrorismo internacional.

            Por fim, o grau de ameaças que cria todo o tipo de vulnerabilidades e o seu grau de perigosidade, pode extravasar os actores políticos da cena internacional para poderem pôr em causa o próprio equilíbrio natural do mundo como o conhecemos. Se a isto juntarmos o continuado aumento da população, a sobre exploração dos recursos naturais e a “agressão física” ao planeta e à atmosfera que o envolve, podemos colocar em causa o delicado eco - sistema em que vivemos. Ou seja esta é uma fronteira global, sendo a responsabilidade de a “defender” de todos os humanos.

            E sendo a terra, para além dos animais e plantas, justamente habitada pelos humanos há que considerar uma última fronteira, chamada da solidariedade. Não é uma fronteira física e não é possível definir os seus limites. Mas é uma “fronteira” que é necessário criar a todo o momento para se poder acorrer às diferentes desgraças que sempre se abatem sobre o globo. Esta fronteira não se limita à solidariedade, digamos que não é apenas filantropia, já que, cumulativamente, ou em primeiro lugar, se destina a aliviar as injustiças e desgraças várias que podem fazer revoltar diferentes camadas de população, transformando-as, assim, em ameaças à segurança colectiva. O desespero nunca foi bom conselheiro.

                                                       *****

A definição dos EEIN deve derivar do Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN) deve dar origem ao conceito Estratégico Militar (CEM) e aos conceitos estratégicos dos outros ministérios que, até hoje, nunca foram formulados – o que constitui uma vulnerabilidade acrescida.

            O CEM articula-se então, após análise geopolítica e geoestratégica do todo nacional – nas potencialidades e vulnerabilidades, na caracterização das ameaças previsíveis e no conceito de acção militar. Do CEM derivam as missões, o dispositivo e o sistema de forças (militares)

            O CEDN já há muito deveria ter sido revisto para se transformar num Conceito Estratégico de Segurança Nacional (CESN), tornando assim o conceito mais abrangente e multidisciplinar.

            Por outro lado o actual CEDN aparenta ser muito prolixo e genérico na definição de opções estratégicas, querendo “tocar” em muitos âmbitos, em simultâneo, com a consequente dispersão de meios e sem definição clara de prioridades. Algo que tende a dar para tudo resulta, normalmente, consequente em nada…

            Inexplicavelmente o CEDN não se refere à Aliança Inglesa que - recorda-se – é a aliança política e de defesa mais antiga em todo o mundo e que está em vigor. Mais ainda, é a única organização internacional, exceptuando agora a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que integramos e a Espanha está ausente, o que não deixa de ser uma realidade geopolítica e geoestratégica relevante.

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S.Potencio

A VACA DA MADRE SUPERIORA !?

De: Silvino Potêncio

"O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós "(Jean-Paul Sartre)

Contar piadas, anedotas, chistes, causos e casos, estórias do arco da velha!... e da nova literatura é uma arte. - Escrevê-las é um trabalho que exige criatividade. Exige concentração no meio em que se desenvolve a ação, o enredo é fundamental mas não se deve deixar enredar o tema numa descrição complexa da ação e/ou do desfecho final, como objectivo redundante.

O riso é algo natural que deve nascer de dentro da alma... rir à toa é doidice,... rir forçadamente é sacrifício ou simples conveniência. Rir com vontade é saudável... faz bem ao ego, aquece o espirito e predispõe a uma vida melhor a cada novo dia.  

Muitas vezes esse desfecho depende da inteligência interpretativa do leitor, do ouvinte, do espectador e não da essência da situação em si.  

Desde há muitos anos a esta parte nós escrevemos sob um esteriotipo assentado no caricato da situação por mais sério que o tema possa parecer, há sempre um acto falho porque ninguém é perfeito e, na língua Portuguesa, como também nas demais línguas que conhecemos, ainda que de leve, há sempre “pano para mangas”!... quais mangas? ...e qual pano?

Na interpretação simples, podemos fazer daqui deste provérbio várias derivações... mangas são as partes da roupa que cobrem os braços e isto é associado ao pano.

Todavia temos mangas de camisa, mangas de casaco, mangas de eixo, mangas de capote! e... por falar em “mangas de capote” me vem à lembrança o prato mais comum servido nas refeições do exército no início do século vinte, quando o Governo da Répública Portuguesa mobilizou e deslocou vários contingentes militares para as Ilhas,  numa clara intenção de levar para lá o Governo de Lisboa, caso a invasão Alemã se concretizasse com o apoio e condescendência dos nossos sempre apoiantes “muy amigos hermanos Ibéricos”... (ai que saudades do meu Tio Mário que Deus já lá tem... quando ele me contava as “estórias” dele durante dois anos que ficou nos Açores a comer “mangas de capote”!... aquele macarrão largo estriado que se servia com pedaços de carne para suprir as calorias e proteínas pedidas pelo corpo em constante treinamento e desgaste físico!).

É famosa a frase do General Inglês ao analizar o estado físico das tropas Portuguesas durante a sua visita ao “front”... estes homens precisam de mais calorias!... ao que o nosso General respondeu de imediato!--- Eles precisam é de muitas quilorias general; quilorias de batatas, de feijão, “irbanços”!...  muitas quilorias isso sim, é o que precisavam as tropas e o povo de hoje e sempre!

Naquela Europa dos anos 30 antecedentes à grande Guerra que mudou o Mundo pelas décadas seguintes, e precedente da nossa desastrosa ainda que honrosa participação da Primeira Grande Guerra Mundial (1914 – 1918) alguém teve a inteligência suficiente para continuar a governar Portugal de Lisboa e para todos os Portugueses, incluindo os Portugueses de Além-Mar.

- A ver vamos se neste momento cruciante da Grande Guerra Financeira que aí está!... haverá coragem para mobilizar Portugueses suficientes para travar o avanço da invasão estrangeira aos nossos recônditos fundos de colchão onde ainda restam alguns poucos... muito poucos, valores patrimoniais para resistir à crise!

É isso o que nos estão a fazer!... Só que o Conde Andeiro de hoje não vive em Lisboa e sim em “Bruxo Elas”...

O Povo de Portugal, na sua maioria produtiva não vive na “santa terrinha” mas sim na estranja... e isso são valores que os governantes não evitaram, antes pelo contrário incentivaram ao longo destes quase 38 anos de política e políticos desenfreados, feitos autênticos cavalos com o freio nos dentes, eles avançaram em “passo de corrida” na direção do mar sim!... mas não para navegar para as Ilhas e sim para afundar o Estado num mar de dívidas que ninguém quer e não tem como pagar!... mas, voltemos ao tema desta crônica: porque escrevemos o que escrevemos?!

  

Qualquer palavra ou verbete composto e mais ou menos seja aqui profundamente elaborado, nos serve de base para o cenário da hipotética construção de um momento de diversão em substituição ao conhecimento técnico-científico-filológico da obra em si mesma.

Tenho em compêndio (rascunho virtual) inúmeras situações descritas, umas mais elaboradamente descritas em várias páginas que se pretendem prender o leitor ou espectador ao efeito final, e outras na sua maioria são mais simples!

- Estas teem efeito imediato.   

 - Para amenizar este depoimento mais ou menos hilariante para a hipotética partida do poder em direção às Ilhas em busca de um Porto Santo (não corrompido nem infestado de novas mentalidades Pan Europeistas) em contraste com as águas turbulentas que nos chegam de lá do Mar do Norte Europeu momentaneamente desnorteadas e misturadas pelos detritos do “lixo” financeiro agora tão em moda global, nós  deixamos-vos hoje uma simples despedida da Velha Madre, que bem poderia ser uma Nova Maria da Fonte!

 

História da Madre Superiora...
 
A Madre Superiora, já velha, com cerca de 98 anos,... quase sem!... estava a morrer no seu leito do convento.
As irmãs do convento, todas chorosas em torno dela, ali se reuniram tentando confortá-la sua derradeira viagem que, como sabemos é inexorável ao ser humano por mais desumano que ele tenha sido em vida.
Tentaram
dar-lhe leite morno, mas não quis!...

Uma irmã estava amornando um copo de leite (em banho Maria... até hoje não entendemos porque se chama Banho Maria se a Freira tinha um nome diferente, hein, hein!?...)  e lembrando-se ela de uma garrafa de wisky que lhes tinham dado como presente para o Natal, ela deitou um cheirinho generoso no leite.

(depois que conhecemos esta história nunca mais dispensamos um bom cafezinho com um “cheirinho” bem generoso!... pode ser ukisco pode ser um Ko nhac, pode até ser uma augardente do alambique do Ti Africano que havia lá na ‘nha terra, carago!).

A Freira voltou para junto da cama da sua Madre Superiora e ela levou o copo à boca.
A Superior tomou um gole,... depois outro, e mais outro.

-Antes das irmãs perceberem, a Madre Superiora já tinha
acabado de beber o leite até à última gota!...
 As irmãs imploraram:
- Madre Superiora!!!, dá-nos alguns conselhos, uma última palavra de sabedoria antes de morrer...
Com pouca força, a Madre Superiora sentou-se um pouco e disse:
- Não vendereis a vaca  NUNCA!!!...

- Silvino Potêncio/Natal-Brasil – 

Emigrante Transmontano em Natal (Brasil)

formado em "rábulas" pela faculdade hilariante da diáspora transmontana.  

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Gabriel Cipriano

OS BASBAQUES (1)

GabrielCipriano. RiodeJaneiro

Lendo crônica do professor Verdasca´publicada aqui no espaço da emigração,versando  sobre as sociedades que formam o bloco EUROPEU, tivemos a ideia de criar e desenvolver um tema, que de há muito nos seduz  e que também diz respeito à esperteza humana.

Desculpamo-nos diante do autor, se este vier a considerar nosso trabalho um plágio, porém, juramos que, a nosso  ver, não é uma cópia de sua análise e,sim, um pressuposto paralelo.

__________________________________________________________________________________

 

Antes de MOISÉS a humanidade já se agrupava em lotes: Reis e Fidalgos, a nata; súditos e exércitos, a massa,também conhecida como  ralé.

Mais tarde,  outros grupos  apareceram: Imperadores, burgueses e Generais, OS BASBAQUES

o poder; exércitos e trabalhadores, a ralé, que continuou e perdura até hoje à margem,sendo que,  agora, qualificada por camadas especificas  -  operários, agricultores,executores e outras espécies de trabalhadores.A estes,juntaram-se também  os vagabundos, e todos são reconhecidos como povo.

 

Com a evolução da espécie e das regras, estes agrupamentos foram ficando  mais distintos e sofisticados,seletos, separados e foi aí que,  atores e atrizes, músicos e cantores, poetas,escritores e pintores, aqueles, dos quadros  vendidos  em  leilões, por quilométricos milhões,se uniram e formaram seu isigne grupo,vistoso,extremado.

Ao  lote incorporaram-se os da Bola e a padroeira midia,que diariamente inventa,cria,nomeia muitos outros santos,consagrando-os,enfia-os goela abaixo dos basbaques.

Neste agrupamento ainda devemos citar os empresários do setor publicitário e todos os gananciosos que, juntos e vaidosos, formam o contingente dos amados e cortejados,não obstante seu velhaco comportamento em relação à origem da abundância financeira que os locupleta, numa acintosa fartura.

 

Mas os basbaques não são vitimas desprotegidas.Eles se submetem por vontade própria à extorção,quando aceitam pagar a conta,incorporada  no esquema  publicitário,que onera os preços dos produtos,comprados e serviços, usados.

Tão pouco se importam com os exorbitantes preços dos espetáculos que os bondosos artistas lhes oferecem como distração,muitas vezes  medíocres.

E, é assim,em nome da arte e da cultura que o grupo extremado dos "especialistas"  vive soberanamente.

 

Resumindo,o grupo basbaque,um contingente de muitos milhões de humildes e submissos,espalhados pelo planeta, garantem com seu trabalho e muitos sacrificios a sobrevivência de todos,inclusive  governos, que agravam,a situação  na  cobrança desordenada de impostos e outras falcatruas.

 

Da bola, nem diremos mais, porque aí, além da palermice coletiva, teríamos que apontar a alta dose de ignorância, ditada pela paixão desatinada.

Não é desgraça ser basbaque,desgraça,mesmo, é estes se deixarem seduzir pela  "esperteza humana" que os cerca.

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Gabriel Cipriano: não diga asneiras e safadezas

 Tenho lido seus escritos aqui e nunca vi um  cínico tão grande como vc. É do tipo de pessoa que distorce as verdades para seu belo prazer, principalmente com o cinismo daqueles que têm como base o quanto pior melhor. Veio para o Brasil está no Rio de Janeiro na boa; vai falando do que não sabe e fica botando pose. Sou um  dos espoliados do ultramar – Moçambique – meus pais e eu trabalhamos muito por aquele território e deixamos lá condições para que houvesse milhares de médicos e sem tanta miséria. Você não sabe ou sua pouca inteligência não quer saber  que os brancos em África sempre foram “algodão entre cristais” se eles estão assim foi porque foram levados a isso por seus amigos soviéticos que só incentivaram ao ódio e à destruição. Bom que eles de tanto semear ódio se destruíram a si próprio. Pior foi aqueles de sua laia os abrigaram em Portugal querido, fazendo lá a base da “máfia russa”.

 Quando saímos de lá não destruímos nada. Deixamos lá tudo que fizemos. Para ter uma idéia meu pai construiu uma situação social à base de seu suor, suas lágrimas e seu sangue, como muitos outros o fizeram, Meu pai viveu lá 26 anos sem nunca ter voltado a Portugal nem para passeio. Achava ridículo aqueles que, qualquer tostão amealhado mandavam  para o “retângulo”. Tudo aplicava para o bem estar dos seus e para o progresso de Moçambique,  em Moçambique.

 Portanto não diga asneiras e safadezas de que não sabe. Vc é do tipo de pessoa doutrinada para a maldade das palavras.  Eu sou curto e grosso sem rebuscar na língua portuguesa o que vc merece ouvir. Outros mais letrados o farão com muito mais propriedade. Você um nojo de criatura asquerosa e sem dignidade nem como português. Se enrosque na sua significância.

Carlos Soares – um português que tem orgulho de ser português. Porto Alegre

 P.S. Aos portugueses dignos que lerem estas palavras me  perdoem pelos erros mas estou simplesmente indignado.

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Lourenço Marques 1964

MOÇAMBIQUE

 

GabrielCipriano. RiodeJaneiro

 

Nas últimas semanas temos estado em sintonia com Moçambique. Recebemos pela INTERNET o PDF de uma publicação moçambicana, década 70; lemos reportagem, inserida no PortugalClub, de autoria de Marta Curto, correspondente de matutino Lisboeta e avaliamos matéria publicada por VEJA, a mais lida publicação da língua portuguesa.

A remessa PDF fez-nos saber que Moçambique era uma das nossas colônias de posse de alguma cultura informativa. A Revista em questão reflete  diagramação técnica apropriada, conteúdo atualizado à época, farta publicidade, em suma, uma peça de útil imagem.

A crônica de Marta, propõe-se enumerar as perdas de ex-colonos, citando variados casos, alguns de latifúndios, outros de haveres menos faustosos, cujos donos ou herdeiros, tencionam abordar José Sócrates, na sua visita aquele país, para reivindicar o direito a uma indenização, inclusive já consagrada em lei.

Sobre este item, opinamos que direitos nunca deveriam ter sido sonegados e que, diante dos exemplos de outros países que concederam aos colonos o pagamento dos valores perdidos, seja por nacionalizações e ou outras calculadas decisões, caberia  ao Governo da época sanar esta lacuna.

O relato de VEJA é de outro viés. É um relato de pobreza, miséria,doença, sofrimento humano que nos constrange.

A matéria cita números, alguns de registro, outros estatísticos. Os primeiros nos dão conhecimento da população, 20 milhões, 40% falando português e 60% dialetos; um milhão de crianças não têm mãe, 400.000 morreram de HIV.

Os estatísticos são escandalosos, ferem a sensibilidade dos cristãos e dos ateus também – 15% da população está infectada pelo HIV, a expectativa de vida da mulher é 47 anos, do homem 49; 147.000 crianças estão infectadas pelo HIV e sem tratamento porque 70% das populações vivem em área rural. Moçambique conta com apenas 500 médicos, mas dispõe de um total de 70.000 curandeiros que, no caso da HIV, ajudam a matar as pessoas.

As vitimas do HIV são atendidas pela ONG Médicos Sem Fronteiras e dela participam um considerável  numero de brasileiros, que têm sido incansáveis nesse trabalho, criando soluções para essa grande calamidade.

Resumo geral e pergunta fatal – é este o resultado de nossa colonização ?

Estão aí os números, e quem pode falar deles talvez sejam os ex-colonizadores, que até hoje choram a perda do paraíso colonial.

A jornalista Marta, ao invés de pautar as perdas de meia dúzia, poderia ter vasculhado o território e dizer algo sobre todas estas confrangedoras perdas que geraram tanta  miséria e o estado calamitoso de um povo que nunca foi olhado como gente. Marta escreve para o SOL, e o SOL prefere as acusações ferinas, os escândalos perversos ou então a defesa dos interesses pessoais de seus iguais
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CARDIGOS

Sabias e não disseste?!

 

            Estávamos à mesa do café quando apareceu a nossa amiga. A nossa amiga é uma pessoa que opina muito, e geralmente se aponta como modelo de conduta a seguir. Falámos – ou antes - eu sou mais de escutar - a minha amiga é que falou mais, com a nossa amiga, sobre uma amiga de ambas que pedira à nossa, também amiga dela, que não contasse determinado seu segredo que a nossa não nos transmitiu, nem a ninguém, de resto, presa ao seu juramento quase diria hipocrático, tão solene foi a declaração da nossa amiga sobre a não divulgação dele, nem de nenhum dos que lhe contam, como é habitual nela. Mas, escandalizada, declarou que, apesar de ela o ter calado criteriosamente, o segredo em pouco tempo já andava nas bocas do mundo, o que significava que a sua amiga contara a outras amigas que não se calaram como fez a nossa. E o segredo correu.

Então, eu lembrei que essa história era bem imagem do que se estava a passar connosco, portugueses faladores, que contam uns dos outros e pedem segredo a cada amigo a quem contam e esses contam a outros, pedindo igualmente segredo e a notícia vai-se espalhando, porque somos uns portugueses desocupados, embora de língua não, em coisas comezinhas. Por isso os nossos segredos correm. Como as enxurradas na Madeira.          

A nossa amiga estava indignada também porque soubera que o segredo que julgava só dela, como privilégio especial de amizade, passara a outros ouvidos e chegara novamente a ela, e reforçou a ideia da sua honestidade nisto de não divulgação, contando que um dia, por não ter informado um familiar de uma pessoa que tivera um acidente, fora criticada por esse familiar quando este soube que ela soubera e não lhe contara.

Foi então que a minha amiga ponderou, no seu saber de experiências similares,  que isso acontece frequentemente e exemplificou com a expressão do nosso quotidiano: “Sabias e não me disseste?”  demonstrativo da sua frequência entre nós, que até gostamos de ser compinchas no falatório.

Daí eu ter reforçado a minha opinião sobre as nossas escutas de telemóvel que essas, sim, se expandiram depressa e a uma distância à escala global, envolvendo os segredos do nosso PM, sem lhe darem tempo para ele se aplicar a outras questões mais ponderosas – as da nossa sobrevivência como nação. Todavia, ele também não deve estar muito ralado com a sobrevivência, que isso é complicado - e a dele para todos os efeitos está garantida - porque se submeteu docilmente  à  solicitação de uma comissão parlamentar de ética, em que tem que se demonstrar se neste país de murmúrios e segredos a nossa liberdade de expressão está ameaçada.

E todos nós brincamos agora ao diz-que-disse, de cabeça perdida, com o avolumar da intriga, em entrevistas tribunícias parlamentares soturnas e macaqueadoras inverosímeis, que a televisão nos impinge. “Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?

E afinal, o Catilina somos todos nós.

Berta Brás

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Evónio \ Verdasca (Portela)

SERMÃO  de  DOMINGO

HOMO  HOMINI  LUPUS

(O homem é o lobo do homem = parasita do semelhante)

 

 De: JVerdasca (Lisboa)

Nobres “ouvintes”,

                                cheguei a Lisboa 24 horas após a tragédia que se abateu sobre a metade Sul da Ilha da Madeira, especialmente sobre a sua capital, Funchal.

Como se não bastassem a Portugal os gravíssimos problemas que vêm afectando o seu povo, eis que esta ocorrência veio enlutar quem – de certo modo – já de luto estava; veio empobrecer aqueles que não poderiam ficar mais pobres; veio expor ao tempo aqueles que “desabrigados” já se encontravam; veio, por fim, atingir brutalmente gentes simples para quem a vida só tem oferecido sacrifícios, de vez que nascem, crescem e vivem na pobreza, embora com espírito de sacrifício, com desprendimento, com dignidade, sobrevivendo muitas vezes com uns poucos Euros por dia, sem conforto, com pouca instrução, com reduzidos cuidados de saúde. E digo-vos estas verdades, no dia em que o “Diário de Notícias” revela mais algumas e graves infracções praticadas pelos já famosos administradores da Portugal Telecom (dois), os quais – NOMEADOS PELO GOVERNO E COM SALÁRIOS DE CERCA DE 1.200.000 Euros (um milhão e duzentos mil) por ano, não os teriam declarado ao fisco e ou à fazenda como eram obrigados !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Jamais encontrei a “minha” gente tão deprimida, tão gravemente pessimista, tão profundamente descrente e temerosa do futuro que a espera, tão desesperançosa quanto ao legado que os portugueses deixarão para seus filhos e netos, assistindo-se ao renascer dos lamentos do Velho do Restelo, personagem camoniano da época das descobertas, que acautelava a Nação contra aventuras e riscos que nos poderiam trazer prejuízos e desenganos, o que agora já ocorreu, pelo que fiquei sem entender muito bem o que de MAIS GRAVE ESTE NOSSO POVO PODE TEMER. E chegou-se a este estado de coisas – material e psicologicamente – mercê de continuadas infracções e escândalos, trazidos a público precisamente pelas autoridades judiciárias e policiais, através de notícias em que SEMPRE surgem nomes de personalidades políticas e ou governamentais, de administradores nomeados pelo governo ou com íntimas relações com um ou outro de seus membros, isto para não citar contratos de empresas com figuras públicas de “prestígio” como notórios jogadores de futebol, onde sempre aparece a sombra de um governante, a mão de um poderoso, o dedo de um político ou ex-político.

 

Portugal está gravemente doente, mas esta situação já outras vezes se verificou, E SEMPRE OS PORTUGUESES SOUBERAM E FORAM CAPAZES DE DELA SAIR, DANDO A VOLTA POR CIMA, O QUE SÓ ACONTECERÁ COM ÁRDUO TRABALHO, CORAJOSA DECISÃO COLETIVA, INICIATIVAS SENSATAS E INTELIGENTES E NATURALMENTE UM GOVERNO CAPAZ, CORAJOSO, HONESTO, DIGNO, que só poderá surgir por iniciativa Presidencial, presidido por alguém vindo da sociedade civil não comprometido, escolhido entre os muitos portugueses competentes e impolutos, desinteressados e patriotas, maduros e inteligentes, idealistas e humanistas, pois só um CIDADÃO nessas condições pode pensar e governar Portugal como um todo, sem que interesses pessoais e ou partidários lhe tolham os passos, lhe turvem as ideias, lhe baralhem as contas, lhe impeçam as decisões e ou lhe tirem o bom senso. Nesse caso, teria a secundá-lo homens capazes e livres, preparados e bem intencionados, corajosos e esclarecidos, justos e independentes, sem que de qualquer modo dependam de qualquer outro Poder, de qualquer outro suserano, de qualquer outro interesse – escuso ou não – para não se verem obrigados a nomear BOYS imaturos e despreparados, gananciosos e interesseiros, licenciosos e ou aventureiros.

 

A Pátria merece mais e melhor, por seu passado e por sua gente, por seus feitos e por ser valente, como tive OCASIÃO DE REFERIR ESTA SEMANA NUMA TERTÚLIA ONDE SE AFIRMOU QUE O IMPÉRIO TERMINOU, COM O QUE NÃO CONCORDEI, UMA VEZ QUE ESTÁ AÍ PUJANTE E VIÇOSO, CRESCENDO E ORGULHOSO O IMPÉRIO DA CULTURA E DA LÍNGUA, PRESENTE NAS AMÉRICAS, NA ÁFRICA, NA ÁSIA E NA OCEANIA, onde se fala e cultua a Língua de Camões que da EUROPA irradiou para esses quatro continentes, e hoje é falada por cerca de 150.000.000 (cento e cinquenta milhões) de falantes, inigualável e respeitável riqueza que a todos nós abre as portas do Mundo, como já ocorreu em épocas passadas, pois o português – por sua fácil adaptação a novos ambientes – sempre foi um CIDADÃO DO MUNDO. Levantemos – pois – HOJE DE NOVO O ESPLENDOR DESTE POVO DE HERÓIS DO MAR.

                                                  

Cordialmente,

JVerdasca

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Quem é o mais odiado pelo PS?

De: José António Saraiva

Estão em cima da mesa os candidatos à liderança do PSD, numa altura em que a chefia do partido começa a tornar--se apetecível.

Quando Marques Mendes se tornou líder, em 2005, o PSD estava de gatas, tinha perdido as eleições por K.O. e a perspectiva era ficar na oposição pelo menos quatro anos, enfrentando um Governo com maioria absoluta.

Ora ninguém resiste a isso – e Mendes não foi excepção, apesar das suas qualidades políticas, coragem e seriedade.

Luís Filipe Menezes, que lhe sucedeu no meio de grande dramatismo, também não tinha condições para aguentar muito tempo no lugar: é um homem com os nervos à flor da pele, e o saco de gatos em que o PSD se transformara era demais para a sua fragilidade emocional.

Falou-se então que o PSD ia morrer, que não tinha qualquer futuro, que estava irreversivelmente descredibilizado.

 

Em desespero, foram buscar uma pessoa sem grande sensibilidade política mas com credibilidade pessoal, com uma imagem de austeridade e rigor, para devolver a honorabilidade ao partido.

E isso foi conseguido – apesar da derrota eleitoral, que era inevitável.

De facto, pondo de parte as questões de carácter, Sócrates era claramente melhor candidato do que Ferreira Leite.

Ferreira Leite é séria mas falta-lhe o resto; Sócrates é duvidosamente sério mas tem o resto.

Enfim, o PSD lá foi resistindo como pôde – até acontecer o inevitável, isto é, começar a prefigurar-se como alternativa de poder, como agora sucede.

Com a fragilização do PS e do seu líder, está criada a ideia de que mais tarde ou mais cedo haverá eleições – e, nessa medida, o líder que o PSD escolher agora terá muitas hipóteses de chegar a primeiro-ministro.

E foi isto – julgo eu – que fez regressar Paulo Rangel de Bruxelas e avançar para o lugar.

 

Nesta coluna, quando ainda não se conheciam os candidatos (excepção feita a Passos Coelho), escrevi que os sociais-democratas não deveriam apostar num regresso ao passado (o que excluía os nomes de Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Marques Mendes e Filipe Menezes), também não deveriam inclinar-se para Passos Coelho (encarado ainda como um ‘júnior’), sendo Aguiar-Branco o homem certo neste momento.

Mais dizia que Paulo Rangel deveria continuar em Bruxelas, resguardando-se para momento posterior (chamei--lhe ‘Napoleãozinho’).

Mas hoje, consumadas as candidaturas de Aguiar-_-Branco e Rangel, o problema põe-se de outro modo.

Já não se trata de dizer: ‘Aguiar-Branco deve ser o líder e Rangel deve ficar na reserva em Bruxelas’.

Agora Rangel avançou mesmo – e a questão que se coloca, para os que não apoiam Passos Coelho, é uma escolha entre os dois.

Ora, tendo em conta as primeiras intervenções de um e de outro, parece-me que Paulo Rangel é o candidato mais forte.

É o tipo de político que leva tudo à frente, tem o sentido da demagogia (embora mantendo sempre um ar muito sério), é contundente, afirmativo, desenvolto a falar, e dispõe de uma característica essencial na política: killer instinct.

Sócrates também dispõe desta qualidade em alto grau – e isso explica grande parte do seu sucesso.

Rangel é, por isso, o candidato mais bem colocado para derrotar Sócrates.

É, aliás, curioso que seja ele o principal alvo dos dirigentes do PS e dos seus militantes: é sinal de que o temem.

É sempre um bom exercício para um partido pensar no seguinte: quem é que os meus adversários atacam mais?

Muitas vezes é essa a melhor escolha.

 

Neste  aspecto, Aguiar-Branco e sobretudo Passos Coelho perderam terreno nos últimos dias.

Aguiar-Branco, talvez pela seriedade e cautela que põe naquilo que faz, tem evitado as grandes declarações.

E Passos Coelho, vá lá saber-se porquê, tem saído em apoio do Governo, criticando o Orçamento Regional e o líder da Madeira, Alberto João Jardim, ou dando a mão a Sócrates em momentos cruciais.

Ora os militantes do PSD não gostam disto.

Os militantes do PSD, em momentos de grande exaltação emocional, como este, gostam de posições claras e de grande élan partidário.

Veja-se como Sá Carneiro actuava quando as águas estavam politicamente agitadas.

 

Assim, penso que Paulo Rangel é o homem mais bem colocado para tomar conta do PSD. A palavra ‘ruptura’ diz muito sobre ele.

Não sei se estará preparado para ser primeiro-ministro.

Se é verdade que é o único militante do PSD que ganhou uma eleição a Sócrates, não é menos verdade que nunca foi ministro.

Mas a política portuguesa precisa de mudar.

Há que romper com uma certa forma de fazer política que o processo Face Oculta desmascarou.

E, nesse sentido, Paulo Rangel, com os seus 42 anos (embora aparente mais) pode representar um indispensável virar de página.

 

P.S. – Vários dirigentes e militantes do PS, quando vão à televisão falar do caso Face Oculta, fazem questão de dizer que não lêem o SOL. António Costa é um exemplo, Alfredo Barroso é outro – apesar de já ter publicado artigos neste jornal que não lê... Mas o certo é que não podem mesmo fazê-lo. Porque as revelações do processo Face Oculta são tão comprometedoras para o Governo e o seu partido que, se lessem o SOL, essas pessoas envergonhavam-se. Ou perdiam definitivamente a vergonha. José António Saraiva

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Sócrates o "CRISTÂO"
Diz-se, Gabriel...
("POUCOS APRENDEM")
O título deste artigo é tão claro... como a água que sai das fontes!!
 
Boa tarde, Gabriel Cipriano... penso que não me vai levar a mal o tratamento, mas sou muito simples na maneira de tratar os outros, sempre dentro do respeito e educação que meus pais me deram, e que eu assimilei para sempre!
 
Posto isto, dizer-lhe que estou de acordo com tudo o que diz, a propósito do seu conceito de fé e de política... cada cabeça, sua sentença, e, efectivamente, as pessoas não são todas iguais!
 
É muito discutível tudo o que à fé diz respeito, porque, de milhões de casos conhecidos, muita coisa se pode atribuir ao HOMEM, mas, casos há em que até Ele põe a interrogação: "Mas como foi possível"?
Acho que percebe onde quero chegar... para além de católica, não praticante, entendo que o HOMEM não resolve tudo, acho que, isso sim, haverá uma entidade, acima de nós, DEUS ou seja o que for, que nos transcende e nos rege!!!
Assim como haverá certas e determinadas situações, das quais algumas pessoas se aproveitam, para realizar fortunas e viver de uma certa forma, mas, pessoalmente, acho um aproveitamento, da parte dessas mesmas pessoas, nada tendo isso que ver com fé ou crença... infelizmente, comungo, inteiramente, da sua opinião!!!
Ainda no que diz respeito a este assunto, dizer que "fujo" um pouco a discutir, abertamente, esta matéria, porque gosto mais de ouvir as mais diferentes opiniões, e porque as respeito, não me sinto muito motivada para esse diálogo!!!
 
Quanto ao campo político, Gabriel, gosto muito de ver o que, ao longo dos tempos, se vai passando, e analiso muito sériamente tudo o que tenho observado, desde 25/A até aos dias de hoje, e o que tenho visto, digo ao sr., em abono da verdade, é muita conversa e pouca obra, porque:
 
1º. A revolução nâo foi para o povo, porque, se o fosse, estàvamos muito melhor do que o que estamos;
2º. Tenho visto muita conversa... e pouca obra!
3º. Acho, e não é a primeira vez que o digo, que socialismo e comunismo são sistemas de "terra queimada", dos quais nem o próprio Salazar gostava (decerto, haveria alguma razão, porque Salazar era um HOMEM inteligente);
4º. Por fim, como sabe, há muitos regimes socialistas e comunistas, onde o povo não tem direito a nada, e, se pisa o risco, cortam-lhe logo a cabeça... isso é que são regimes totalitários, ferozes e de Esquerda;
5º. Também já aqui o disse que não faço diferença entre Esquerda e Direita... eu quero, para o meu país, uns governantes sérios e competentes, venham eles de onde vierem;
6º. Diz-se, Gabriel, que, antes do 25/A, se vivia numa ditadura... eu digo-lhe, com toda a franqueza, e, já com os meus 17/18 anos, que desconhecia ter vivido, até aí, numa ditadura;
Vivia-se, sim, num regime de respeito, segurança, ordem, riqueza (só no B.P. estavam as tais 800t de barras de ouro), com sacrífícios da parte do povo... mas o que é que nos têm pedido, a nós, povo, delá para cá?;
7º. Finalmente, as tais mesquinhices de que já se falou, aqui, por várias vezes, são coisas muito graves que se passam e denigrem o sistema instalado, isso é que é verdade, Gabriel, pois se, todas as pessoas são categóricas e frontais a dizer o que se passava em bastidores, porque razão denomina José Sócrates as coisas, como sendo uma falsidade e uma ignomínia, não me dirá?
 
Respeitosamente,M.Celeste Amado-Miratejo
 
 
                                                                    Medo perdido!...

Nota do Autor: Em solidariedade ao Povo do Chile, deixamos aqui um poema de nossa autoria, elaborado em uma época de grande aflição e angústia pelo desconhecido do amanhã que a Deus pertence... sempre!

 

De: Silvino Potêncio

 

<< Medo perdido!...>> 

 

Entrei pela porta da vida,

 À procura dum raio de luz.

   De novo saí,... já com uma cruz,

     Que me foi dada à guarida,

        P’ra todo o sempre e enquanto,

           Na terra durar o meu pranto.

 

Nascendo, embarquei para as trevas,

Dum destino incerto e sem rumo.

Caminho apertado por grevas,

Formadas em nuvens de fumo.

 

Vivemos, morremos, e esquecemos... 

   As dores, os prazeres e os bens térreos; 

    E ainda que sejam fortes, até férreos!, 

     São laços que sempre perdemos...

       São esperanças que só deixam penas,         

São grandes por serem pequenas!...

 

Entrei pela porta da vida,

Saí correndo assustado;

  Descobri que sou,... tão mal formado.

   Que de mim tenho medo constante,

    Nascido comigo no instante

     Que minha Mãe me deu vida. – me tornou nado!

 

Andará por aí,

Cantando, rindo e chorando comigo.

Para mim será um simples amigo,

Como olhos daquilo que eu vi.

 

Entrei em mim como água em mar alto,

  Se deixa tomar pelos peixes...

   Se por ti tiveres medo não deixes,

    Que ele te tome de assalto...

     - Não queiras que o tempo te leve,

        A ter medo de quem o não teve.

 

Autor: Silvino Potêncio

(in: "Eu, O Pensamento, a Rima" - Luanda/Anos 70)

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O TEMPO ENSINA,

PORÉM, POUCOS APRENDEM

 

GabrielCipriano. RiodeJaneiro

Quem nos lê, atribui-nos fervor político e indiferença religiosa. Esse juízo tem fundamento. Politicamente defendemos o socialismo com alguma vontade, e para as religiões usamos breves insinuações de deboche e não reconhecemos méritos na sua essência.

No primeiro caso opinamos dentro e sobre comportamentos  que beneficiam as mais numerosas camadas da sociedade. A nosso ver o governante que atende esta premissa deve ser considerado o melhor. Governo de minorias é pernicioso, só é tolerado porque oferece privilégios a alguns, mais fortes e sonega direitos de outros, mais fracos.

Desnecessário dizer, que naquele primeiro caso vive o Portugal atual e não obstante o enxovalho e a calunia lançados e divulgados pelos “alguns”, perdedores das vantagens, cujos critérios, não passam da medíocridade reacionária, ditada pelo ódio e rancor,

que lhes inunda a alma.

A questão  religiosa, para nós, também é de fácil explicação. Por educação e comportamento civilizado, devemos respeitar a fé de cada um. Aliás, respeitar o próximo é a regra primeira para se viver em paz, conviver com o semelhante. Guerra serve apenas a grupos extremados, de sentimentos limitados, que vislumbram na violência soluções para as precariedades humanas.

Aqui, na fé, a questão também pode ser mais aclarada e entendida. Muitos seres humanos, por fraqueza e outras falhas precisam de amparo. Pessoalmente, abrimos mão dele e nunca o procuramos na religião ou em outro qualquer embuste. Ao longo de décadas a ciência nos acudiu e nosso cérebro encontrou o suporte junto aos amigos que nos socorreram.Isto,apenas isto, gerou nosso pouco caso pelas religiões e é ainda por isso que olhamos condoídos os que rezam de joelhos e se esganam pedindo perdão a Deus das patifarias que praticam.

Voltando à política, faltou dizer que militamos por largo tempo na esquerda, reprovando as canalhices da direita, até que um dia descobrimos a utopia dos distribuidores da riqueza com seus monólogos palermas,arvorados em facção salvadora e, já que era mentira,deixamos de confiar. Caráter, honradez e outras virtudes tem por aí aos montes, mas dada sua convivência com a hipocrisia, passamos a duvidar também desse moralismo da decência.

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FERIDA de 35 anos
O drama dos portugueses espoliados em Moçambique será lembrado a José Sócrates quando chegar a Maputo, na 4ª feira Será recebido por um grupo que só pede o cumprimento de uma lei de l977: o direito indemnização

 

De: Marta Curto em Maputo

JOSÉ Sócrates visita Mo­çambique de 3 a 5 de Mar­ço. O gabinete do primeiro-ministro adiantou que o programa ainda está a ser preparado, mas terá uma grande componente económica. O que não está na agenda é o encontro, à chegada, com um grupo de portugueses. Ângela Ser­ras Pires e Luís Oliveira são duas das pessoas que pedirão para ser ouvidas por Sócrates, reabrindo uma ferida com 35 anos: as perdas dos portugueses aquando da independência de Moçambique (em 25 de Junho de 1975).

No aeroporto, erguerão um cartaz e tentarão pedir ao embaixador português, Mário Godinho de Matos, uma audiência com o primeiro-ministro. Ao SOL, poucos quiseram falar. O segredo é a estratégia para não perder tudo, de novo.

«As pessoas ainda têm muito medo, sofreram e perderam muito na in­dependência. Toda a gen­te tentou reaver o que ti­nha, e ninguém conse­guiu», explica Ângela.

«Eu quero que ele dê 50 ou 100 milhões de dóla­res a quem perdeu tudo. Portugal já investiu tan­to aqui, já deu tanto a Moçambique em doa­ções, que, pelo menos, podia dar alguma coisa a quem também construiu este país e perdeu tudo. Já que não fizeram nada, que mostrem alguma di­gnidade e dêem algum di­nheiro a essas pessoas». Ângela não teme dar a cara. Foi a única da família a não ver uma Moçambique, e deve-lhes a coerência de dizer a verda­de até ao fim. Lucinda Fei­jão, sua tia, foi uma das fun­dadoras da Renamo e os Serras Pires têm o pior ca­rimbo para a Frelimo, sem­pre no poder desde a inde­pendência.

Lei impõe indemnização

Ângela chegou a Portugal com 13 anos, em 1975, entre 170 mil oriundos de Mo­çambique na altura da des­colonização. Da cidade da Beira, onde nascera, viu-se num país estranho. Para trás, a família deixava um enorme espólio. Entre em­presas e casas, havia a Quinta do Guro, ao pé da cidade de Tete, com uma estalagem, uma bomba de gasolina, plantações, uma escola. «Nós tínhamos consciência de que iam ficar com tudo, mas achávamos que seriam os criados. As pessoas es­tavam em pânico, dizia-se que os portugueses eram todos uns fascis­tas». Foi tudo nacionaliza­do, menos as cantinas, uma espécie de pequenas lojas que vendiam de tudo no meio do mato. Essas, Ângela viu serem nacio­nalizadas em 1996, quan­do passava férias em Mo­çambique, antes de aqui se radicar em definitivo. «Há uns dez anos, o meu pai foi à quinta do Guro, e estavam lá a viver 60 mil pessoas. As pes­soas fizeram-lhe uma grande festa, pediram-lhe para voltar, mas es­tava tudo destruído. E pensar que tudo come­çara com uma palhota que o meu avô fez». Em 1977, as indemnizações aos ex-titulares de direitos sobre bens na­cionalizados ou expro­priados foram salvaguar­dadas na lei n.° 80/77. Diz que «do direito à pro­priedade privada, re­conhecido pela Consti­tuição, decorre que, fora dos casos expres­samente previstos na Constituição, toda a na­cionalização ou expro­priação apenas poderá ser efectuada mediante o pagamento de justa indemnização».

É aqui que reside a espe­rança de Luís Oliveira, de 39 anos. Numa lei que nun­ca foi posta em prática.

A viver em Moçambi­que há dois anos, está a concretizar um sonho de menino. Já em Portugal, onde chegara com qua­tro anos, passara a in­fância a ouvir histórias deste país, de como era a vida aqui, do que aqui fora deixado. Hoje traba­lha em Maputo como informático.

A sua história começa no século XIX, com a vinda dos bisavós. Oliveira, que trou­xe consigo toda a papelada do que seria seu, mostra a casa da Rua Tchamba que pertencia aos avós mater­nos, a residência da Aveni­da Salvador Allende, dos avós paternos. Pelo cami­nho, conta que a família saiu do país a medo, num tempo em que havia pres­são sobre os brancos para se irem embora. O pai, à pressa, seguiu os conselhos do Governo português e de­positou dinheiro no consu­lado português. «Chamavam-lhes os depósitos consulares. Deixava-se aqui e levantava-se em Portugal. O meu avô aca­bou por receber esse di­nheiro, quase 20 anos mais tarde, através do Mi­nistério dos Negócios Es­trangeiros, mas sem a ac­tualização da moeda. Uma ninharia».

Em Portugal, sem di­nheiro, nem bens, os avós de Luís foram obrigados a viver no lar de Santa Joana, no Lumiar.

«Ainda não tentei rea­ver o que era da minha família, mas essas casas já são de outras pessoas e tenho medo de arranjar problemas com os no­vos donos». Embora já te­nha pedido nacionalidade moçambicana, Luís ainda espera pelos papéis, e, en­quanto estrangeiro, prefe­re não levantar pó. Admi­te que houve quem voltas­se a comprar o que era seu antes da independência, outros que ameaçaram os actuais donos a largarem as casas, mas não tem di­nheiro, nem feitio para isso. «Não espero nada da vinda de Sócrates cá, mas acho isto tudo mui­to injusto, porque nós éramos portugueses e ninguém nos protegeu. Tudo o que o meu avô fez, deixou aqui, foi uma vida inteira...»

Não há lágrimas ou se­quer nostalgia nas palavras de Luís. Mas sentimento de revolta. «A culpa disto tudo é do Governo portu­guês, não temos de pedir seja o que for ao Gover­no moçambicano. Se na altura Portugal negociou Cahora Bassa, podia ter negociado também as propriedades dos portu­gueses. E temos a lei de 1977, Portugal comprometeu-se!». Já antes desta, o decreto-lei n.° 203/74 di­zia que os bens dos repa­triados portugueses se­riam acautelados. Mas os acordos de Lusaca, que marcaram a independên­cia de Moçambique, assi­nados entre o Governo português e a Frelimo, em Setembro de 1974, não pas­saram pela defesa dos inte­resses dos portugueses. Passaram-se 36 anos e a As­sociação de Espoliados de Moçambique já entregou várias petições à Assem­bleia da República portu­guesa, além de ter recorri­do aos tribunais para fazer cumprir a lei. Sem sucesso. Eduardo nasceu na Bei­ra há 51 anos. «Quando eu cheguei a Portugal, tinha 18 anos, estávamos em Novembro de 75. A me­trópole, para mim, não era nada, nunca lá tinha ido, nem um pullover ti­nha». Eduardo conta tudo como se a ferida ainda não tivesse sarado, como se ain­da tivesse 18 anos e sentisse na pele a injustiça cega, e muda. «Tínhamos de sair daqui, não havia condi­ções para criar os filhos. Tínhamos consciência de que tudo tinha acabado».

Em Portugal, Eduardo e os seus irmãos foram obri­gados a largar os estudos e começar a trabalhar. Pela primeira vez, contavam o dinheiro e temiam o futu­ro. «Nostálgico, o meu pai? Não podia, nem ti­nha tempo, havia quatro filhos para criar. Não ar­ranjou um emprego, mas um trabalho. Claro que fica uma enorme mágoa, mas a vida tem de andar para a frente quando te­mos uma família».

O pai de Eduardo, com 45 anos aquando da chegada a Portugal, não quis pedir apoio ao Instituto de Apoio ao Retornado. Também nunca pensou em escolher outra nacionalidade que não a portuguesa, embora, se tivesse optado pelo ale­mã, pudesse ter direito a uma indemnização.

Manter a história viva

Eduardo herdou o carácter do pai. «Nem quero ver Sócrates. Para quê? Vai dizer que está muito preocupado com a si­tuação e que temos ra­zão, e depois não vai fa­zer nada. Eu só quero manter a história viva, para as pessoas não se esquecerem».

Amílcar Dias tem mais de 80 anos, mas anda direi­to como se tivesse 40. É edu­cado e delicado, denun­ciando o carácter galanteador dos homens do seu tempo. Foi administrador das melhores empresas do país, e ao contrário dos ou­tros, nunca saiu de Mo­çambique. Trabalhou an­tes e depois da independência, reconheciam-lhe o saber e não o puseram de lado. Mesmo assim, ainda esteve 18 meses preso na Machava, em 1975. Quando saiu, de tudo o que a famí­lia conseguira construir ao longo da vida, restava-lhe um apartamento. «Há três meses desenvolvi uma teoria: há afro-tribalistas - africanos com um modo de vida tribalista - e há afro-europeus, que são africanos, com uma cultura europeia, que é o meu caso».

Há um ano, assistiu ao leilão dos cinemas que o pai tinha na Beira, o Olím­pia e o Palácio, que ha­viam sido nacionalizados após a independência. «Não há nostalgias, só causam lágrimas e não mudam nada». Amílcar Dias não se vai prestar a encontros com o primeiro-ministro. Diz que Só­crates, como os políticos antes dele, nunca entende­ram as colónias. «Geriam, combatiam, mandavam como se soubessem o que se passava aqui. Se tivessem desenvolvido uma classe média-alta cá, não haveria Frelimo que vencesse. E os polí­ticos do 25 de Abril fize­ram tudo mal». Dias não tem esperança de voltar a ver o que era seu, e do seu pai. O que lá vai, lá vai. È que, apesar de ter nascido e vivido sempre aqui, em Moçambique um branco é sempre estrangeiro. Mulungo é a palavra no dia­lecto changana, usado em Maputo, para branco. Quer dizer branco, patrão, pessoa erudita, uma espé­cie de deus. E mulungo não é moçambicano.

A questão da indemniza­ção não é fácil, já que, des­de Samora Machel, Mo­çambique também pede uma compensação a Por­tugal pelos 500 anos de co­lonização. Se o Governo português indemnizar os espoliados, a presidência moçambicana sentir-se-á, provavelmente, na obriga­ção de pedir satisfações. E não convém a nenhum dos lados voltar ao passado. «Sabe, a politica são ne­gócios. Não são ideais», sentencia. "SOL"   Marta Curto em Maputo

MACUA DE MOÇAMBIQUE
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3 Pastorinhos

Ventas de caneco

 

Ainda não tinha ouvido esta.

A minha Mãe estava no seu quarto do Hospital à espera de ser operada hoje ao colo do fémur que partiu. Neste momento está a ser operada e escrevo isto para lhe transmitir “in mente” a minha mensagem de que tem de ultrapassar a barreira.

Pareceu-me que rezava e aproximei o ouvido. Estava em conciliábulo com o Pai do Céu – devoção que pratica habitualmente, sobretudo quando sente alguém ao pé, que a minha Mãe gosta de fazer show. Explicava ao Senhor que nunca tinha ofendido ninguém por palavras – creio que nem por obras, embora não garanta os pensamentos, que a minha mãe é um portento de força anímica.

Garantia ela que só uma vez é que cometera o tal pecado da ofensa verbal e fora quando chamou “ventas de caneco” a um rapaz do seu tempo que estava a regar a terra dele com a água que pertencia à terra da minha mãe.

Por que motivo lembrou o caso tão recuado não sei. Agora lembra mais os casos recuados, é quando se sente feliz, revivendo-os, com os seus quase 103 anos. Creio que desejou limpar a alma, pedindo perdão dos seus pecados a Deus, mas pelos vistos não se achava detentora de muitos, ao considerar o “ventas de caneco” o mais grave de todos. Nesta coisa dos pecados, convém restringirmo-nos ao elementar, quando são os nossos, para não sobrecarregarmos  a sacola que Júpiter nos colocou às costas.

Percebi o seu medo da operação mas mandei um “Deixa-te disso, Mamã!”, e partiu dali para avivar outros dados ligados aos sabores antigos das figueiras e pereiras do seu Carregal da infância.

A senhora da cama ao lado garantiu que a minha mãe era muito lúcida e tive ocasião de lhe ouvir palavras de calibre técnico, como “rumo”.

Aproveito para desejar à minha Mãe a continuação do seu “rumo” por muitos anos ainda, embora a próxima fase do seu recomeçar a andar se apresente baça.

Mas baço é também o rumo do nosso País, com esta contínua troca de acusações, no nosso à deriva económico, com greves e buzinões populares ajudando ao estardalhaço parlamentar, ninguém sabendo que rumo tomar, porque rumo certo não há, só o do despenhadeiro, com ressalva para a reconstrução na Madeira, feita ao modo decidido de Jardim que é dos que não se coibiria de usar a expressão que a minha Mãe empregou em rapariga: “Ventas de caneco”.

Mas canecos já não deve haver para a água, que a maioria das casas a têm encanada, além de que Alberto João Jardim não deve conhecer a expressão antiga, jovem que é.

Entretanto, soube, telefonicamente, que a operação da minha Mãe foi bem sucedida.  

Assim se resolvesse o rumo do nosso País, “c’um caneco!”.

                                                             Berta Brás

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Pregrina de Fátima

A Imagem Pregrina de Fátima está na Madeira

Ola Amigas(os) do PortugalClub

Uma das imagens Peregrinas de N.Sra. de Fátima ( existe uma original e sete réplicas) chegou na noite de ontem a cidade do Funchal, na Ilha da Madeira, para levar consolo e esperança ao maritizado povo madeirense.

Essa é a função ( peço desculpas pelo uso desse termo) das imagens Peregrinas: levar conforto a zonas devastadas do nosso planeta, estar presente em eventos solenes como da inauguração da cidade de Brasília, visitar os seus devotos espalhados pelo mundo, enfim, nenhuma Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima é " algo de trazer-se pelo bolso", algo que possa permanecer na casa de uma pessoa. Não é uma imagem para atender INDIVIDUALMENTE ninguém, mas sim o COLETIVO, uma COMUNIDADE, uma ARQUIDIOCESE.

Essa foi e continua sendo a minha indignação quando leio declarações como da apresentadora Ana Maria Braga, ou de outras semelhantes, arvorando-se em " PRIVILEGIADAS DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA", COMO SE POR ALGUMA RAZÃO ESPECIAL, ELAS FOSSEM MERECEDORAS DE RECEBER UMA IMAGEM PEREGRINA NAS SUAS CASAS. Supostamente mais merecedoras do que eu ou de qual um de nós, por exemplo, aqui do PortugalClub.

De forma desavergonhada lá está a dita imagem de Nossa Senhora (a tal cedida pelo Quarto Pastorinho e alcunhada de Peregrina) nos eventos dos casamentos de Ana Maria Braga com o padre Antonio Maria fazendo o seu habitual papel de palhaço aplicando o rito católico do casamento a quem não reúne condições para tal, simplesmente a troco de algum punhado de dólares. Bem lembrada aqui a celebração do casamento do jogador Ronaldo no castelo de Chantilly , na ocasião ainda casado com a primeira esposa mas que valeu uma reprimenda ao padre festeiro por parte da sua Arquidiocese.

Em contacto com o Reitor de Fátima para que me  esclarecesse essa situação, a recomendação foi para que eu orasse, orasse, orasse. E orei como continuo orando pelos pobres de espírito que se julgam mais espertos do que os outros e que acham que nos continuarão enganando pro resto dos nossos dias. Para a apresentadora Ana Maria Braga escrevi um email recomendando-lhe que poupasse a comunidade portuguesa das suas atitudes ridículas e que se recolhesse à sua insignificância ou fosse chorar no ombro do Quarto pastorinho, leia-se Paulo Machado, do ICEP São Paulo.

Esse abuso com a Imagem de Nossa Senhora de Fátima é mesmo isso: um abuso. Que se esclareça, de uma vez por todas, a história da Imagem Peregrina e das suas réplicas para que os aventureiros não continuem enganando pessoas crédulas e apanhando-lhes o dinheiro. No caso da apresentadora Ana Maria Braga até merece ser enganada pois foi bem avisada de que estava sendo vítima de uma fraude mas  insistiu na mentira para se fazer de privilegiada.

                                                                                                                   Abraço Eulalia Moreno    São Paulo

 

Imagens Peregrinas de Nossa Senhora de Fátima

Feita segundo indicações da Irmã Lúcia, a primeira Imagem da Virgem Peregrina de Fátima foi oferecida pelo Sr. Bispo de Leiria e coroada solenemente pelo Sr. Arcebispo de Évora, a 13 de Maio de 1947. A partir dessa data, a imagem percorreu, por diversas vezes, o mundo inteiro, levando consigo uma mensagem de paz e amor.
Tudo começou em 1945, pouco depois do final da 2ª Guerra Mundial, quando um pároco de Berlim propôs que uma imagem de Nossa Senhora de Fátima percorresse todas as capitais e as cidades episcopais da Europa até à fronteira da Rússia. A ideia foi retomada em Abril de 1946, por um representante do Luxemburgo no Conselho Internacional da Juventude Católica Feminina e, no ano seguinte, no mesmo dia da sua coroação, teve início a primeira viagem. Depois de mais de meio século de peregrinação, em que a Imagem visitou 64 países dos vários continentes, alguns deles por diversas vezes, a Reitor ia do Santuário de Fátima entendeu que ela não deveria sair mais habitualmente, mas só por alguma circunstância extraordinária. Em Maio de 2000 foi colocada na exposição «Fátima Luz e Paz», onde foi venerada por dezenas de milhares de visitantes. Passados três anos, mais precisamente no dia 8 de Dezembro de 2003, solenidade da Imaculada Conceição, a Imagem foi entronizada na Basílica do mesmo Santuário de Fátima, tendo sido colocada numa coluna junto do Altar Mor.

A fim de dar resposta aos imensos pedidos, foram, entretanto, feitas várias réplicas da primeira Imagem Peregrina.

De todos os lados nos chegam relatos extraordinários pela presença da Imagem nas suas terras, das multidões que acorreram à sua passagem, de participações nunca antes verificadas nas várias celebrações, de um grande número de penitentes que se abeiraram do Sacramento da Reconciliação, da presença de pessoas que há muito não iam às igrejas, da afluência de gente de todo o tipo, das crianças, jovens, adultos e idosos, dos trabalhadores mais simples, dos pescadores, operários, artistas, desportistas, doentes, estudantes, presos, militares, políticos, presidentes, dos católicos, maometanos, protestantes, pagãos, das ruas engalanadas, dos lindíssimos ramos de flores, dos grandiosos cortejos, das pombas brancas que sobrevoaram e poisaram no andor, de milagres, da paz e do amor, de grandes frutos pastorais e de abundantes graças alcançadas.
António Valinho

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